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SOBRETUDO

A sucessão de Topázio pode ser a eleição mais interessante de Santa Catarina

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Enquanto a política catarinense está concentrada na disputa pelo Governo do Estado em 2026, uma eleição começa a tomar forma silenciosamente nos bastidores da Capital. Não será disputada no próximo ano, mas tem potencial para influenciar os rumos políticos da década seguinte.

A sucessão de Topázio Neto.

Pode parecer cedo para falar sobre 2028. Mas a política raramente espera o calendário. Os grupos políticos mais organizados já começam a observar movimentos, testar nomes e construir posicionamentos para uma disputa que tende a ser uma das mais abertas da história recente de Florianópolis.

E talvez o aspecto mais interessante seja justamente este: pela primeira vez em muito tempo, a cidade pode não viver uma eleição definida exclusivamente por uma polarização tradicional entre direita e esquerda. A disputa pode ser entre diferentes modelos de cidade.

O legado de Topázio será o principal ativo da eleição

Antes de falar dos possíveis candidatos, é preciso entender o tamanho do desafio.

Topázio não será apenas um prefeito encerrando um mandato. Ele poderá deixar a prefeitura com uma marca política própria. Sua gestão consolidou uma narrativa fortemente ligada à eficiência administrativa, inovação, ambiente de negócios e qualidade de vida. Sua reeleição em primeiro turno mostrou a força desse modelo junto ao eleitorado da Capital.

Por isso, a grande questão para 2028 não será apenas quem quer ser prefeito. Será quem conseguirá convencer a população de que representa melhor o próximo capítulo da cidade.

Maryanne e a força da continuidade

A vice-prefeita Maryanne Mattos aparece naturalmente entre os nomes observados para a sucessão.

Sua principal força é a associação direta com a atual gestão. Caso Topázio encerre o mandato com índices elevados de aprovação, ela poderá se apresentar como a candidata da continuidade. É uma posição privilegiada, mas também desafiadora.

A história política mostra que herdar um governo bem avaliado não garante automaticamente a transferência de prestígio eleitoral. O eleitor costuma aprovar administrações, mas nem sempre transfere essa aprovação para quem tenta sucedê-las. Se quiser ser mais do que uma candidata apoiada por Topázio, Maryanne precisará construir uma identidade política própria ao longo dos próximos anos.

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Gean e o retorno da experiência

Gean Loureiro continua sendo um personagem impossível de ignorar quando o assunto é Florianópolis.

Muitos observadores analisam Gean a partir de sua candidatura ao governo em 2022. Talvez o olhar mais correto seja outro. O verdadeiro patrimônio político de Gean continua sendo Florianópolis.

Se decidir voltar ao cenário municipal, dificilmente entrará como um candidato comum. Entrará como alguém que conhece profundamente a cidade, possui forte recall eleitoral e mantém relações políticas e institucionais construídas ao longo de décadas. Sua eventual candidatura representaria uma disputa entre o legado da experiência administrativa e os projetos que tentam representar o futuro da Capital.

Pedrão e a nova geração do centro-direita

Pedro Silvestre talvez represente uma das trajetórias mais consistentes entre as lideranças que podem disputar a prefeitura.

Sua construção política foi gradual. Ampliou presença pública, consolidou uma base própria na Capital e passou a ser visto como um dos nomes da nova geração política da cidade. Sua principal vantagem é representar renovação sem romper completamente com setores tradicionais do eleitorado.

Em uma eleição marcada por candidatos conhecidos, Pedrão pode ocupar justamente o espaço daqueles que buscam uma alternativa entre continuidade e retorno ao passado. É um perfil que costuma encontrar terreno fértil em Florianópolis.

Marquito e uma visão diferente de cidade

Se existe um nome que saiu maior da eleição de 2024, mesmo sem vencer, esse nome é Marquito.

Sua votação expressiva mostrou que existe espaço para uma agenda que coloca no centro do debate temas como mobilidade urbana, sustentabilidade, planejamento urbano, ocupação dos espaços públicos e qualidade de vida.

Mas talvez o aspecto mais relevante seja outro. Marquito conseguiu dialogar para além dos limites tradicionais da esquerda. Transformou pautas que muitas vezes eram vistas como temas de nicho em assuntos centrais da cidade.

Ainda assim, existe um desafio político relevante. Florianópolis, assim como a maior parte de Santa Catarina, não possui tradição recente de eleger candidatos identificados com a esquerda para cargos executivos. Isso significa que, para transformar crescimento eleitoral em vitória, precisará ampliar ainda mais sua capacidade de diálogo com o eleitor de centro, algo que já começou a fazer na última eleição.

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Talvez a eleição não seja entre direita e esquerda

Este talvez seja o ponto mais interessante de toda a discussão.

Durante muitos anos, a política brasileira se acostumou a analisar eleições pela lógica da polarização ideológica. Mas Florianópolis possui características que podem levar a disputa para outro caminho.

Topázio consolidou uma cidade voltada à gestão, inovação e ambiente de negócios. Marquito representa uma cidade focada em sustentabilidade, planejamento urbano e qualidade de vida. Gean carrega a experiência administrativa e a capacidade de execução. Pedrão pode representar uma nova geração de lideranças de centro-direita. Maryanne surge como possível continuidade de um modelo que hoje possui aprovação significativa.

Nenhuma dessas narrativas é necessariamente incompatível com a outra. Elas apenas colocam prioridades diferentes sobre o futuro da Capital.

E talvez seja justamente isso que torne a próxima eleição tão interessante.

 

PONTO DE VISTA

A sucessão de Topázio pode produzir uma eleição rara na política brasileira.

Uma disputa menos centrada em lideranças nacionais e mais concentrada em projetos de cidade.

Florianópolis mudou muito nas últimas duas décadas. Cresceu, atraiu investimentos, tornou-se referência em inovação, tecnologia e qualidade de vida. Ao mesmo tempo, passou a enfrentar desafios cada vez mais complexos relacionados à mobilidade, ocupação urbana, infraestrutura e preservação ambiental.

Os candidatos que surgem para 2028 parecem representar respostas diferentes para essas questões. E isso pode ser uma excelente notícia para a cidade.

Porque algumas eleições são definidas por partidos. Outras são definidas por líderes. Mas as mais importantes costumam ser aquelas em que o eleitor escolhe entre visões diferentes de futuro.

Se esse for o caminho da próxima disputa em Florianópolis, a Capital poderá oferecer à política catarinense algo cada vez mais raro no Brasil: um debate sobre ideias, prioridades e projetos de cidade, e não apenas sobre lados.

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