As convenções partidárias chegaram ao fim e, com elas, caiu a última cortina sobre um dos momentos mais estratégicos da eleição de 2026. Se até aqui as articulações aconteciam nos bastidores, agora o cenário está desenhado: as nominatas para deputado federal e estadual estão definidas e dão os primeiros sinais de quem chega forte, quem precisou improvisar e quem ainda terá muito trabalho para transformar candidatos em votos.
Mais do que cumprir uma exigência legal, montar uma chapa competitiva é um exercício de sobrevivência política. Não basta reunir nomes. É preciso equilibrar lideranças regionais, puxadores de voto, renovação, representação feminina, segmentos econômicos e densidade eleitoral. Uma chapa mal construída pode comprometer toda a estratégia de um partido.
Em Santa Catarina, algumas legendas conseguiram atingir esse objetivo com relativa tranquilidade. Outras encerraram as convenções ainda tentando preencher espaços, convencer lideranças resistentes e administrar disputas internas que ficaram longe dos microfones.
O cenário também revela uma mudança importante. Em comparação com eleições anteriores, os partidos apostaram menos em candidaturas meramente simbólicas e concentraram esforços em nomes com potencial real de votação. A consequência é um ambiente muito mais competitivo, onde cada voto poderá alterar a distribuição das cadeiras.
Outro fator chama atenção. A formação das nominatas deixou claro que a eleição proporcional será o verdadeiro termômetro da força política de cada grupo. Enquanto a disputa pelo Governo do Estado e pelas duas vagas ao Senado concentra os holofotes, é na eleição de deputados que os partidos medirão sua capacidade de organização, mobilização e capilaridade.
Nos bastidores, dirigentes admitem que o desempenho das chapas proporcionais influenciará diretamente a negociação de espaços no segundo turno, a composição de futuras alianças e até a liderança dos partidos dentro da Assembleia Legislativa e da bancada federal.
A expectativa também é de uma eleição marcada por forte renovação. Muitos nomes tradicionais decidiram não disputar ou migraram para outros projetos, abrindo espaço para prefeitos, ex-prefeitos, vereadores, empresários, lideranças do agronegócio, representantes do setor produtivo e novos personagens que enxergam em 2026 a melhor oportunidade para ingressar na política estadual.
Ao mesmo tempo, algumas disputas internas continuam longe de terminar. Há candidatos do mesmo partido que disputarão o mesmo eleitorado, especialmente em regiões como Grande Florianópolis, Norte, Vale do Itajaí, Oeste e Sul do Estado. Essa concorrência interna poderá definir quem sobrevive politicamente e quem ficará pelo caminho.
A partir desta semana, a Coluna Sobretudo inicia uma série exclusiva analisando, partido por partido, a composição das nominatas, os candidatos que realmente entram na disputa por uma cadeira, os puxadores de votos, as projeções de bancadas e os bastidores que ajudam a explicar como Santa Catarina começa a desenhar o mapa político que definirá os próximos quatro anos.
Agora que as chapas estão montadas, termina a fase das especulações. Começa, de fato, a eleição.


























