CENTRO-OESTE

Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.
Parceria em saúde

Na China, governo brasileiro participa de assinatura de acordos com empresas chinesas na área de Saúde

Presidente Lula e ministros Alexandre Padilha (Saúde) e Rui Costa (Casa Civil), durante assinatura de atos em Pequim (China). (Foto: Ricardo Stuckert / Secom-PR)

publicidade

Três eixos de acordos foram assinados por representantes do governo brasileiro e empresas chinesas. Outras parcerias estratégicas para produção de insumos farmacêutico também foram aceleradas.

 

Por Humberto Azevedo

 

Nesta segunda-feira, 12 de maio, dando prosseguimento à sua agenda oficial em Pequim, o presidente Lula encontrou-se com representantes de empresas do setor de saúde. Da atividade resultaram acordos bilaterais voltados à criação de um centro de excelência em pesquisa e desenvolvimento de vacinas no Brasil, além da proposta de uma parceria estratégica para construir no Brasil uma plataforma industrial robusta de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) e memorandos de entendimento na área de equipamentos de imagem (VMI).

 

O primeiro acordo aborda um memorando de entendimento na área de vacinas com as empresas Eurofarma e Sinovac Biotech. As duas empresas propõem criar o iBRID — Instituto Brasil-China para Inovação em Biotecnologia e Doenças Infecciosas e Degenerativas: um centro de excelência em pesquisa e desenvolvimento no Brasil. O instituto visa acelerar soluções terapêuticas complexas para doenças infecciosas, câncer, condições imunológicas e degenerativas, focando em vacinas de última geração, anticorpos monoclonais, imunoterapias e terapias celulares e genéticas avançadas.

 

A iniciativa combina a expertise industrial da Eurofarma na América Latina com a liderança tecnológica global da Sinovac, buscando parcerias estratégicas para promover inovação aberta e alinhamento com políticas nacionais de ciência, tecnologia e saúde, além de representar um reforço ao Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), em alinhamento com as políticas do Governo Federal (Plano Brasil Saudável, Nova Indústria Brasil e a Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia & Inovação).

 

“Esses acordos significam mais vacinas, mais medicamentos, mais equipamentos de exames de imagem para o povo brasileiro, mais renda e tecnologia”, argumentou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que compõe a comitiva brasileira que está em território chinês. “Além disso, estamos acelerando outras iniciativas que já haviam sido construídas no Brasil, que já tínhamos dado passos decisivos e estamos aproveitando essa visita para acelerar sua implantação”, detalhou o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

 

“É uma parceria para desenvolvimento de vacinas entre a empresa nacional brasileira e a empresa chinesa extremamente ampla, nesse sentido ela é inovadora, porque constitui uma verdadeira plataforma binacional de produção de vacinas, então não é uma vacina específica, dando uma possibilidade muito ampla de desenvolvimento, não só tecnológico mas de escala de produção para essa empresa nacional brasileira, podendo contribuir muito para o Ministério da Saúde. Inclusive é uma plataforma de exportação a partir do Brasil para a região das Américas, continente africano, que são mercados muito importantes para os produtos brasileiros”, explicou o ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha.

 

INSUMOS FARMACÊUTICOS

 

O ministro da Saúde do governo brasileiro em visita às dependências da  Nortec Química S.A., maior produtora de insumos farmacêuticos ativos da América Latina. (Foto: Reprodução / Agência Gan e Lee)

Além disso, foi assinado o memorando de entendimento na área de insumos com a Aurisco e a Nortec Química S.A., maior produtora de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) da América Latina, o qual propõe parceria estratégica para construir uma plataforma industrial robusta de IFAs no Brasil, visando fortalecer o CEIS, reduzir a dependência externa e ampliar a capacidade nacional de produção de IFAs em áreas críticas.

Leia Também:  Vereador toma tapas na cara e é acusado de calote em via pública

 

A parceria envolve acordos com empresas chinesas para transferência de tecnologia e cooperação regulatória, com estrutura societária que assegure ao menos 51% de controle nacional. O projeto prevê novas unidades produtivas no Rio de Janeiro, com capacidade de produção de até 500 toneladas por ano de IFAs sintéticos e uma unidade focada em Biotecnologia, com investimento estimado de R$ 350 milhões. O projeto visa reduzir a dependência de importação, garantir autonomia do SUS, e inserir o Brasil nas cadeias globais de valor, com produção industrial prevista entre 3 e 5 anos.

 

“A produção dos chamados insumos farmacêuticos ativos, que é o núcleo tecnológico mais raro da presença dele no Brasil, é o grande desafio tecnológico no nosso país — que é fazer com que o Brasil cada vez mais se aproprie da tecnologia desses insumos farmacológicos. Isso permitirá pegar a principal empresa brasileira, que é a maior produtora de insumos farmacológicos ativos (não só do Brasil, mas da América Latina como um todo), com a parceira chinesa, aumentando a capacidade do Brasil de produzir esse item tão importante, ou seja, tem um avanço tecnológico significativo para o país”, definiu Padilha.

 

EQUIPAMENTOS DE IMAGEM

 

O ministro da Saúde do governo brasileiro, Alexandre Padilha, com os dirigentes do setor farmacêutico da China. (Foto: Reprodução / Agência Gan e Lee)

Concluindo a cerimônia, foram assinados memorandos de entendimento na área de equipamentos de imagem (VMI), com diversas empresas, para fabricação de detectores de imagens médicas tipo “flat panel” no Brasil. O objetivo é atualizar o parque de equipamentos de raios-X. Atualmente, a área utiliza tecnologia antiga, com filmes radiográficos de alto custo e baixa qualidade.

 

A produção nacional desses detectores permitirá exames mais baratos e de melhor qualidade. Eles são usados em radiografia digital e fluoroscopia para capturar imagens de alta resolução rapidamente, convertendo raios X em sinais digitais para diagnósticos mais precisos e menor exposição à radiação. A parceria é com a empresa chinesa Careray.

 

A fabricação de equipamentos de ultrassom no Brasil tem como objetivo atender à demanda nacional e da América Latina, proporcionando diagnósticos precisos e não invasivos em áreas como ginecologia, cardiologia, obstetrícia e vascular. A produção nacional reduzirá custos e expandirá o acesso a esses equipamentos em cidades de médio e pequeno porte, beneficiando a rede de saúde pública e privada. O ultrassom é essencial para procedimentos guiados por imagem, como biópsias, drenagens e punções. A parceria é com o Shantou Institute of Ultrasonic Instruments (SIUI).

 

DÉFICIT DE EQUIPAMENTOS

 

A fabricação de equipamentos de tomografia computadorizada e ressonância magnética no Brasil tem o intuito de reduzir custos de aquisição e manutenção e expandir o acesso a esses equipamentos em cidades de médio e pequeno porte. Atualmente, apenas 15% dos municípios brasileiros possuem esses equipamentos. A tomografia e a ressonância são essenciais para a detecção precoce de doenças, planejamento de tratamentos e avaliação da resposta terapêutica. A parceria é com a empresa chinesa Wandong Medical.

 

A fabricação de equipamentos de radioterapia no Brasil tem como objetivo montar partes essenciais para o tratamento de câncer, abordando a falta de fabricantes nacionais e os altos custos de aquisição e manutenção que dificultam o acesso ao tratamento. Com muitos equipamentos antigos utilizando cobalto, é necessário atualizar o parque instalado. A radioterapia utiliza radiações ionizantes para destruir ou impedir o crescimento de células tumorais, preservando tecidos saudáveis ao redor. Pode ser usada como tratamento principal, adjuvante, neoadjuvante ou paliativo, dependendo do tipo e estágio do câncer. A parceria é com a empresa chinesa Shinva Medical.

Leia Também:  Irineópolis ganha o título de Capital Nacional do Trator

 

A produção de aceleradores lineares para esterilização de alimentos e insumos médicos no Brasil ambiciona produzir partes essenciais desses equipamentos, que utilizam radiações ionizantes. Atualmente, a baixa disponibilidade desses equipamentos no país eleva os custos de esterilização. A produção nacional reduzirá custos e expandirá os centros de esterilização, facilitando a exportação de alimentos e insumos médicos esterilizados. A parceria é com a empresa chinesa Iray Group.

 

“Essa terceira parceria é extremamente inovadora, pois permite a possibilidade de transferência de tecnologia na produção de equipamentos médicos, seja tomografia, ultrassom, raio-x. É inovadora porque o Brasil importa, basicamente, praticamente todos os grandes equipamentos médicos, sobretudo de exames de imagens. Essa parceria de transferência de tecnologia, que permite a produção lá no Brasil desses equipamentos, pode ter um impacto muito significativo na geração de renda, de emprego no nosso país”, ressaltou Padilha.

 

ACELERAR INICIATIVAS 

 

Para o ministro da Saúde brasileiro, a visita proporcionou, ainda, acelerar outras três iniciativas que já haviam sido construídas no Brasil. A primeira trata da produção de insulina glargina, que é do tipo mais moderno disponível, com produção no Brasil. Para o ministro, o intuito é preparar para que, já no ano que vem, uma grande campanha de vacinação contra a dengue no Brasil.

 

A terceira parceria acelerada na visita da comitiva brasileira à China envolve o Ministério da Saúde brasileiro o Banco Nacional do Desenvolvimento do BRICS e uma série de hospitais e universidades da China que desenvolvem atualmente o que se chama de hospitais inteligentes.

 

“A visita aqui permitiu que a gente pudesse acelerar a encomenda para essa parceria. Teve a resposta positiva por parte da parceira chinesa de que podem entregar, neste ano, 20 milhões de unidades dessa insulina glargina na parceria Fiocruz, Biomm e Gan & Lee. A segunda parceria que já havíamos assinado no Brasil, que se acelera nessa visita, é para o desenvolvimento da vacina da dengue, que envolve o Ministério da Saúde, Instituto Butantan e é uma parceira chinesa”, pontuou Padilha.

 

“Certamente será o maior programa de vacinação pública contra a dengue, com uma vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, que desenvolveu a tecnologia, mas não tinha capacidade de produção de escala suficiente para atingir rapidamente o público brasileiro. Utilizam inteligência artificial, de equipamentos de conexão para a instalação no Brasil de um hospital desses moldes, que teria a utilização da inteligência artificial, cirurgia robótica e não só a implantação de um hospital no Brasil, mas o apoio e o desenvolvimento dessas tecnologias em várias regiões brasileiras”, concluiu Padilha.

 

Com informações de assessoria.

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade