Nos último dia 13 de março, nos deparamos nos noticiários com o caso do assassinato brutal da adolescente grávida Emilly Azevedo Sena, de 16 anos, não somente a nossa capital Cuiabá-MT, chocou o país e trouxe à tona uma discussão delicada sobre saúde mental e criminalidade. Nataly Helen Martins Pereira, de 25 anos, confessou o crime e atualmente está presa preventivamente. Durante a investigação, a defesa da acusada solicitou à Justiça a realização de um exame de sanidade mental, alegando que Nataly poderia estar sofrendo de depressão pós-parto — condição que afeta a saúde mental de muitas mulheres após o nascimento de um filho. O objetivo da defesa é avaliar se a ré estava em plenas condições psicológicas quando cometeu o crime.
Diante desse fato cabe aqui a importância de falarmos sobre a depressão pós-parto que é um transtorno sério e real, no entanto, especialistas alertam que, embora seja uma condição que exige cuidado e tratamento, não está diretamente relacionada a comportamentos violentos ou homicidas, como o cometido pela ré confessa. O pedido da defesa para o exame foi negado pela Justiça até o momento. Enquanto isso, a família da vítima rebate a alegação e pede por justiça diante da crueldade do crime. O caso segue em investigação e reforça a importância de compreender os limites e a gravidade da depressão pós-parto, sem descontextualizar o transtorno para justificar crimes violentos.
A chegada de um filho é frequentemente cercada de expectativas de felicidade, amor e plenitude. Porém, nem sempre a maternidade acontece como o imaginado. Muitas mulheres enfrentam um desafio silencioso: a Depressão Pós-Parto (DPP).
Clinicamente reconhecida pela psiquiatria e psicologia, a DPP é um transtorno de humor que acomete mulheres no período pós-parto, com causas multifatoriais: desde alterações hormonais intensas até fatores psicológicos, sociais e históricos de saúde mental, pode surgir nas primeiras semanas ou até meses após o parto, impactando a mãe, o bebê e toda a dinâmica familiar.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 25% das mulheres podem desenvolver sintomas depressivos após o parto, número que pode ser ainda maior diante das dificuldades de diagnóstico.
Diferente do “baby blues”, condição comum que causa tristeza leve nos primeiros dias após o parto e se resolve espontaneamente, a depressão pós-parto é mais intensa e duradoura, podendo surgir até o primeiro ano de vida do bebê.
Preciso apresentar sobre um ponto muito importante quando falamos de depressão pós-parto. Muitas vezes, a mulher que está passando por isso não vai demonstrar os sinais clássicos que a gente costuma associar à depressão. Por isso, é fundamental que a família e a rede de apoio estejam atentos a algumas mudanças de comportamento.
Sabe aquela tristeza profunda ou o choro que vem do nada e sem um motivo aparente?
Isso pode ser um sinal. Assim como a irritabilidade, a impaciência, aquele sentimento constante de culpa ou de não se sentir boa o suficiente pra cuidar do bebê.
Outra coisa que pode acontecer é a dificuldade de criar vínculo com o filho, ou até o medo excessivo de fazer algo errado, com pensamentos muito negativos sobre a maternidade.
Também é comum perceber alterações no sono — tanto dormir demais quanto não conseguir dormir — e mudanças no apetite. E, nos casos mais graves, pode sim surgir aquela sensação de vazio, de desesperança, e até pensamentos suicidas.
“Tudo isso precisa ser olhado com muita atenção, porque esses sintomas não só comprometem o bem-estar da mãe, mas também impactam diretamente o desenvolvimento do bebê e o vínculo afetivo entre os dois.”
O suporte familiar é essencial, a mulher, muitas vezes, sente-se envergonhada ou com medo de ser julgada como “má mãe” por não estar feliz. Por isso, é fundamental que o parceiro, familiares e amigos observem mudanças no comportamento e incentivem o cuidado com a saúde mental.
Frases como: “É só uma fase, logo passa”, “Você tem tudo, não pode se sentir assim” ou até mesmo, “Tem mulheres que nem conseguem ter filhos” devem ser evitadas, pois aumentam o sentimento de culpa”.
O diagnóstico da DPP é clínico e precisa ser feito por um psicólogo ou psiquiatra. “A psicoterapia tem papel fundamental, ajudando a mulher a elaborar seus sentimentos e ressignificar a maternidade. Em alguns casos, o uso de medicação antidepressiva pode ser necessário e seguro, desde que prescrito por um psiquiatra” Santiago.
O tratamento oferece um caminho de ressignificação da experiência da maternidade, permitindo que a mulher se reconheça em sua nova fase, com mais saúde emocional e segurança, é possível prevenir complicações e garantir que a mãe e o bebê construam um vínculo afetivo saudável.
Falar sobre o tema, é uma forma de quebrar o tabu em torno da maternidade idealizada e reforçar a importância do cuidado com a saúde mental da mulher. “É um convite para olharmos além da romantização da maternidade e reconhecermos que a saúde mental também precisa de atenção nesse período. Se você conhece alguém que pode estar passando por isso, estenda a mão, oriente a buscar ajuda profissional.”
A depressão pós-parto tem tratamento e ninguém precisa enfrentar esse momento sozinha, tem tratamento e, com acolhimento e suporte, a mulher pode se sentir fortalecida para viver a maternidade de forma mais leve e saudável.
Por:
Laura Regina Ribeiro Santiago de Fraga
Psicóloga Clínica e Neuropsicóloga – CRP 18/04797
Agendamentos e Informações: (65) 99818-0345












