MDB se reposiciona, União Progressista amplia poder de barganha e o governo entra na fase em que articulação vale mais que anúncio.
MDB deixa a zona cinzenta e assume protagonismo
O MDB encerrou a ambiguidade. Após oficializar afastamento do governo, o partido passa a discutir não apenas alianças, mas projeto próprio.
O nome do ex-governador Raimundo Colombo ganha densidade interna. Não como gesto nostálgico, mas como alternativa estratégica de centro. Colombo carrega três ativos eleitorais relevantes: experiência administrativa, perfil moderado e trânsito empresarial.
O MDB entendeu que permanecer na base sem espaço majoritário significaria diluição política. Ao sair agora, preserva autonomia e abre possibilidade de capturar eleitorado moderado que pode se sentir desconfortável com a consolidação de uma chapa puramente ideológica.
A decisão não garante candidatura própria.
Mas garante poder de negociação.
E hoje, no tabuleiro catarinense, poder de negociação é moeda mais valiosa que tempo de TV.
União Progressista virou fiel da balança
A Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, opera hoje como o maior fator de instabilidade controlada do cenário.
A exclusão de Esperidião Amin da composição governista não foi absorvida integralmente. Amin representa tradição eleitoral e capital político consolidado no interior.
Internamente, três caminhos são avaliados:
1.Aderir ao governo e garantir espaço proporcional futuro
2.Lançar candidatura própria
3.Dialogar com MDB ou PSD para compor alternativa competitiva
A federação detém tempo de TV relevante e capilaridade municipal. Quem atrair a União Progressista amplia escala imediatamente.
A pergunta que paira é objetiva:
A federação busca protagonismo ou sobrevivência estratégica?
O governo ainda lidera — mas já não controla a narrativa
O entorno de Jorginho Mello trabalha para consolidar a chapa com Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro como projeto irreversível.
A estratégia é clara: transmitir segurança e evitar imagem de isolamento.
O problema é que a consolidação de uma chapa pura fortalece identidade, mas reduz amplitude. Ao optar por coesão ideológica, o governo assumiu o risco de tensionar antigos aliados.
Além disso, a retomada de investigação envolvendo Carlos Bolsonaro, mesmo fora de Santa Catarina, adiciona variável reputacional. Em eleição majoritária, desgaste contínuo pode pesar mais do que absolvição futura.
O governo ainda possui estrutura, máquina administrativa e vantagem institucional.
Mas a fase agora é de contenção política, não apenas de anúncio.
João Rodrigues observa e acumula território
João Rodrigues mantém estratégia silenciosa e territorial. Enquanto o debate se concentra na capital e nos bastidores partidários, Rodrigues amplia articulação no Oeste e Meio-Oeste.
Ele entende uma lógica histórica catarinense: eleição majoritária se decide no interior.
Se houver fragmentação no campo conservador, Rodrigues pode emergir como ponto de convergência para lideranças desconfortáveis.
Ele não precisa acelerar.
Precisa estar pronto.
O Senado reorganiza o governo
A disputa pelas duas vagas ao Senado tornou-se o eixo que reorganiza todas as decisões partidárias.
A exclusão de Amin, a consolidação de Carol de Toni e o nome de Carlos Bolsonaro transformaram o Senado no verdadeiro campo de tensão.
O governo queria definir rápido.
Acabou acelerando o rearranjo dos outros.
Quando a disputa pelo Senado começa a definir alianças para o governo, significa que a eleição deixou de ser linear.
Para reflexão
Santa Catarina entrou oficialmente em fase de instabilidade pré-eleitoral.
O governo ainda lidera estruturalmente.
Mas perdeu previsibilidade.
O MDB recuperou relevância.
A União Progressista ganhou poder de veto.
Amin virou variável decisiva.
O Senado tornou-se epicentro da disputa.
Em cenários assim, vence quem souber ampliar convergência sem ampliar rejeição.
E neste momento, o tabuleiro não favorece quem tem mais certeza —
favorece quem tem mais capacidade de adaptação.
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