O agronegócio brasileiro tem potencial para gerar 314,3 milhões de créditos de carbono até 2035, mas transformar esse volume em receita ainda depende de certificação, compradores e regulamentação. Estudo da consultoria Carbonn Nature, com apoio do Instituto Equilíbrio e do Instituto de Estudos do Agronegócio (IEAg), aponta que a exportação de parte desses créditos pode movimentar até R$ 3,5 bilhões no mercado internacional.
Apesar do potencial, os créditos ainda não estão disponíveis para comercialização. O levantamento reúne projetos em diferentes fases de desenvolvimento e mostra que, dos 17 projetos brasileiros de manejo de terras cadastrados na certificadora Verra, apenas um estava oficialmente registrado e apto a avançar para a emissão dos créditos.
Para participar desse mercado, o produtor rural precisa comprovar que adotou práticas capazes de reduzir ou remover emissões de gases de efeito estufa, como recuperação de pastagens degradadas, integração lavoura-pecuária-floresta, uso de biodigestores e melhoria no manejo agrícola. O processo exige validação, auditorias e monitoramento, podendo levar anos até a emissão dos créditos.
Atualmente, os créditos podem ser negociados no mercado voluntário com empresas interessadas em compensar emissões. Já as vendas para outros países dependem de autorização do governo brasileiro e das regras do Acordo de Paris. Especialistas alertam que, antes de aderir a um projeto, o produtor deve avaliar os custos, as condições contratuais e a parcela da receita que efetivamente ficará com a propriedade.

















