Para o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues, o que houve foi que a oposição conseguiu construir uma maioria graças à ausência de titulares do “centrão”, que permitiu suplentes bolsonaristas votarem.
Por Humberto Azevedo
Numa articulação dos parlamentares bolsonaristas, lideranças do governo e do “centrão” foram surpreendidos com a eleição do senador Carlos Viana (Podemos-MG) e Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) para o comando da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que investigará as fraudes no esquema de empréstimos consignados de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).
Para o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), o que houve foi que a oposição conseguiu construir uma maioria graças à ausência de alguns titulares do “centrão”, o que permitiu que suplentes bolsonaristas votassem e evitar que os eleitos fossem o senador Omar Azziz (PSD-AM) e o deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), escolhidos pelos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
“O resultado foi esse, na composição, na proporcionalidade, a gente tinha a maioria de votos. A gente é o maior interessado em que a CPMI cumpra o seu papel na investigação e nós vamos trabalhar para isso. Nós vamos fazer as conversas que forem necessárias, nós temos maioria na comissão e essa comissão não vai servir à oposição, aos palanques da oposição, aos likes da oposição. Tenho certeza e garantia disso”, disse Randolfe à imprensa.
Questionado se a vitória dos bolsonaristas Carlos Viana e Alfredo Gaspar, para presidente e relator da CPMI, seria uma “tragédia” para o governo, Randolfe afirmou que não e que também não houve “cochilo” da base governista que resultou na derrota de Azziz e Ayres. Segundo ele, o que houve foi uma “circunstância” e que a situação será contornada e que o governo, junto aos parlamentares do “centrão”, tem maioria do colegiado.
“Não, não e não. Eu acho que não, tem uma circunstância, que é uma circunstância regimental. Os três primeiros suplentes são do PL. Foram esses três primeiros suplentes da Câmara que acenderam e que fizeram a diferença no voto. A gente é o maior interessado em que essa CPMI seja conduzida, toque a investigação, apure quem tiver que apurar e responsabilize quem tiver que apurar. 80% das fraudes do INSS aconteceram entre 2019 e 2022”, continuou o senador amapaense.
COMEMORAÇÃO

Já o líder da oposição bolsonarista, deputado Luciano Zucco (PL-RS) celebrou a articulação dos colegas oposicionistas afirmando que “a eleição da mesa diretiva da CPMI do INSS representa uma vitória histórica da oposição, dos partidos de centro e, sobretudo, do povo brasileiro”. Segundo o bolsonarista gaúcho, pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul, “os indicados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e do presidente da Câmara, Hugo Motta, foram derrotados na votação, garantindo que esta Comissão não seja capturada pelo governo nem acabe em pizza”.
“Agora, o Brasil terá uma investigação de verdade. Nada será abafado. Os aposentados, pensionistas e milhões de brasileiros lesados por um dos maiores escândalos de corrupção já registrado no país — que pode chegar a R$ 90 bilhões — terão a garantia de que a CPMI buscará a verdade até as últimas consequências. O comando está em mãos firmes e independentes: o senador Carlos Viana na presidência e o deputado Alfredo Gaspar na relatoria”, disse Zucco.
“A partir de agora, não haverá blindagem a sindicatos, amigos ou familiares de Lula. O Congresso dará a resposta que o povo espera, rompendo a cortina de silêncio erguida pelo governo e setores que não desejam a verdade. A oposição seguirá vigilante e determinada. Nenhum culpado ficará impune”, comentou o líder oposicionista.

























