A prisão da influenciadora Deolane Bezerra, durante a Operação Vérnix deflagrada nesta quinta-feira (21), teve origem em bilhetes e manuscritos atribuídos ao Primeiro Comando da Capital (PCC) apreendidos há sete anos na Penitenciária de Presidente Venceslau. A investigação do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil apura um esquema de lavagem de dinheiro ligado a uma transportadora de fachada usada pela facção criminosa.
Segundo os investigadores, os manuscritos foram encontrados escondidos em caixas de esgoto de celas durante revista realizada em 2019. O material continha ordens internas da facção, referências a ataques contra servidores públicos e informações sobre o tráfico de drogas comandado por Gilmar Pinheiro Feitoza, apontado como liderança do PCC dentro da unidade prisional. A partir das anotações, foram abertos inquéritos que identificaram operadores financeiros e empresas supostamente usadas para ocultar recursos da organização.
As investigações apontam que a transportadora Lado a Lado Transportes, também chamada Lopes Lemos Transportes, funcionava como empresa fantasma para movimentação de dinheiro do PCC. Conforme a polícia, duas contas ligadas a Deolane teriam recebido valores oriundos do esquema. Os investigadores afirmam ainda que não foram encontrados registros de prestação de serviços compatíveis com os montantes recebidos.
Além de Deolane, a operação também teve como alvo Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder do PCC e atualmente preso na Penitenciária Federal de Brasília. Segundo a investigação, o celular apreendido de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador financeiro da facção, revelou depósitos destinados à influenciadora e a Everton de Souza, conhecido como “Player”, descrito como responsável pela movimentação financeira do grupo criminoso.
De acordo com a polícia, entre 2018 e 2021, Deolane recebeu mais de R$ 1 milhão em depósitos fracionados inferiores a R$ 10 mil, prática conhecida como “smurfing”, usada para dificultar o rastreamento financeiro. A Justiça de São Paulo também determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em bens e valores atribuídos à influenciadora. Ao todo, a operação bloqueou R$ 357,5 milhões e 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões.
Procurado, o advogado de Deolane, Luiz Imparato, afirmou que ainda estava se inteirando do caso. A defesa de Marcola, representada pelo advogado Bruno Ferullo, também informou que irá analisar os detalhes da investigação.





























