A divisão do horário eleitoral expõe forças reais, pressiona indefinições e pode mudar completamente se MDB e União Progressista escolherem lado.
O bloco governista: vantagem estrutural, risco político
O governador Jorginho Mello aparece na liderança do tempo de rádio e televisão com 30,4%, reunindo PL, Republicanos, Podemos, Novo e PRD.
Em termos técnicos, é vantagem concreta.
Tempo de TV não garante vitória, mas garante narrativa.
Com maior exposição, o governador terá mais espaço para defender gestão, neutralizar ataques e consolidar imagem institucional. Em eleição majoritária, isso pesa — especialmente entre eleitores menos ideológicos.
Mas há um detalhe estratégico: essa vantagem só se sustenta se o bloco permanecer unido. Caso MDB ou União Progressista optem por construção alternativa, a vantagem relativa diminui no impacto real da disputa.
Tempo ajuda.
Mas fragmentação anula.
O campo da esquerda: menos tempo, mas mais convergência
Gelson Merisio, com PSB, federação PT/PCdoB/PV, PDT e Solidariedade, soma 21,6%.
É menos tempo que o bloco governista, mas com estrutura ideológica consolidada. A esquerda, quando unificada, tende a operar com discurso mais coeso e menos dispersão interna.
O desafio será ampliar além do eleitorado tradicional.
Tempo de TV ajuda a furar bolhas — mas exige narrativa eficiente.
João Rodrigues: pouco tempo, forte território
João Rodrigues aparece com 8,2%. Numericamente é pouco. Estrategicamente, não necessariamente.
Rodrigues constrói base territorial no interior, onde capilaridade municipal pode compensar menor exposição televisiva. Ele depende mais de articulação regional do que de mídia.
Se União Progressista ou MDB se alinharem a ele, o jogo muda de escala.
MDB: o tempo que pode virar poder
O MDB também soma 8,2%, mas ainda não definiu candidatura majoritária.
Aqui está o ponto decisivo.
O MDB tem tradição estadual, estrutura capilar e perfil de centro. Se optar por candidatura própria — especialmente com nome competitivo como Raimundo Colombo — pode capturar eleitor moderado e reorganizar a disputa.
Se optar por coligação com o governo, fortalece Jorginho e amplia tempo consolidado.
Se migrar para bloco alternativo, cria terceiro polo competitivo.
O MDB é hoje a variável mais estratégica do tabuleiro.
União Progressista: o fiel da balança real
O União Brasil, que integra a Federação União Progressista com o PP, concentra 20,6% do tempo — um número expressivo.
Isolado, já é força relevante.
Coligado, decide eleição.
Se fechar com o governo, amplia vantagem do bloco governista.
Se compor com João Rodrigues, cria polo conservador alternativo robusto.
Se lançar candidatura própria, pulveriza votos e embaralha completamente o cenário.
A decisão da União Progressista pode definir se a eleição será polarizada, tripolar ou fragmentada.
Cenários possíveis
1️⃣ MDB + União Progressista com Jorginho
Ampliação significativa da vantagem estrutural do governo. Eleição tende a ser polarizada com esquerda.
2️⃣ MDB com Colombo + União Progressista fora do governo
Criação de bloco de centro competitivo. Eleição vira tripolar, com risco real de segundo turno imprevisível.
3️⃣ União Progressista com João Rodrigues
Conservadorismo se divide em dois polos fortes. Governo perde hegemonia automática.
4️⃣ Fragmentação geral
Tempo de TV perde peso relativo. Território e rejeição passam a ser variáveis centrais.
Em resumo
Tempo de rádio e televisão é ativo relevante. Mas não é soberano.
Santa Catarina historicamente decide eleição majoritária com três fatores:
– Unidade de bloco
– Capilaridade no interior
– Baixa rejeição no centro
Hoje, apenas um bloco tem vantagem clara de exposição.
Mas dois partidos — MDB e União Progressista — têm poder real de alterar a equação.
A eleição não está definida pelo tempo.
Está condicionada pelas escolhas que ainda não foram feitas.
E, neste momento, quem tem mais poder não é quem tem mais minutos.
É quem ainda pode decidir para onde eles irão.



























