MATO GROSSO

BASTIDORES DO PODER | CLIMA DE REVOLTA

Deputados denunciam travamento de emendas e crise preocupa na ALMT

publicidade

publicidade

A tensão entre deputados estaduais e o Governo de Mato Grosso voltou a incendiar os bastidores da Assembleia Legislativa de Mato Grosso após parlamentares da oposição acusarem o Palácio Paiaguás de “segurar dinheiro” das emendas parlamentares. O assunto ganhou força nas últimas semanas e já provoca desgaste dentro da base governista, principalmente entre deputados que afirmam enfrentar dificuldades para liberar recursos destinados aos municípios.

 

O clima piorou depois que dados internos da execução orçamentária passaram a circular entre gabinetes da Assembleia. Parlamentares apontam que deputados considerados aliados do governo teriam conseguido executar volumes muito maiores de emendas em comparação com nomes da oposição ou independentes. Nos bastidores, a reclamação é de que alguns parlamentares já teriam ultrapassado a casa de dezenas de milhões em recursos pagos, enquanto outros enfrentam dificuldades até para liberar verbas básicas para saúde e infraestrutura.

 

Um dos parlamentares que mais criticaram a situação foi o deputado estadual Lúdio Cabral. Em entrevista concedida no último dia 6 de maio, o parlamentar afirmou que existe tratamento desigual na distribuição dos recursos públicos. “O orçamento não pode ser usado como instrumento de pressão política. Emenda parlamentar é direito do deputado e da população que ele representa”, declarou o petista ao comentar o travamento de recursos para municípios ligados à oposição.

Leia Também:  Corpo de Bombeiros socorre motociclista que ficou ferido após acidente

 

Nos corredores da Assembleia, deputados afirmam reservadamente que prefeitos começaram a pressionar os parlamentares devido ao atraso nas verbas prometidas. Um deputado oposicionista ouvido sob anonimato revelou, na terça-feira (12), que o problema já ameaça desgastar mandatos no interior. “O prefeito acha que a culpa é do deputado, mas muitas vezes o dinheiro fica travado dentro do governo. Tem município esperando recurso há meses”, afirmou.

 

A situação também passou a gerar desconforto entre integrantes da própria base governista. Durante sessão na Assembleia Legislativa de Mato Grosso realizada na quarta-feira (7), o deputado Wilson Santos admitiu que existem diferenças na velocidade da execução das emendas parlamentares. “É preciso transparência e equilíbrio para evitar injustiças”, declarou o parlamentar durante debate sobre orçamento e liberação de recursos estaduais.

 

Outro dado que reforça a crise é o peso das emendas para os municípios de Mato Grosso. Em cidades pequenas, boa parte das obras de pavimentação, aquisição de ambulâncias, custeio da saúde e reformas de escolas depende diretamente dos recursos indicados pelos deputados estaduais. Sem a liberação do dinheiro, prefeitos enfrentam dificuldades para manter serviços básicos e cumprir promessas administrativas em ano pré-eleitoral.

Leia Também:  Governador e primeira-dama cumprem agenda em Campo Verde e Carlinda nesta sexta-feira (21)

 

A insatisfação chegou até prefeitos do interior. Durante reunião da Associação Mato-grossense dos Municípios realizada no último dia 8 de maio, o presidente da entidade, Leonardo Bortolin, afirmou que os municípios dependem fortemente das emendas parlamentares para investimentos essenciais. “Muitas cidades não conseguem tocar obras sem esse apoio. Quando o recurso atrasa, quem sofre é a população”, declarou o gestor.

 

Enquanto o Palácio Paiaguás evita comentar oficialmente as acusações de perseguição política, a crise das emendas já se transformou em um dos temas mais explosivos dos bastidores da política mato-grossense. Na Assembleia Legislativa, deputados avaliam que a disputa pela liberação dos recursos pode provocar novas rebeliões internas e ampliar ainda mais a guerra política entre governo, oposição e parlamentares independentes às vésperas da corrida eleitoral de 2026.

 

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade