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Solo Vivo: Da Prática à Teoria – A Extensão Faz a Pesquisa e o Ensino Acontecerem!

Marcos de Oliveira Valin Jr é professor no IFMT, Doutor em Física Ambiental (UFMT), com atuação no ensino médio/superior e pós-graduação com foco em práticas sustentáveis com formação cidadã.

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Como garantir que o conhecimento produzido nos Institutos Federais e demais Instituições de Ensino Superior (IES), se traduza em práticas sustentáveis e em melhoria da qualidade de vida das pessoas? A resposta, cada vez mais evidente, está em repensar a forma como encaramos o tripé Ensino, Pesquisa e Extensão.

É inegável a importância da agricultura familiar para o Brasil. São esses homens e mulheres, que com suas mãos, plantam e colhem grande parte dos alimentos que chegam à mesa de todos os brasileiros. E é pensando em fortalecer essa agricultura que surge o Projeto Solo Vivo.

O Projeto Solo Vivo, do Ministerio da Agricultura (MAPA,) executado pelo Instituto Federal do Mato Grosso (IFMT), oferece um exemplo inspirador de como mudar essa realidade. Mais do que um projeto de análise e correção de solo em assentamentos rurais, o Solo Vivo é um laboratório vivo de uma nova forma de fazer Educação Profissional e Tecnológica (EPT), questionando a ordem tradicional do tripé Ensino, Pesquisa e Extensão.

Invertemos o tripé: no Solo Vivo, a Extensão vem primeiro. É o contato direto com os agricultores familiares, a imersão em suas lavouras, a compreensão de seus desafios e a identificação de suas necessidades que dão o tom do projeto. Os alunos e professores do IFMT, desde o início de sua formação, vivenciam a realidade do campo. Aqui, a Extensão não é o fim, mas o começo da jornada.

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A partir das demandas identificadas na Extensão, a Pesquisa entra em ação. Não uma pesquisa abstrata, mas uma pesquisa aplicada, com o objetivo de encontrar soluções concretas para problemas reais. No Solo Vivo, isso se traduz em análises laboratoriais rigorosas, no desenvolvimento do inovador software SolIF, na busca pelas melhores práticas de manejo do solo. A pesquisa é, portanto, direcionada pela Extensão, e não o contrário.

Mas o impacto do Solo Vivo não se restringe ao campo. Todo esse conhecimento retorna para a sala de aula, enriquecendo o Ensino. Os alunos do IFMT aprendem fazendo, aplicando o conhecimento adquirido e desenvolvendo habilidades essenciais. O conhecimento gerado pela Extensão e pela Pesquisa atualiza os currículos e forma profissionais mais preparados. Mais que isso: gera conhecimento, com artigos, dissertações e teses.

E os resultados dessa abordagem inovadora já são visíveis. A parceria com o MAPA, que fornece insumos e maquinários com base nos laudos técnicos do IFMT, é a prova de que os Institutos Federais podem e devem ser um parceiro estratégico do Estado na implementação de políticas públicas eficazes.

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O Solo Vivo é mais que um projeto. É uma mudança de paradigma. É a demonstração de que os Institutos Federais e demais Instituições de Ensino podem ser um motor de transformação social quando colocam a Extensão no centro de sua atuação.

Que essa experiência inspire outras instituições a repensarem suas práticas e a colocarem a Extensão no lugar que ela merece: como base e ponto de partida do processo de ensino-aprendizagem e da produção do conhecimento, construindo um futuro mais justo e sustentável para todos.

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