Um levantamento exclusivo do g1 revelou que 336 homens são procurados por crimes de feminicídio e tentativa de feminicídio no Brasil, apesar de terem mandados de prisão expedidos pela Justiça. Os dados, extraídos do Banco Nacional de Medidas Penais e Mandados de Prisão (BNMP), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mostram que a maioria dos suspeitos já foi identificada, mas segue em liberdade.
Do total, 260 mandados são de prisão preventiva, quando a autoria do crime já está delineada, e 19 casos envolvem condenações com trânsito em julgado, sem possibilidade de recurso. São Paulo lidera a lista de estados com mais foragidos (108), seguido por Bahia (32), Maranhão (28) e Pará (27). O levantamento analisou crimes cometidos ao longo de mais de duas décadas, entre o fim dos anos 1990 e 2023.
O cenário se insere em um contexto de aumento da violência contra mulheres. Em 2025, o Brasil registrou 1.530 feminicídios, uma média de quatro por dia. Para especialistas ouvidos pelo g1, o principal gargalo não está na investigação, mas no cumprimento das ordens judiciais. “Isso demonstra resolutividade investigativa, mas também expõe um problema estrutural no cumprimento das prisões”, afirmou a delegada Eugênia Villa.
Nesta quarta-feira (4), representantes do governo, do Congresso e do Judiciário lançaram o “Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio”, que prevê ações de prevenção, proteção às vítimas, responsabilização de agressores e garantia de direitos. Desde 2024, o feminicídio é tipificado como crime específico no Brasil, com penas que podem chegar a 40 anos de prisão.





























