O líder da bancada petista apresentou, ainda, pedido de moção de repúdio contra o anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em aplicar tarifas adicionais de 50% contra os produtos brasileiros.
Por Humberto Azevedo
Os líderes do PT e do PSOL na Câmara, deputados Lindbergh Farias e Talíria Petrone, ambos do Rio de Janeiro (RJ), anunciaram nesta quinta-feira, 10 de julho, em coletiva de imprensa, apresentar ao Conselho de Ética da Casa um pedido de cassação contra o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por supostamente ter praticado crime de lesa-pátria e ter cooperado com um governo estrangeiro, o de Donald Trump dos Estados Unidos da América (EUA), para agir contra os interesses nacionais e também contra a soberania nacional do Brasil e dos brasileiros
Para Talíria Petrone, a conduta de Eduardo Bolsonaro, que vem residindo nos EUA desde o mês de abril, quando se licenciou do mandato para buscar articulações junto ao governo norte-americano de impor sanções contra o país e também contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, a quem o acusa de ser um “ditador” e de “perseguir” o seu pai, o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL), configura “falta grave de decoro, ao instrumentalizar sua posição para defender interesses estrangeiros hostis à soberania nacional”.
“Nós achamos que é inadmissível o Eduardo Bolsonaro continuar como deputado federal. Ele já está licenciado, mas a licença dele já acabou há nove dias. Quando eu entrei no Conselho de Ética, a gente dizia que ele estava usando o seu mandato para atacar as instituições democráticas. A gente fez o adendo porque, agora, ele confessa em uma nota conjunta à imprensa – dele com o [blogueiro e neto do ditador-presidente João Figueiredo] Paulo Figueiredo, que nos últimos meses ele manteve intensos diálogos com as autoridades do governo Trump para a obtenção de sanções contra o Brasil”, detalhou o líder petista Lindbergh Farias.
“É um absurdo a Câmara dos Deputados não cassar um deputado que está usando a prerrogativa parlamentar para conspirar contra o Brasil e os interesses nacionais. Vivemos uma situação gravíssima na história da República. Eduardo Bolsonaro conspirou e conspira contra o Brasil. Chama a atenção que ele, advogado e deputado federal eleito, tenha desrespeitado o artigo primeiro da nossa Constituição, sobre a soberania do país, e passado por cima do regimento interno da Câmara Federal, instituição ao qual ele está vinculado. Eduardo Bolsonaro não pode permanecer no cargo. Ele atacou o Brasil, atacou a economia, a política nacional, as instituições públicas e o povo brasileiro. Ele demonstrou não ser uma pessoa confiável para ocupar um cargo tão importante e representativo para a nação”, declarou a líder do PSOL.
SÉRIE DE AÇÕES
Uma outra série de ações foram anunciadas por Lindbergh como reação às tarifas impostas por Trump às exportações brasileiras ao instituir para começar a valer a partir do mês de agosto, uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados com destino ao EUA. No total, as exportações brasileiras para aquele país representam 2% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e os estados que mais sofrerão com estas tarifas, se efetivadas, são Ceará, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Santa Catarina.
A ideia de Lindbergh é convencer a maioria do parlamento a aprovar uma “moção de repúdio” contra a ação de Trump, já protocolada na Casa, para evitar que a posição oficial da Câmara continue sendo a moção de aplausos ao presidente dos EUA tomada pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN), que é presidida pelo deputado bolsonarista Filipe Barros (PL-PR).
“O plenário da Câmara também precisa se posicionar, votando a moção de repúdio contra Donald Trump, já na próxima semana, a última antes do recesso parlamentar de julho”, comentou o líder petista destacando que os parlamentares precisam debater as consequências da ação de Trump para o Brasil. Para que isso ocorra, Lindbergh informou que está recolhendo assinaturas de líderes partidários para a realização de uma comissão geral, que é quando o plenário da Casa se transforma em uma grande plenária para debater um tema específico, com a participação de setores empresariais, partidos políticos e sociedade civil.



























