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Brasileiros fazem fila no Paraguai em busca de menos impostos e vida “mais conservadora”

Imagem: Fernando Otto/BBC News Brasil
Imagem: Fernando Otto/BBC News Brasil

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Centenas de brasileiros têm atravessado a fronteira para tentar residência no Paraguai, motivados principalmente pela busca por menos impostos, custo de vida mais baixo e identificação com pautas conservadoras. A informação foi publicada em reportagem especial da BBC News Brasil, que acompanhou durante três dias um mutirão migratório realizado em Ciudad del Este, na fronteira com o Brasil.

Segundo a reportagem, a fila começou a se formar ainda no domingo, um dia antes da abertura oficial do atendimento promovido pelo governo paraguaio. Brasileiros de diferentes regiões passaram a madrugada em cadeiras de praia, barracas improvisadas e até churrascos montados na fila para garantir atendimento. “Viemos conhecer tudo isso que o Paraguai tem para oferecer aos brasileiros”, afirmou à BBC a empresária goiana Delly Fragola, de 55 anos. Já o paranaense Dilberto Wegrnen declarou que empresários estão deixando o Brasil devido à carga tributária e às leis trabalhistas.

Dados do governo paraguaio mostram que o movimento vem crescendo rapidamente. Em 2025, o Paraguai concedeu 40,6 mil autorizações de residência a estrangeiros, sendo mais da metade para brasileiros: 23,5 mil. Somente nos três primeiros meses de 2026, mais de 9,2 mil brasileiros receberam autorização para morar no país. O governo do presidente Santiago Peña criou mutirões migratórios chamados “Migramovil” para atender à alta demanda.

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Imagem: Fernando Otto/BBC News Brasil
Imagem: Fernando Otto/BBC News Brasil

A reportagem da BBC aponta que muitos dos brasileiros entrevistados citaram insatisfação política, sensação de insegurança e críticas ao governo federal como razões para deixar o país. “Nós, da direita, nos sentimos as pessoas mais oprimidas”, disse à reportagem a aposentada carioca Zena Cheraze, de 68 anos, que viajou sozinha do Rio de Janeiro até Ciudad del Este. Segundo ela, o Paraguai oferece maior liberdade e custo de vida mais acessível.

O chefe da imigração do departamento de Alto Paraná, Cornelio Melgarejo, afirmou à BBC que o perfil dos brasileiros mudou nos últimos anos. Antes, a maioria buscava faculdades de medicina mais baratas. Agora, predominam empresários, aposentados e famílias interessadas em abrir negócios ou viver em um ambiente mais alinhado às suas convicções ideológicas.

A baixa carga tributária aparece como um dos principais atrativos. Conforme dados citados pela reportagem, o Paraguai adota um modelo conhecido como “10-10-10”, em que imposto sobre consumo, renda pessoal e lucro empresarial possuem alíquota de 10%. No Brasil, a carga tributária representa cerca de 32% do PIB, mais que o dobro da paraguaia, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

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Além dos impostos menores, empresários brasileiros têm sido atraídos pelo sistema de “maquila”, que permite importar matéria-prima quase sem tributos, produzir em território paraguaio e exportar com baixa tributação. Marcas brasileiras como Lupo e Riachuelo já instalaram operações no país utilizando esse modelo.

Imagem: Fernando Otto/BBC News Brasil
Imagem: Fernando Otto/BBC News Brasil

Especialistas ouvidos pela BBC, porém, alertam que o cenário exige cautela. O economista Alexandre da Costa, pesquisador da Universidade Federal do Paraná e da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, afirmou que o Paraguai ainda possui baixa renda per capita, infraestrutura limitada e serviços públicos frágeis. Ele destacou que muitos brasileiros residentes no país continuam recorrendo ao SUS em cidades brasileiras de fronteira.

A reportagem também mostra que parte dos brasileiros não pretende permanecer definitivamente no Paraguai. Em 2025, apenas 19% dos pedidos feitos por brasileiros foram de residência permanente. Muitos utilizam o país como alternativa temporária para reduzir custos ou reorganizar a vida financeira.

Mesmo assim, há quem veja o Paraguai como destino definitivo. A empresária Roberta Viegas, que hoje auxilia brasileiros interessados na mudança, afirmou à BBC que o país não é “mil maravilhas”, mas que se sente mais confortável vivendo ali. “Hoje, eu me sinto melhor aqui”, declarou.

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