A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos foi analisada na manhã deste sábado (3) pelo professor Sidney Ferreira Leite, doutor em Relações Internacionais pela Universidade de São Paulo (USP), durante entrevista ao programa Fala Brasil, da TV Record. Segundo o especialista, a ação representa um dos episódios mais graves da política internacional recente, com repercussões diretas na América do Sul e efeitos no sistema internacional.
Durante a entrevista ao telejornal, o professor destacou que a operação conduzida pelos Estados Unidos ultrapassa o caráter de uma ação policial ou militar e inaugura um novo cenário geopolítico na região, historicamente marcada por relativa estabilidade e afastada dos grandes conflitos globais.

“É um fato extremamente relevante, com forte influência regional e também com repercussões globais. Trata-se de uma ação violenta, que envolve a captura de um presidente da República, ainda que considerado um ditador, em uma região tradicionalmente caracterizada pelo pacifismo e fora do centro dos conflitos internacionais.”
Na avaliação do especialista, a ação foi resultado de um planejamento estratégico de longo prazo e ocorreu em um contexto internacional favorável aos interesses norte-americanos. Rússia, China e Irã, aliados do regime venezuelano, enfrentam limitações políticas e estratégicas que reduzem a possibilidade de reações mais contundentes, restringindo-se, em grande parte, ao campo diplomático.
Ferreira ressaltou ainda que o regime chavista tende a se enfraquecer sem a liderança de Nicolás Maduro, o que pode abrir caminho para um processo de transição política na Venezuela. No entanto, ele alertou para os riscos de instabilidade e reforçou que uma guerra civil ou um cenário de caos não interessam a nenhum dos atores regionais.
“É pouco provável que o regime se sustente sem a liderança de Maduro. O que se espera é que essa ação não se limite ao uso da força, mas tenha desdobramentos políticos capazes de conduzir a uma transição estável, com a participação de atores regionais, especialmente o Brasil.”
O professor também afirmou, durante o Fala Brasil, que apesar de possíveis condenações em organismos multilaterais, como a Organização das Nações Unidas (ONU), não há sinais concretos de reversão da operação norte-americana.
“A condenação ficará no campo diplomático. O espaço onde os fatos estão sendo decididos é o da força militar, da pressão política e do exercício do poder duro norte-americano.”
Por fim, o especialista destacou que o Brasil tende a assumir um papel estratégico no cenário regional, podendo atuar como mediador em um eventual processo de transição democrática na Venezuela, reforçando sua importância histórica e política na América do Sul.
















