Embate no “centrão” paulista

De acordo com informações apuradas junto a parlamentares do “centrão”, a federação partidária formada por PP e União Brasil avalia lançar um candidato próprio ao governo do estado de São Paulo para pressionar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) por mais espaço e recursos. Tanto aliados de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e secretário de governo de Tarcísio – considerado o “homem forte” do governo paulista, quanto da ala ligada ao secretário estadual de Segurança Pública, o deputado federal licenciado Guilherme Derrite (PP-SP), expressam insatisfação com a relação do governador com as bases municipais e a perda de influência na gestão. A movimentação é vista como uma estratégia de barganha e “briga política” dos dois grupos para garantir mais verbas para prefeituras do interior aliadas e maior participação na chapa de reeleição de Tarcísio.
Acareação celebrada

O vice-líder do governo na Câmara, deputado Rogério Correia (PT-MG), celebrou a acareação realizada pelo ministro Dias Toffoli, no STF, entre o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, com o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, no inquérito que apura fraude de R$ 12,2 bilhões na venda de carteiras de crédito fictícias. O petista mineiro afirmou que o ministro Dias Toffoli acertou ao determinar o confronto, que expôs contradições entre os investigados, enquanto o depoimento do diretor do Banco Central do Brasil (BCB), Ailton de Aquino Santos, trouxe provas robustas. Correia declarou que “o governador [de Brasília] Ibaneis já tem pesadelos com a Papuda e Ciro Nogueira não dorme nem com remédios”, sugerindo que eventuais delações podem ampliar o escopo político do caso. Ele também criticou reportagens que, em sua visão, tentaram desviar o foco para questões periféricas da “Operação Compliance Zero” da Polícia Federal.
BCB, fundamental

O inquérito que apura o caso do Banco Master investiga um suposto esquema fraudulento de uma carteira de crédito de R$ 12,2 bilhões, constituída por operações irregulares ou inexistentes, que foi oferecida para venda ao BRB. A fraude, desvendada pela “Operação Compliance Zero” da Polícia Federal, consistia em inflar artificialmente o patrimônio do banco para viabilizar sua aquisição pelo banco público. O Banco Central do Brasil (BCB), ao vetar a transação e acionar as autoridades, desempenhou um papel central ao expor as irregularidades técnicas. O diretor de fiscalização do BCB, Ailton Aquino, forneceu ao STF um detalhamento técnico considerado fundamental para a investigação, demonstrando o prejuízo potencial ao erário. De acordo com fontes governistas com acesso ao ministro Toffoli, o foco é apurar a autoria intelectual do esquema e se houve uso de influência política para forçar a compra pelo BRB, enquanto se aguardam possíveis delações premiadas.
Compasso de espera

De acordo com informações apuradas junto a parlamentares ligados ao Planalto, vários parlamentares petistas desconfiam que setores do “centrão” estejam por trás de manobras no caso do Banco Master, envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. Os governistas veem com preocupação a proximidade de Vorcaro com o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, cuja bancada integra a maior federação partidária do Congresso. A investigação, conduzida pela delegada Janaína Palazzo, é vista como crucial, e há temor de que uma eventual delação premiada do banqueiro possa atingir figuras políticas influentes. A assessoria do Planalto monitora a situação, temendo que o caso ganhe contornos de uma operação de desestabilização política, em um contexto de relações conturbadas entre o Palácio do Planalto e o “centrão”.
Novo salário-mínimo

O novo salário mínimo de R$ 1.621,00, que entrou em vigor nesta última quinta-feira, 1º de janeiro, deve injetar R$ 81,7 bilhões na economia deste ano, segundo estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O reajuste de 6,79% alcançará diretamente a renda de cerca de 61,9 milhões de brasileiros, sendo 29,3 milhões de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Por outro lado, as despesas da Previdência Social terão um aumento estimado de R$ 39,1 bilhões em 2026, refletindo o impacto do piso nos benefícios. O cálculo considerou a inflação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que foi de 4,18% e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) limitado a 2,5% pelas novas regras do arcabouço fiscal.
Energia eólica

