Para o deputado Arnaldo Jardim, um dos maiores especialistas sobre o tema no Congresso Nacional, o reconhecimento do combustível sustentável de origem do etanol brasileiro é uma conquista dos setores agropecuário e de logística.
Por Humberto Azevedo
A Organização de Aviação Civil Internacional (Oaci) anunciou na última segunda-feira, 7 de julho, uma recomendação técnica que reconhece a sustentabilidade do etanol de milho brasileiro como matéria-prima para a produção de combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês).
A aprovação ocorreu durante a 13ª reunião do comitê de proteção ambiental de aviação (Caep), realizada no Brasil com apoio da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e com a participação de especialistas de instituições como a Empresa brasileira de pesquisa agropecuária (Embrapa), Universidade de Campinas (Unicamp) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
No documento, a entidade endossa a prática agrícola de múltiplas culturas — como a safrinha de milho — por permitir o aumento da produtividade sem necessidade de expansão da área plantada ou conversão de uso da terra. Além da metodologia de múltiplas culturas, a Oaci também aprovou os valores de intensidade de carbono da rota de produção para SAF a partir do milho de segunda safra cultivado no Brasil, o milho-safrinha.
Com isso, o país se posiciona como um dos principais candidatos a liderar a produção global de SAF, graças à combinação de tecnologia, disponibilidade de biomassa e experiência acumulada na indústria de biocombustíveis. Um dos destaques é a tecnologia Ethanol-to-Jet, que permite a conversão do etanol em SAF, compatível com a frota e infraestrutura de abastecimento já existentes, sem a necessidade de adaptações.
Para o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), vice-presidente das frentes parlamentares de apoio à agropecuária (FPA) e também da de logística (Frenlogi), a decisão atende à demanda do Brasil por critérios mais inclusivos para o desenvolvimento do mercado global de SAF, essencial para a descarbonização do setor aéreo”. Segundo ele, a decisão fortalece o papel do Brasil na transição energética do setor, ao garantir que biocombustíveis produzidos com matérias-primas certificadas possam atender à demanda crescente da aviação de forma eficiente, segura e ambientalmente responsável.
“A Oaci aprovou uma recomendação técnica que reconhece a sustentabilidade do etanol de milho brasileiro como matéria-prima para a produção de Combustível Sustentável de Aviação. De fato, o reconhecimento da Oaci, agência especializada da ONU (Nações Unidas) para a aviação civil, representa um marco para a inclusão de países com clima favorável e práticas agrícolas sustentáveis na cadeia de suprimento global de SAF”, comentou o parlamentar paulista.

































