Victor Hugo Oliveira da Silva, de 21 anos, o piloto da motocicleta usada no assassinato da personal trainer Rozeli da Costa Sousa Nunes, foi preso na terça-feira (30) pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) enquanto tentava fugir para Cáceres, (a 218 km de Cuiabá). Ele prestou depoimento na manhã desta quarta-feira (1º) na Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde revelou ter recebido R$180 um dia antes e R$320 no dia seguinte ao crime, além de um celular, possivelmente como forma de silenciá-lo.
Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (1º), o delegado Bruno Abreu confirmou as suspeitas preliminares de que o crime foi premeditado e motivado por razões fúteis. Uma ação judicial movida pela vítima contra o policial militar Raylton Mourão e sua esposa, Aline Valandro Kounz, teria sido o gatilho do crime com “start” em um acidente de trânsito envolvendo um caminhão da empresa deles, o carro da vítima e uma motocicleta. A personal trainer pedia cerca de R$24 mil em danos morais e materiais, e uma audiência de conciliação estava marcada para o dia 16 de setembro — cinco dias após o assassinato.
Em detalhes reveladores do interrogatório, o delegado descreveu como Victor Hugo foi induzido ao crime.
“Um dia antes, Raylton foi pessoalmente falar com ele, pedindo um ‘serviço de capinagem’. O Vitor já trabalhava com ele e, inicialmente, acreditou que era algo comum. Mas, às 4h da manhã, ele percebeu que o serviço não era capinagem, que algo de ruim iria acontecer. Ele continuou com medo de morrer, parando a moto de forma estratégica para que o atirador tivesse melhor mira. Railton então disparou seis tiros contra a vítima, e em seguida deixou Victor a algumas quadras antes de fugir a pé, afirmou.
O delegado reforçou que Victor Hugo tinha liberdade de parar a moto e não participar do crime, mas seguiu com medo da própria vida. “Foi um crime totalmente premeditado e fútil, envolvendo cerca de R$15 mil. A vítima poderia ter esperado a audiência, que provavelmente resolveria a questão. É lamentável o que aconteceu”, disse Bruno Abreu, confirmando a motivação e a crueldade do assassinato.
O caso, que choca pela frieza e pela motivação considerada banal pelas autoridades, segue sob investigação da DHPP. Enquanto os acusados permanecem presos, a família de Rozeli – marido e duas filhas pequenas – tenta lidar com a dor irreparável da perda. Para a Polícia, o crime é a prova de como interesses mesquinhos e disputas judiciais podem culminar em uma tragédia devastadora.



































