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SOBRETUDO

Todos falam em alianças. Mas a política catarinense vive uma guerra silenciosa por sobrevivência

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Durante meses, a política catarinense girou em torno de uma pergunta aparentemente simples: quem estará com quem em 2026? O debate ocupou partidos, lideranças, bastidores e produziu uma infinidade de especulações sobre alianças, federações e composições majoritárias.

Mas algo começou a mudar.

Enquanto o noticiário continua concentrado nas disputas para governador e Senado, os partidos parecem ter voltado sua atenção para outro campo de batalha. Um campo menos visível para o eleitor, mas talvez muito mais importante para o futuro da política catarinense.

A disputa pelas bancadas.

E os sinais estão por toda parte.

O discurso é de união. O comportamento é de sobrevivência.

A política vive de símbolos. E poucas palavras foram tão utilizadas nos últimos meses quanto união, aliança e construção coletiva.

Mas basta observar o comportamento dos partidos para perceber uma realidade diferente.

O Progressistas divulgou um manifesto interno orientando prefeitos, vereadores e pré-candidatos a concentrarem esforços exclusivamente nos candidatos do 11. O MDB trabalha para fortalecer suas nominatas. O PSD faz o mesmo. O PL segue ampliando sua estrutura. O União Brasil também busca preservar seu espaço.

Na prática, todos falam de alianças para as disputas majoritárias, mas agem como partidos que sabem que sua sobrevivência dependerá do tamanho das bancadas que conseguirem eleger.

E faz sentido.

Governadores passam.

Senadores cumprem mandatos.

Mas são as bancadas que determinam influência política, acesso a recursos, protagonismo legislativo e capacidade de negociação pelos anos seguintes.

 

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A eleição de 2026 pode estar sendo decidida em outro lugar

O debate público continua focado na vantagem de Jorginho Mello, nos movimentos de João Rodrigues e na disputa ao Senado. São temas importantes. Mas existe uma possibilidade que começa a ganhar força nos bastidores.

Talvez os próprios partidos já tenham concluído que a disputa mais decisiva não está no governo do Estado.

Pelo menos não neste momento.

Quando uma eleição apresenta um favorito claro, como indicam as pesquisas atuais, as estruturas partidárias naturalmente começam a olhar para os espaços onde ainda existe maior margem de definição. E hoje esses espaços estão nas eleições proporcionais.

É ali que será definido quem terá força política em Santa Catarina a partir de 2027.

 

O Progressistas talvez tenha revelado mais do que pretendia

O manifesto divulgado pelo partido nos últimos dias foi interpretado por muitos apenas como uma orientação eleitoral. Mas talvez ele revele algo mais profundo.

Ao pedir que suas lideranças priorizem exclusivamente o 11, mesmo dentro de uma federação nacional, o Progressistas deixou escapar uma preocupação que provavelmente existe em diversas outras siglas.

A preocupação de perder identidade.

As federações nasceram para fortalecer partidos. Mas na prática também criaram um novo desafio. Como preservar espaço político próprio dentro de estruturas maiores?

O que está acontecendo no Progressistas não é um caso isolado. É apenas a manifestação mais explícita de uma inquietação que percorre boa parte do sistema partidário brasileiro.

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A política entra em uma nova fase

Os próximos meses tendem a ser menos marcados por anúncios de alianças e mais por movimentos internos. Formação de nominatas, busca por candidatos competitivos, negociações regionais e disputas silenciosas por espaço dentro das próprias legendas.

Para o eleitor, isso pode parecer um detalhe técnico.

Para os partidos, é uma questão de sobrevivência.

Quem eleger mais deputados terá mais influência. Terá mais recursos. Terá mais protagonismo. Terá mais capacidade de participar dos governos que surgirão depois das urnas.

É por isso que tantas lideranças estão olhando para as proporcionais com uma atenção que não aparece nas manchetes.

 

PONTO DE VISTA

A política catarinense começa a viver uma curiosa contradição.

Enquanto o debate público continua centrado nas alianças, os partidos parecem cada vez mais preocupados consigo mesmos. Não porque abandonaram seus projetos majoritários, mas porque compreenderam uma verdade simples da política.

Ganhar uma eleição é importante.

Continuar relevante depois dela é ainda mais.

Talvez por isso o verdadeiro jogo de 2026 esteja começando a migrar para longe dos holofotes. Menos nas disputas entre governistas e oposicionistas. Mais na corrida silenciosa que definirá quais partidos sairão fortalecidos quando a eleição terminar.

E, olhando com atenção, essa guerra já começou.

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