Greve na Celesc, pontes em risco e demolições em Florianópolis
Santa Catarina iniciou a semana com três assuntos que mexem diretamente com a vida de seus cidadãos: a paralisação dos trabalhadores da Celesc, os riscos em pontes e viadutos espalhados pelo estado e as demolições realizadas em áreas de preservação em Florianópolis. Três temas distintos, mas que se encontram em um ponto comum: a dificuldade histórica de planejar antes de agir.
Greve na Celesc: entre direitos e a sombra da privatização
A greve dos trabalhadores da Celesc se arrasta e já provoca efeitos concretos no atendimento ao consumidor. O sindicato defende a valorização profissional e a revisão do plano de carreira, enquanto a direção da estatal alega limitações financeiras para atender todas as reivindicações.
Mais do que uma disputa salarial, o movimento reacende uma preocupação latente: o risco de que o desgaste institucional seja usado como argumento em favor da privatização. Sempre que há crise, esse discurso volta à mesa. A Celesc é peça estratégica para o desenvolvimento do estado. A população, por sua vez, não pode ficar refém de impasses que parecem se repetir em ciclos.
Falta transparência nas negociações e clareza sobre os rumos da empresa. Em última análise, não se trata apenas de uma questão corporativa, mas de interesse público.
Pontes e viadutos: o custo da falta de prevenção
Na Assembleia Legislativa, os debates sobre a manutenção de pontes e viadutos ganharam espaço mais uma vez. O tema, no entanto, costuma aparecer apenas após acidentes ou tragédias em outros estados — e isso por si só já é um alerta.
A realidade é dura: muitas estruturas em Santa Catarina foram construídas há décadas, sem manutenção contínua e sem orçamento específico para inspeções regulares.
Quando surge a necessidade de reforma, o custo já é maior e o risco, inevitavelmente, mais elevado. A política catarinense ainda prefere o imediatismo das inaugurações em detrimento de políticas de longo prazo. Prevenir não dá visibilidade imediata, mas pode salvar vidas. No caso da infraestrutura, a ausência de planejamento pode custar caro em termos financeiros e, sobretudo, humanos.
Demolições em áreas de preservação: um dilema urbano sem solução
A Operação Solo Legal, em Florianópolis, demoliu 32 construções em áreas de preservação permanente. A ação é importante para frear o avanço da ocupação irregular, mas traz à tona um dilema que parece não ter fim: como equilibrar a proteção ambiental com a necessidade de moradia?
Grande parte das famílias que constroem em áreas proibidas não o faz por escolha, mas por falta de alternativas. Políticas habitacionais insuficientes empurram cidadãos para zonas de risco ou áreas frágeis do ponto de vista ambiental. O resultado é sempre o mesmo: demolições, conflitos e insegurança social.
Sem um planejamento urbano que ofereça moradia acessível, o ciclo tende a se repetir. A demolição de hoje se transforma na ocupação de amanhã, mantendo a cidade em um impasse permanente.
O fio condutor: o improviso como regra
Sobretudo
Apesar das diferenças, os três casos apontam para um mesmo problema: a cultura de improviso. Ainda atuamos mais no remendo do que na prevenção. Na gestão de estatais, na manutenção da infraestrutura e na organização do crescimento urbano, o padrão é o mesmo: agir apenas quando o problema já está instalado.
Prevenir exige investimento, diálogo e visão de futuro. Talvez sejam exatamente esses os elementos mais escassos na política catarinense.


















