Situada a apenas 28 km de Cuiabá, pela MT-040, Santo Antônio do Leverger é vizinha próxima da capital mato-grossense. Para muitos, como dizia o ditado popular, “daqui pra lá é só um pulo”. Conhecida carinhosamente como Leverger, a cidade se desenvolve aos pés do Morro de Santo Antônio, um monumento natural tombado, visível de vários pontos da Baixada Cuiabana, com cerca de 500 metros de altura.
Muitos moradores encaram o município como uma “cidade-dormitório”, já que diariamente centenas de trabalhadores e estudantes se deslocam para Cuiabá, retornando apenas ao entardecer. Essa relação de dependência com a capital não diminui, no entanto, a importância cultural, histórica e ambiental que Leverger possui para Mato Grosso.
Segundo o IBGE, em 2020 Santo Antônio do Leverger tinha 16.999 habitantes. Fundada ainda no período colonial, a cidade preserva em seu território histórias que ajudam a compreender a formação do estado. Em Mimoso, nasceu o marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, em 5 de maio de 1865, personalidade de destaque na história nacional pelo trabalho de integração do interior do Brasil e defesa dos povos indígenas.
Além da herança histórica, Leverger guarda um potencial turístico notável. Entre os atrativos estão a localidade de Varginha, o Memorial Marechal Rondon, a Praia da Vereda, a Cachoeira do Relógio, a região das Orquídeas, a tradicional Fazenda Jacobina, o romântico Poço do Amor, o Pesqueiro Chaparral e o Mini Estádio Bugrinho. O município também é conhecido por realizar um dos carnavais mais animados de Mato Grosso, que atrai visitantes de diferentes partes do estado.
Quem nasce em Santo Antônio do Leverger é chamado de levergense ou santoantoniense. Para os aventureiros que desejam conhecer o Morro de Santo Antônio, o acesso é simples: partindo de Cuiabá pela MT-040, basta entrar na comunidade Morrinho, no km 8, e seguir as placas turísticas. O passeio exige cuidados: usar protetor solar, tênis, boné ou chapéu, levar água, kit de primeiros socorros, sacos de lixo e, sobretudo, respeitar a natureza — deixando apenas pegadas e levando boas lembranças.
A economia local é diversificada, mas se destaca pela pecuária e pela pesca. São cerca de 908 pescadores registrados, além de mais de 5 mil pessoas que dependem diretamente dessa atividade para sobreviver. Nesse cenário, o projeto Cota Zero, que proíbe por longos períodos a pesca, o transporte e o armazenamento de peixes em Mato Grosso, tem gerado grande preocupação. A prefeita Francieli Magalhães de Arruda já alertou que famílias inteiras podem sofrer com a medida, especialmente pescadores idosos que dedicaram a vida inteira ao rio e dificilmente teriam condições de mudar de profissão repentinamente.
Mais do que restringir a atividade pesqueira, moradores e lideranças locais defendem que o poder público enfrente questões urgentes: o uso indiscriminado de dragas, o assoreamento dos rios, a construção de barragens e hidrelétricas, o despejo de esgoto a céu aberto e o avanço do desmatamento. Todos esses fatores comprometem não apenas a pesca, mas também o equilíbrio ambiental e a qualidade de vida da população.
Santo Antônio do Leverger, portanto, é um município que combina tradição, história, cultura e natureza. Seus desafios atuais revelam a necessidade de políticas públicas que conciliem preservação ambiental, desenvolvimento econômico e valorização das comunidades locais. Afinal, Leverger não é apenas a “cidade-dormitório” de Cuiabá, mas sim um espaço de identidade, memória e resistência de Mato Grosso.