O Ministério de Minas e Energia (MME) abriu consulta pública para estabelecer regras de compensação financeira a geradores de energia eólica e solar fotovoltaica afetados por cortes de geração no sistema elétrico nacional. A medida, em análise até 16 de janeiro, visa a reduzir prejuízos acumulados desde setembro de 2023 e dar maior previsibilidade aos investimentos em renováveis. A proposta prevê um termo de compromisso para ressarcir os agentes, buscando equilíbrio entre segurança jurídica para os investidores e proteção aos consumidores de custos excessivos. A iniciativa, que conta com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), é promovida em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDICS), para reforçar a integração da política energética, do crédito público e do desenvolvimento industrial.
Salvaguardas chinesas

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) emitiu nota na última quarta-feira, 31 de dezembro, alertando para o risco de a salvaguarda chinesa às importações de carne brasileira causar instabilidade no mercado e impacto no abate e na renda do produtor já no início de 2026. A entidade afirmou que vai atuar de imediato junto ao Ministério da Agricultura (MAPA), ao Itamaraty e à área de comércio exterior do governo para abrir um canal de negociação direto com as autoridades da China. O objetivo é buscar soluções que garantam previsibilidade ao setor exportador. A FPA também solicitará um levantamento técnico detalhado sobre o fluxo recente das exportações para embasar a estratégia brasileira e evitar uma redução desorganizada do mercado. A medida chinesa, já esperada pelo setor, agora exige uma resposta rápida para preservar a estabilidade da cadeia produtiva nacional.
Apoio à decisão de Kássio Nunes

Associações representativas da advocacia, como a Associação dos Advogados de São Paulo (AASP), o Centro de Estudos das Sociedades de Advogados (CESA) e o Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), emitiram nota manifestando apoio à decisão liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Kássio Nunes Marques, que prorrogou para 31 de janeiro de 2026 o prazo para aprovar a distribuição de lucros de 2025. As entidades afirmam que a liminar é fundamental para garantir segurança jurídica aos contribuintes. O documento critica a orientação da Receita Federal, que recomendava a aprovação antecipada até 31 de dezembro, por tentar esvaziar a decisão judicial e transferir o risco de uma eventual reversão para as empresas.
Investimentos em comunicações

O investimento estrangeiro direto no setor de telecomunicações do Brasil atingiu R$ 34,22 bilhões entre janeiro e novembro de 2025, um crescimento de 12,1% em relação ao mesmo período de 2024, conforme dados do Banco Central do Brasil (BCB). O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, atribuiu o resultado à modernização do país e à expansão da conectividade, destacando que o Brasil está “no radar do mundo”. Os recursos são considerados fundamentais para acelerar a implantação do 5G, que já chega a mais de 1,3 mil cidades, e para reduzir desigualdades regionais. Programas como o Nordeste Conectado têm ampliado o acesso à internet de alta capacidade em escolas e praças públicas. O desempenho reforça a confiança internacional na economia brasileira e a atratividade do país para o capital produtivo.
Tesouro direto

O Tesouro Direto registrou um forte movimento em novembro, com investimentos totais de R$ 6,19 bilhões, resultando em uma emissão líquida de R$ 2,83 bilhões após os resgates. O título indexado à Selic foi o mais demandado, concentrando 57,4% das vendas. Um dado que chama a atenção é a participação maciça do pequeno investidor: aplicações de até R$ 1 mil representaram 59,3% do total de 802.806 operações realizadas no mês. O estoque total do programa alcançou R$ 205,4 bilhões, um aumento de 36,2% em relação a novembro de 2024. A base de investidores ativos também cresceu, chegando a 3,3 milhões de pessoas, um incremento de 19,2% no ano. Os números reforçam a adesão contínua do público aos títulos públicos, com destaque para a busca por segurança e proteção contra a inflação.
























