O advogado Tallis de Lara Evangelista acionou a Justiça contra o Governo do Estado de Mato Grosso após ter sido preso durante a Operação Gravatas, em março de 2024, e posteriormente absolvido das acusações de envolvimento com organização criminosa. Na ação, ele pede R$ 720 mil por danos morais e materiais, alegando ter sido alvo de um grave erro judicial que abalou sua vida pessoal e profissional.
Na época da operação, investigadores apontaram que o criminalista teria realizado audiências e mantido contato com clientes ligados ao Comando Vermelho. Durante o cumprimento do mandado, agentes apreenderam celulares e o notebook utilizado em seu trabalho. Lara acabou preso e passou 86 dias detido no Presídio Major Eldo Sá Corrêa, conhecido como Mata Grande, em Rondonópolis, convivendo com presos condenados e provisórios.
A ação foi assinada pelo próprio advogado e pelo jurista Matheus Bazzi, que sustentam que a prisão preventiva seguida de absolvição por atipicidade configura erro judiciário. Segundo eles, o próprio Judiciário reconheceu que os fatos descritos na denúncia não constituíam crime.
“Não houve sequer possibilidade de que a prisão fosse justificada em um cenário de condenação. O próprio Judiciário reconheceu que o fato narrado era atípico, ou seja, o Estado promoveu a persecução de um inocente por uma não-infração”, diz trecho da ação.
A defesa também afirma que Lara deveria ter sido recolhido em sala de Estado Maior, e não em presídio comum. Após deixar a prisão, ele ainda permaneceu 146 dias com tornozeleira eletrônica, enfrentando restrições de locomoção e suspensão do exercício profissional, o que o impediu de advogar.
Outro ponto destacado é a exposição pública do advogado. Segundo o processo, seu nome foi amplamente divulgado em veículos de comunicação, associado a termos como “criminoso”, “membro de facção” e “pombo-correio do crime”, o que teria causado danos à sua reputação.
Na ação, os advogados pedem R$ 400 mil por danos morais e R$ 320 mil por prejuízos profissionais, totalizando R$ 720 mil em indenização. Para a defesa, o caso demonstra a necessidade de maior responsabilidade na condução de investigações e processos penais.
































