Eulete Ribeiro, ex-cabeleireira de 44 anos e moradora do bairro São João Del Rey, em Cuiabá, enfrenta diariamente a luta contra o câncer de mama, diagnosticado há quatro anos, em 2020. Desde então, ela segue seu tratamento no Hospital do Câncer de Mato Grosso. Casada desde os 15 anos com Milton Barbacena, com quem viveu 27 anos, Eulete viu sua vida mudar drasticamente após o diagnóstico.

A descoberta da doença aconteceu no início da pandemia de Covid-19, quando Eulete começou a sentir desconfortos no seio e notou um crescimento anormal em uma das mamas. Preocupada, foi incentivada por seu marido a procurar um médico. Após uma série de exames, a confirmação veio: aos 39 anos, Eulete foi diagnosticada com câncer de mama.
O diagnóstico abalou profundamente sua vida. Ela enfrentou um misto de choque e medo, mas sabia que precisava encontrar forças para encarar essa nova fase. Desde então, Eulete se dedica ao tratamento, sempre amparada pela equipe médica e pelos seus entes queridos. A perda recente do marido, que faleceu devido a problemas cardíacos, tornou a jornada ainda mais difícil, mas ela permanece firme em sua luta pela vida.
“Foi como ser atropelada por um caminhão. Eu me vi aos pedaços, mas ainda viva, precisando seguir em frente. Receber um diagnóstico de câncer é como ter uma sombra de morte sobre você. Você pensa: ‘Pronto, vou morrer’. Mas, aos poucos, descobre uma força que nem sabia que tinha: a vontade de viver”, relembra Eulete.
Desde o diagnóstico, ela passou por diversas sessões de quimioterapia, radioterapia e uma mastectomia. Apesar de todo o desgaste físico e emocional, Eulete sempre manteve a esperança e um pensamento positivo, fortalecida também pelo apoio incondicional de seu marido. Milton esteve ao seu lado em todas as fases do tratamento, até sua morte, há quatro meses. A perda de Milton trouxe um novo desafio: seguir em frente sem aquele que foi seu companheiro de vida.
“Perder o Milton foi como perder parte de mim. Estivemos juntos por 27 anos, e ele era meu marido, namorado, melhor amigo. Foi um amor como daqueles que a gente só vê em romances”, compartilha Eulete.
Sem filhos e com a família distante, ela enfrenta a batalha contra o câncer praticamente sozinha. No entanto, encontra forças nas lembranças do marido, em sua fé e na certeza de que ele estaria orgulhoso de sua determinação.
“O maior orgulho do Milton era a minha força. Ele lutou comigo e, até o fim, me apoiou. Hoje, mesmo com toda a dor da perda, eu sei que ele teria orgulho de mim por continuar forte. Eu choro todos os dias e peço a Deus forças para seguir, porque esse sofrimento precisa valer a pena”, diz Eulete emocionada.
Os 27 anos de casamento foram marcados por um relacionamento amoroso e respeitoso. Milton, segundo ela, era um homem que a tratava com carinho e gentileza, como um verdadeiro cavalheiro. Hoje, Eulete guarda com carinho esses momentos, especialmente ao som da música “A Maior Saudade”, de Henrique e Juliano, que se tornou uma espécie de trilha sonora de sua vida com o marido. Mesmo diante das adversidades, ela continua encontrando forças no amor que compartilhou com ele e na vontade de viver.






































