A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) enfrenta um impasse após a aprovação de dois requerimentos com o mesmo objetivo: criar comissões especiais para tratar do feminicídio no estado. O presidente da Casa, deputado Max Russi (PSB), já adiantou que não manterá dois grupos de trabalho com a mesma pauta e solicitou parecer jurídico à Procuradoria-Geral da AL.
O entrave começou na última quarta-feira (3), quando, em sessões distintas, o deputado Gilberto Cattani (PL) teve aprovado o pedido de criação da Comissão Especial de Defesa dos Direitos da Mulher, enquanto a deputada Edna Sampaio (PT) garantiu a aprovação de outro colegiado, focado em estudos científicos sobre o feminicídio. Ambos os grupos têm objetivos similares, mas com abordagens diferentes. Parlamentares como Dilmar Dal Bosco (UB) e Lúdio Cabral (PT) sugeriram a unificação das propostas.
Cattani, que perdeu a filha vítima de feminicídio em 2024, defendeu a urgência da comissão, lembrando que Mato Grosso lidera o ranking nacional de feminicídios, com 36 mortes registradas apenas até agosto de 2025, um aumento de 37% em relação ao mesmo período do ano passado. “Esses números não são apenas estatísticas. Cada caso representa uma vida ceifada”, declarou.
Já Edna Sampaio, autora de uma tentativa frustrada de instaurar uma CPI sobre o tema, afirma que a comissão que propôs busca investigar a estrutura das políticas públicas e a responsabilidade do poder público no enfrentamento à violência de gênero. “Esta é uma vitória das mulheres”, afirmou. O parecer jurídico da Procuradoria deverá orientar os próximos passos da Mesa Diretora.




























