A abertura de investigação pelo governo brasileiro sobre possível prática de dumping nas importações de proteína de soja da China ocorre em meio a um cenário de forte dependência comercial no complexo da soja. O país asiático é destino de mais de 70% das exportações brasileiras do produto em grão.
O Brasil embarca entre 95 milhões e 105 milhões de toneladas de soja por ano, consolidando-se como maior exportador global. Desse volume, mais de 70 milhões de toneladas têm como destino o mercado chinês, que regula suas importações por meio de licenças, controle industrial e gestão de estoques.
Esse modelo permite à China ajustar o ritmo de compras conforme as margens da indústria local, impactando diretamente os preços e prêmios pagos ao produtor brasileiro. Em momentos de menor rentabilidade no esmagamento, o país reduz aquisições, pressionando o mercado.
A investigação conduzida pela Secretaria de Comércio Exterior apura indícios de venda abaixo do custo de produção entre julho de 2024 e junho de 2025. Caso confirmada a prática, o Brasil poderá aplicar tarifas adicionais por até cinco anos.
Embora o impacto direto sobre o produtor seja limitado no curto prazo, o movimento reforça a exposição do agronegócio brasileiro às decisões comerciais chinesas, que seguem determinantes para preços e fluxo de exportações.

















