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"ROMBO NA EDUCAÇÃO?"

Abílio aponta possível escândalo de R$ 70 milhões em contratos de livros e aciona órgãos de controle

Foto: RDNews

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O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, afirmou, em entrevista à imprensa, ter encontrado fortes indícios de irregularidades em contratos milionários firmados pela Secretaria Municipal de Educação entre os anos de 2025 e 2026, período em que a pasta era comandada pelo ex-secretário Amauri Monge, que deixou o cargo em março deste ano. Segundo o prefeito, as suspeitas envolvem a compra excessiva e supostamente desnecessária de materiais didáticos e livros, em um volume que pode ultrapassar R$ 70 milhões.

Durante entrevista, Abílio classificou a situação como “um absurdo” e afirmou que a atual gestão já determinou a suspensão imediata de pagamentos e de todos os trâmites ligados às aquisições investigadas. De acordo com ele, cerca de R$ 20 milhões já teriam sido pagos antes da identificação das supostas inconsistências nos contratos.

“Nós temos algumas suspeitas de que foi feita a aquisição de material, livros principalmente, em excesso, de forma desnecessária. O montante dessas aquisições pode ultrapassar R$ 70 milhões. É um absurdo o que aconteceu lá. Nós estamos investigando o que houve, porque não pode acontecer uma aquisição nesse montante, de forma equivocada e desnecessária”, declarou o prefeito.

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Abílio ainda afirmou que os indícios encontrados comprometem diretamente o orçamento da Educação e revelou que o caso será encaminhado para investigação da Polícia Federal, Polícia Civil, Ministério Público Federal e Ministério Público do Estado de Mato Grosso. “O pagamento desse material está suspenso e não será feito até que toda a apuração seja concluída. Se a gente não entrasse com essa investigação, poderia sim prejudicar a educação”, disparou.

Outro ponto que chamou atenção nas declarações do prefeito foi a suposta incompatibilidade entre as justificativas técnicas apresentadas nos contratos e a qualidade do material entregue. Segundo Abílio, parte dos conteúdos analisados teria sido produzida até mesmo com auxílio de inteligência artificial, sem apresentar a complexidade ou qualidade que justificassem os valores cobrados.

“O material entregue não bate com a justificativa técnica apresentada. Em alguns casos, vimos livros sendo cotados em até R$ 800 a unidade. Nós não aceitamos isso. Quando fomos analisar o conteúdo, vimos materiais simples, que qualquer pessoa poderia produzir. A justificativa técnica dizia uma coisa, mas o produto entregue era completamente diferente”, afirmou.

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Apesar da gravidade das suspeitas, o prefeito evitou apontar nomes ou responsabilizar diretamente integrantes da antiga gestão antes da conclusão das investigações. Ainda assim, ele reforçou que as aquisições investigadas ocorreram antes da chegada do atual secretário Reginaldo à pasta e garantiu que a prefeitura irá até as últimas consequências para identificar possíveis responsáveis e buscar reparação aos cofres públicos.

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