Procurador mato-grossense lamentou que os tempos atuais “um simples dissenso não raro dá lugar à secessão”.
Por Humberto Azevedo
Ao assumir a Associação Nacional dos Procuradores federais da República (ANPR) na última terça-feira, 29 de abril, o procurador José Schettino repetindo o discurso realizado pelo ex-presidente Juscelino Kubitschek no ato em que lançou a pedra inaugural de Brasília, em 1956, enfatizou sua “fé inquebrantável sobre o amanhã com o otimismo do sonhador e a tenacidade do ladrilhador”.
Entretanto, o procurador mato-grossense lamentou que os tempos atuais “um simples dissenso não raro dá lugar à secessão”. Para ele, representar mais de 1200 membros do Ministério Público Federal (MPF), entre aqueles que estão em exercício ou aposentados, é como carregar pelos próximos dois anos “uma tocha que se mantém acesa e irradiante por mais de meio século, até que transportada sucessivamente pela fina flor da nossa instituição, não deixa de causar um inquietante assombro”.
“Estamos numa época de polarização das visões de mundo e de verdadeira fragmentação da coesão social, em que opiniões amiúde não se prestam a ponderada reflexão, mas a pura e irracional desavença. Uma época em que um simples dissenso não raro dá lugar à secessão. Vivemos, infelizmente, um tempo em que a capacidade de ouvir e, sobretudo, de tolerar o que é diferente, é qualidade que parece soçobrar num oceano de ilhas incomunicáveis”, comentou.
Mas, por outro lado, Schettino reforçou que procurará adotar na sua gestão à frente da ANPR a busca pelo consenso. “A busca pelo consenso admite, sim, obviamente, democraticamente, a divergência, mas sempre e sempre com a premissa de que é preciso saber ceder para poder ganhar”, observou. Segundo ele, “consenso não é unanimidade” e “a busca pelo consenso não é uma estéreo pretensão à unanimidade”.
“Quem quer tudo e tudo do seu exclusivo jeito acaba sempre ficando sem nada. O mundo é de quem faz e não de quem vive de devaneios ou da confortável oposição de quem só sabe criticar o trabalho à lei, engenheiro de obra pronta, ou de ser mestre em dar ideias para os outros executar. A colheita é comum, mas o capinar é sozinho. Nos lembra o imortal Riobaldo. Hoje, somos 12 nesta diretoria, prontos para o capinar”, completou Schettino citando o personagem do romance Grande Sertão Veredas do escritor mineiro Guimarães Rosa.
JK
“No dia 2 de outubro de 1956, senador Rodrigo Pacheco, a algumas centenas de metros daqui onde nós estamos hoje, o grande Juscelino Kubitschek, um dos nossos maiores e melhores sonhadores, disse o seguinte, e eu vou citar o que ele disse, deste planalto central, desta solidão que em breve se transformará em cérebro das altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu país e antevejo essa alvorada com fé inquebrantável e uma confiança sem limite no seu grande destino”, discursou.
“Hoje, senador Rodrigo, 29 de abril de 2025, quase 70 anos depois de serem ditas, essas palavras sobre o que viria a se tornar Brasília, mas também sobre o Brasil, permanecem vivas na dimensão de sonho de país que evocam. Um sonho que era de Juscelino, que é de vossa excelência, senador Rodrigo Pacheco, e que é de todos nós. Parafraseando o presidente Kubitschek, aqui deste planalto central, neste auditório, venturosamente consagrado ao seu nome, lançamos nossos olhos sobre o amanhã com o otimismo do sonhador e a tenacidade do ladrilhador e enfatizamos nossa fé inquebrantável de que é, sim, possível fazer sempre melhor para que a nossa estrutura institucional não feneça circunstâncias nem aos constantes desafios”, finalizou.





















