A atriz Roberta Rodrigues voltou a falar sobre o episódio de racismo e assédio moral que enfrentou nos bastidores da novela Nos Tempos do Imperador, da Globo. Em entrevista ao programa Sem Censura, nesta terça-feira (17/3), ela descreveu a experiência como agressiva e profundamente abusiva, destacando o impacto emocional e profissional que a situação provocou.
O caso ganhou ainda mais repercussão após a Justiça condenar a emissora, no ano passado, ao pagamento de R$ 500 mil à atriz. A decisão reconheceu práticas de racismo e assédio moral no ambiente de trabalho, envolvendo também acusações contra o diretor artístico Vinicius Coimbra, apontado como responsável por condutas discriminatórias contra atores negros. A Globo e o diretor negam as acusações, mas a vitória judicial marcou um momento histórico para Roberta.
Durante a entrevista, a atriz enfatizou que sempre estabeleceu limites claros em sua carreira e que não aceitaria desrespeito de nenhuma forma. Segundo ela, a denúncia não foi um impulso isolado, mas resultado de uma postura construída ao longo da vida, baseada na defesa da própria dignidade e integridade profissional.
Roberta contou que tentou resolver o caso internamente, buscando diálogo e acolhimento dentro da empresa, mas não encontrou espaço para ser ouvida. Sem alternativas, decidiu acionar a Justiça, entendendo que a medida não era apenas uma reparação pessoal, mas também um gesto de significado coletivo.
A artista destacou que o reconhecimento judicial reforça a necessidade de respeito às mulheres negras nos ambientes de trabalho, especialmente em setores historicamente marcados por desigualdades estruturais. Ela afirmou que os valores recebidos da família, em especial os ensinamentos do pai, deram força para não relativizar a violência sofrida e buscar responsabilização.
Roberta também abordou o impacto psicológico do episódio, ressaltando que enfrentar discriminação em um ambiente artístico foi doloroso. Para ela, a arte sempre representou liberdade e transformação, e o choque entre o ideal artístico e a realidade nos bastidores tornou a experiência ainda mais difícil de digerir.
Ao revisitar o caso, a atriz reforça que a discussão vai muito além de um conflito individual, apontando para questões estruturais do mercado audiovisual brasileiro. Seu relato reacende o debate sobre racismo institucional, abuso de poder e a urgência de criar ambientes de trabalho mais justos e inclusivos, mostrando a importância de denunciar e não silenciar histórias como a dela.
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