MATO GROSSO

HABITAÇÃO URBANA

Abilio dispara contra construtoras e endurece defesa por imóveis maiores: “Jogam famílias no fim do mundo”

Emanoele Daiane / RD News

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Prefeito de Cuiabá eleva o tom ao justificar proposta que estabelece metragem mínima para lotes e apartamentos, critica empreendimentos sem infraestrutura e rebate acusações de que medida ameaça programas habitacionais.

 

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), voltou a defender com veemência a proposta que estabelece metragem mínima de 200 m² para lotes e 50 m² para apartamentos na Capital. Ao justificar a medida, o gestor fez duras críticas às construtoras que atuam no município, acusando parte do setor de priorizar o lucro em detrimento da qualidade de vida da população.

Durante entrevista à Rádio Capital, Abilio demonstrou indignação com o avanço de empreendimentos erguidos em regiões distantes e sem a estrutura necessária para atender os futuros moradores. Segundo ele, milhares de famílias acabam sendo empurradas para bairros sem serviços essenciais, enfrentando dificuldades desde o primeiro dia de moradia.

“Eles constroem lá no quinto dos infernos, vai lá no lugar mais longe que tem, sem infraestrutura nenhuma, sem posto de saúde, sem praça, sem escola, sem nada. Vai lá e joga lá no PQP, que nem o pessoal diz, e põe lá na casa mais cara que tem, falando que é para população mais carente”, disparou o prefeito.

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A tentativa de regulamentar a metragem mínima começou por meio de um projeto encaminhado à Câmara Municipal. No entanto, a proposta precisou ser retirada de pauta para ajustes. Na sequência, a Prefeitura editou um decreto com a mesma finalidade, mas a norma acabou suspensa pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

Mesmo diante da derrota judicial, Abilio mantém o discurso de que a discussão vai além do mercado imobiliário. Para ele, a ausência de regras claras favorece interesses empresariais e acaba penalizando justamente quem mais precisa de moradia digna. Por isso, a administração municipal decidiu recorrer da decisão judicial.

A proposta também desencadeou uma onda de críticas de representantes do setor da construção civil e de segmentos políticos, que afirmam que a medida poderia inviabilizar empreendimentos populares, incluindo unidades do programa Minha Casa, Minha Vida. O prefeito rejeita essa interpretação e afirma que o debate tem sido contaminado por interesses políticos, apesar de assegurar que não disputa qualquer cargo eletivo no momento.

Na avaliação de Abilio, não é aceitável que apenas quem possui maior poder aquisitivo tenha acesso a imóveis mais amplos e confortáveis, enquanto famílias de baixa renda sejam obrigadas a viver em espaços reduzidos.

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“A população, não tendo outras opções, porque existe uma demanda muito grande de interesse de compra de habitação em Cuiabá e pouca casa sendo construída, acaba gerando essa situação da pessoa aceitar as condições que tem disponível. Ah, e esses apartamentozinhos aí, tipo MRV e etc? É só você ver a qualidade desses apartamentos. Coitado dessas pessoas, pô. A gente tem que ter um mínimo de empatia, e eu como prefeito, como arquiteto, eu tenho que ter essa percepção. A gente não pode falar, não, para a pessoa mais pobre, 37 metros quadrados de casa. Para o rico, para o político, para o servidor, para quem sobrevive através do dinheiro dos impostos dessas pessoas, o luxo”, afirmou.

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