Vice-presidente da FPA, Arnaldo Jardim apresentou ao ministro da Agricultura “pontos críticos” que atingem fortemente o setor já afetado pelas tarifas adicionais impostas pelos EUA às exportações brasileiras para àquele país.
Por Humberto Azevedo
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), também conhecida como “bancada ruralista”, cobrou do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) “ajustes” no plano setorial de agricultura e pecuária, apelidado de “Plano Clima”, para evitar “prejuízos” à imagem e competitividade dos produtos do agronegócio brasileiro no exterior.
De acordo com o vice-presidente da entidade, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), a proposta em consulta pública exige que o setor corte até 54% das emissões de gás carbônico (CO2) até o ano de 2035, enquanto que o setor de energia pode aumentar em até 44%. Para Jardim, é um erro ainda atribuir à agropecuária brasileira um incremento de mais de 800 milhões de toneladas de CO₂ por desmatamento, incluindo áreas fora de sua responsabilidade, sem reconhecer a captura de carbono em propriedades privadas.
O vice-presidente da FPA alertou também que, na forma atual, o “Plano Clima” concentra a maior carga de obrigações justamente sobre quem já preserva e produz com responsabilidade, adotando uma abordagem punitiva ao agro. O pedido e o alerta feito pelo parlamentar paulista ao ministro Fávaro aconteceu na última quarta-feira, 13 de agosto, durante uma reunião na sede do Ministério, em Brasília.
Arnaldo Jardim salienta que o Brasil já assumiu compromissos ambiciosos de corte de emissões, mas o governo foi além, escalou as metas e dedicou um capítulo ao agronegócio que não reconhece seus avanços. Ele lembrou que a consulta pública sobre o “Plano Clima” se encerra no próximo dia 18 e reforçou a necessidade de mobilização do setor.
“Estão atribuindo ao setor emissões que não são de sua responsabilidade e impondo metas desproporcionais, enquanto deixam de contabilizar o que preservamos e sequestramos de carbono. Nós faremos uma manifestação da FPA e queremos convidar todas as entidades, por meio do Instituto Pensar Agropecuária, para contestar fortemente as metas e os critérios usados. É essencial que a sociedade se manifeste”, afirmou Jardim.
DISTORÇÕES
Durante o encontro, o deputado apresentou ao ministro dados que demonstram as distorções da proposta, como o uso de bases não oficiais, a exemplo do MapBiomas, e de modelos não auditáveis, como o BLUES, para calcular emissões atribuídas ao agronegócio. Também destacou que o plano ignora o papel dos biocombustíveis e bioinsumos, que sequestram milhões de toneladas de CO₂ por ano, e prevê reduzir a supressão de vegetação permitida por lei sem oferecer compensações ou incentivos aos produtores.
Segundo Jardim, o ministro Carlos Fávaro – senador licenciado pelo PSD de Mato Grosso (MT) – se comprometeu a analisar os pontos apresentados e dar um retorno. Representantes do setor avaliam que o plano impõe ao agronegócio cortes de até 54% nas emissões até 2035, enquanto outros setores, como o de energia, poderão ampliar suas emissões.
“Temos que dialogar com a sociedade e com o governo, mas também acionar outros interlocutores, porque essa é uma situação delicada e estratégica, que dialoga diretamente com a COP e com a imagem do Brasil no mundo. O Brasil anunciou cortes rigorosos de emissões e dedicou um capítulo específico ao agro. Contestamos fortemente as metas e os critérios adotados, e a FPA fará uma manifestação na consulta pública que se encerra na próxima segunda-feira (18)”, concluiu.
Com informações de assessorias.






















