CENTRO-OESTE

Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.
Reação da oposição interna à Trump

Parlamentares dos EUA que receberam senadores brasileiros tentam barrar tarifaço de Trump

Especialistas apontam que se tarifas de Trump não forem revertidas no setor de energia, os EUA corre o risco de em 2027 não ter energia elétrica nas casas dos cidadãos norte-americanos. (Foto: Divulgação / Secom-CREDN-SF)

publicidade

Democratas preparam medida para revogar tarifa de 50%, enquanto ações judiciais tentam impedir aumento antes da entrada em vigor. Empresários alertam para risco à infraestrutura energética americana.

 

Por Humberto Azevedo

 

Após a comitiva de senadores brasileiros visitarem os Estados Unidos da América nos últimos três dias, um movimento encabeçado por parlamentares do partido Democratas ganhou força e promete reagir no Poder Legislativo federal daquele país contra a tarifa, agora de 40% anunciada pela Casa Branca sobre os produtos brasileiros exportados

 

Na noite desta quinta-feira, 31 de julho, os democratas que receberam os senadores brasileiros informaram que vão apresentar uma proposta com trâmite prioritário para forçar a votação no Senado dos EUA de uma medida para barrar às tarifas adicionais contra as exportações brasileiras.

 

Ao mesmo tempo, tribunais federais norte-americanos analisam se houve abuso de poder na invocação na legislação que versa sobre dispositivos econômicos de emergência internacional (IEEPA, na sigla em inglês). Especialistas jurídicos argumentam que a justificativa da Casa Branca — a alegada ameaça à segurança nacional representada pela atuação do STF brasileiro — é frágil e sem precedente.

 

Em nota conjunta, os senadores Jeanne Shaheen, Tim Kaine, Chuck Schumer e Ron Wyden criticaram que as tarifas estão sendo impostas para tentar impedir a Suprema Corte do Brasil de processar o ex-presidente Bolsonaro. O Senado já votou anteriormente propostas privilegiadas para contestar o uso da IEEPA por Trump na imposição de tarifas, com resultados variados.

 

Em 2 de abril, o Senado dos EUA aprovou por 51 votos a 48 a revogação de tarifas impostas ao Canadá. A Câmara dos Representantes, no entanto, usou manobras regimentais para evitar votar a proposta. No fim de abril, uma nova tentativa de revogar tarifas “recíprocas” anunciadas por Trump fracassou em votação empatada por 49 a49, já que dois senadores favoráveis à proposta anterior estavam ausentes.

Leia Também:  Urologista ministra palestra sobre Câncer de Próstata na Câmara de vereadores de Cuiabá

 

Shaheen e Kaine também foram signatários de uma carta enviada na semana passada por 11 senadores democratas a Trump, na qual acusam o presidente de estar cometendo um “abuso de poder” com a ameaça tarifária. Eles falaram a respeito para os oito senadores brasileiros que estiveram em Washington. 

 

A indignação diante da medida foi compartilhada por outros parlamentares com quem a comitiva brasileira se reuniu: Martin Heinrich (Novo México), Chris Coons (Delaware), Mark Kelly (Arizona), Michael Bennett (Colorado), Ed Markey (Massachusetts) e Thom Tillis (Carolina do Norte).

 

Na Câmara estadunidense, já em recesso, o deputado Gregory Meeks, membro graduado do comitê de Relações Exteriores também prometeu apresentar uma resolução para tentar barrar o tarifaço. Já a deputada Sydney Kamlager-Dove, co-presidente do Caucus Brasil, defendeu — em reunião virtual com os senadores brasileiros — a extensão do prazo para implementação da tarifa, destacando os impactos negativos para empresas e trabalhadores norte-americanos.

 

MAIS REAÇÕES

 

O senador Martin Heinrich alertou para os efeitos domésticos da tarifa. Citou o aumento no preço do café, a pressão sobre o setor madeireiro e os reflexos na habitação, já que insumos importados do Brasil integram a cadeia da construção civil. Thom Tillis, por sua vez, afirmou esperar que a Justiça americana adie a entrada em vigor da medida.

 

Ele também lamentou a ausência de outros colegas republicanos nas reuniões com os senadores brasileiros. “A economia não deveria ser usada da maneira como Trump está conduzindo. Isso é um erro político”, disse.

 

Líder da comitiva do Senado Federal brasileiro, o presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN),  senador Nelsinho Trad (PSD-MS), afirmou que “o caminho tem que continuar no diálogo, na razão, para que a gente possa avançar em outros pontos”.

 

Já de volta ao Brasil, Trad informou que “na segunda-feira, nós vamos fazer uma reunião e uma articulação com quem tem a prerrogativa de negociar no Executivo para apresentar tudo o que ouvimos e sugestões recebidas para distensionar a crise com os Estados Unidos. É apenas o início de um trabalho suprapartidário pelo Brasil”.

Leia Também:  Oito estados anunciam Lei Seca no dia das eleições

 

SEM TARIFAS E SEM LUZ

 

Embora produtos como alimentos in natura, frutas, diversos produtos agrícolas em geral, celulose, combustíveis, fertilizantes, suco de laranja, dentre outros, tenham sido poupados das tarifas representando cerca de 43% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, a luta agora é também para ampliar os setores que  acabaram sendo taxados por 40% de taxas adicionais como as carnes e o café. 

 

Na véspera da assinatura do decreto que sustenta a medida, os senadores brasileiros ouviram um alerta de empresários durante reunião no escritório da “Americas Society”: se os transformadores exportados pelo Brasil não forem entregues até 2027, “apaga a luz” dos EUA.

 

Em 2024, os Estados Unidos gastaram R$ 175 bilhões (US$ 29 bilhões) com transformadores — dos quais quase R$ 3 bilhões (US$ 541 milhões) são procedentes do Brasil. No primeiro semestre de 2025, 82% das exportações brasileiras desses equipamentos tiveram como destino o mercado norte-americano.

 

Pesando até 500 toneladas, os transformadores são essenciais para a transmissão de energia — e vitais na corrida dos EUA por infraestrutura para carros elétricos e grandes modelos de inteligência artificial. Agora, os contratos firmados com fornecedores brasileiros estão sob risco. Empresários americanos pressionam o governo a rever a decisão.

 

Na reunião com os senadores brasileiros, representantes de gigantes como ExxonMobil, Amazon, PepsiCo, Lockheed Martin e Mars demonstraram preocupação  quanto aos impactos do tarifaço sobre diversas cadeias produtivas. No setor alimentício, uma das principais é com a carne. O preço da moída já subiu 15% desde o anúncio da tarifa.

 

“Precisamos da carne magra do Brasil para moer com a gorda dos EUA”, completou um dos presentes.

 

Com informações de assessoria.

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade