O Ministério Público Federal (MPF) revelou indícios de que a Unimed Cuiabá pagou R$ 700 mil em comissão a uma empresa de fachada, a Arche Negócios Ltda, por um serviço de intermediação financeira relacionado a um empréstimo de R$ 33 milhões junto ao Sicoob, que, segundo a investigação, nunca existiu. A denúncia faz parte da Operação Bilanz, deflagrada pela Polícia Federal contra ex-gestores da cooperativa, incluindo o ex-presidente Rubens Carlos de Oliveira Júnior.
O contrato, assinado entre 14 e 16 de dezembro de 2022, previa o pagamento de 2% sobre o valor do empréstimo. No entanto, o MPF aponta que toda a negociação foi feita diretamente entre a Unimed e o Sicoob, sem participação da Arche, que sequer é reconhecida pela instituição financeira. Além disso, o contrato foi datado retroativamente em 19 de outubro, quando o empréstimo já havia sido formalizado.
Uma auditoria interna detectou inconsistências, como a descrição genérica do serviço e a inserção da nota fiscal de R$ 700 mil no sistema por Ana Paula Parizotto, então superintendente administrativo-financeira da Unimed e também investigada. O MPF ressalta que o valor pago ultrapassou o limite previsto, com pagamento excedente de R$ 37,4 mil.
Segundo o MPF, “há suficientes indícios de que os ex-gestores simularam um contrato de comissão para promover o desvio de recursos da Unimed Cuiabá”. A Operação Bilanz apura ainda prejuízos financeiros que podem chegar a R$ 400 milhões no período de 2019 a 2023.
Além de Rubens e Ana Paula, são investigados a ex-diretora administrativo-financeira Suzana Palma, o ex-CEO Eroaldo de Oliveira, a contadora Tatiana Bassan, a advogada Jaqueline Larrea e o sócio da Arche, Erikson Tesolini Viana. Eles respondem por falsidade ideológica e uso de documentos falsos.
A Unimed Cuiabá passa atualmente por uma gestão renovada, comandada por Carlos Eduardo de Almeida Bouret. As investigações continuam para apurar todas as irregularidades e responsabilizar os envolvidos.

































