MATO GROSSO

Mato Grosso fortalece combate aos incêndios florestais e aposta na prevenção

publicidade

publicidade

Com investimentos milionários, reforço operacional e monitoramento por tecnologia, estado se prepara para um período que pode ser agravado pelo El Niño

 

 

 

Todos os anos, a chegada da estiagem transforma Mato Grosso em um dos estados mais vulneráveis aos incêndios florestais do país. Com três dos principais biomas brasileiros dentro de seu território — Pantanal, Amazônia e Cerrado —, o estado enfrenta um desafio permanente: proteger milhares de hectares de vegetação, preservar a biodiversidade, garantir a qualidade do ar e evitar prejuízos econômicos e sociais provocados pelo avanço das chamas.

 

Em 2026, a preocupação é ainda maior. Especialistas apontam para a possibilidade de uma estiagem mais severa, influenciada pelo fenômeno El Niño, o que pode resultar em temperaturas mais elevadas, redução das chuvas e aumento das condições favoráveis para a propagação do fogo. Diante desse cenário, o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso já colocou em prática um amplo planejamento que envolve prevenção, capacitação, fiscalização, monitoramento por satélite e reforço da estrutura operacional.

 

À frente desse trabalho está o tenente-coronel Heitor Alves de Souza, comandante do Batalhão de Emergências Ambientais, que coordena uma série de ações destinadas a reduzir os impactos da temporada de incêndios florestais e fortalecer a capacidade de resposta do estado. Quando se fala em incêndios florestais, muitas pessoas associam o problema apenas à destruição da vegetação.

 

No entanto, os impactos vão muito além. As queimadas afetam diretamente a saúde da população, aumentam os casos de doenças respiratórias, prejudicam a atividade econômica, comprometem a produção agropecuária e provocam perdas irreparáveis para a fauna e a flora.  Nos últimos anos, Mato Grosso viveu períodos extremamente difíceis. Imagens de extensas áreas queimadas no Pantanal repercutiram nacional e internacionalmente, evidenciando a necessidade de investimentos cada vez maiores em prevenção e combate ao fogo.

 

A experiência acumulada ao longo dos últimos anos permitiu ao Corpo de Bombeiros aperfeiçoar seus protocolos e desenvolver uma estratégia permanente de enfrentamento aos incêndios florestais.

 

 

 

Foto: Andre luis/secom-vg

 

A experiência acumulada ao longo dos últimos anos permitiu ao Corpo de Bombeiros aperfeiçoar seus protocolos e desenvolver uma estratégia permanente de enfrentamento aos incêndios florestais. Segundo o comandante, esse trabalho não acontece apenas quando a fumaça aparece no horizonte.

 

“O planejamento do Corpo de Bombeiros para 2026 é baseado no Plano Operacional para a Temporada de Incêndios Florestais (POTIF), documento que orienta todas as ações desenvolvidas ao longo do ano.”

 

Na prática, isso significa que a corporação atua durante os 12 meses do ano, desenvolvendo ações preventivas, treinando equipes e monitorando as condições ambientais antes mesmo da chegada do período mais crítico. Enquanto a população ainda convive com as chuvas do início do ano, equipes do Corpo de Bombeiros já estão trabalhando para evitar que os incêndios ocorram meses depois. Essa fase é considerada uma das mais importantes dentro da estratégia estadual.

 

Palestras, treinamentos, campanhas educativas e orientações técnicas são realizadas em municípios, propriedades rurais, escolas e comunidades espalhadas por Mato Grosso. O objetivo é conscientizar a população sobre os riscos do uso inadequado do fogo e ampliar a capacidade de resposta das comunidades. Diante disso, Alves destaca que a prevenção é o principal caminho para reduzir o número de ocorrências.

Leia Também:  Mauro Mendes faz avaliação de sete anos de governo e diz que eficiência do serviço público foi prioridade

 

“No primeiro semestre, o foco principal está na prevenção, por meio de campanhas de conscientização, palestras e orientações voltadas à população.”

 

A estratégia também envolve a formação de brigadistas e a construção de parcerias com prefeituras, produtores rurais e entidades representativas do setor agropecuário. A lógica é simples: quanto mais pessoas estiverem preparadas para agir rapidamente diante de um foco de incêndio, menores serão as chances de o fogo ganhar grandes proporções.

 

Com a chegada do inverno e a redução das chuvas, Mato Grosso entra em um período extremamente delicado. A umidade do ar cai drasticamente, a vegetação fica mais seca e qualquer faísca pode se transformar em um grande incêndio. É nesse momento que o Corpo de Bombeiros muda de estratégia e passa a concentrar esforços na resposta operacional.

 

 

Segundo o comandante: “A partir de julho, com a redução da umidade do ar e o aumento das temperaturas, o estado entra na fase de resposta”.

 

Nessa etapa, todo o aparato construído ao longo do ano entra em ação. Militares são deslocados para regiões estratégicas, brigadistas são mobilizados e os equipamentos permanecem em prontidão para atender às ocorrências. Um dos maiores desafios enfrentados pelo Corpo de Bombeiros é a própria dimensão territorial de Mato Grosso. Com mais de 900 mil quilômetros quadrados, o estado possui uma área superior à de diversos países do mundo.

 

Essa característica torna a logística das operações extremamente complexa. Há municípios separados por centenas de quilômetros, regiões de difícil acesso e áreas remotas onde o deslocamento das equipes exige planejamento detalhado. Segundo Heitor, essa realidade geográfica influencia diretamente as estratégias de combate aos incêndios florestais, exigindo logística eficiente, posicionamento antecipado de recursos e ações coordenadas para garantir respostas rápidas e eficazes diante das ocorrências.

 

“Os desafios são constantes. Mato Grosso possui uma extensão territorial muito grande, superior à de muitos países, o que torna mais complexa a missão de atender todas as regiões simultaneamente.”

 

 

Para superar essa dificuldade, a corporação aposta na descentralização das operações, posicionando equipes em diferentes regiões do estado antes mesmo do surgimento das ocorrências.

 

A preparação para a temporada de incêndios de 2026 ganhou um importante reforço financeiro. O Governo de Mato Grosso anunciou investimentos da ordem de R$ 134 milhões destinados ao fortalecimento das ações de prevenção e combate aos incêndios florestais. Os recursos permitem ampliar a contratação de brigadistas, reforçar o efetivo operacional, adquirir equipamentos e melhorar a infraestrutura utilizada durante a estiagem.

 

Além disso, o decreto de emergência ambiental publicado pelo Estado estabelece medidas preventivas e restrições importantes, como a proibição do uso do fogo em áreas rurais durante o período mais crítico. Portanto, essa medida busca reduzir significativamente as chances de ocorrência de incêndios provocados por ação humana. As restrições e ações preventivas adotadas durante o período crítico são consideradas fundamentais para minimizar os riscos e proteger o patrimônio ambiental do estado.

 

 

Se antes o combate aos incêndios dependia principalmente da observação em campo, hoje a tecnologia desempenha papel essencial nesse processo. O monitoramento por satélite permite identificar focos de calor praticamente em tempo real, ampliando a capacidade de resposta dos órgãos responsáveis.

 

Essas informações são cruzadas com bancos de dados ambientais para verificar se existe autorização para o uso controlado do fogo. Quando são identificadas irregularidades, equipes especializadas realizam vistorias e podem responsabilizar os infratores, reforçando a fiscalização e a prevenção de novos incêndios.

Leia Também:  Secretário de Governo assume também a Mobilidade Urbana em Cuiabá

 

O sistema aumenta a capacidade de resposta do Estado e contribui para a redução dos danos ambientais. Os investimentos realizados nos últimos anos já apresentam resultados concretos. Dados levantados pelo Corpo de Bombeiros apontam que 2025 registrou uma redução histórica nos indicadores relacionados aos incêndios florestais.

 

Por outro lado, o tenente-coronel destaca os avanços alcançados nos últimos anos graças ao trabalho das guarnições, ao fortalecimento das ações preventivas e ao aprimoramento das estratégias de combate aos incêndios florestais.

 

“Em 2025, Mato Grosso registrou uma redução recorde em todos os indicadores relacionados aos incêndios florestais”

 

Segundo a corporação, os resultados alcançados em 2025 foram expressivos, com redução de cerca de 70% nos focos de calor, queda de 62% nas ocorrências de incêndios florestais e diminuição de aproximadamente 60% da área atingida pelo fogo. O desempenho é atribuído ao planejamento estratégico, aos investimentos realizados, ao uso de tecnologia e ao maior engajamento da população nas ações de prevenção.

 

Embora todo o território mato-grossense seja monitorado, algumas regiões recebem atenção especial devido à sua relevância ambiental. O Pantanal, considerado a maior planície alagável do mundo, está entre as principais preocupações do Corpo de Bombeiros. A Amazônia mato-grossense, áreas do Cerrado e unidades de conservação estaduais e federais também recebem vigilância constante, já que os incêndios podem causar danos severos aos ecossistemas e impactos que levam anos para serem recuperados.

 

 

Outro desafio enfrentado pela corporação são as queimadas em áreas urbanas. A prática, geralmente relacionada à queima de lixo doméstico, entulhos ou restos de poda, ainda é registrada em diversos municípios. Apesar de ser considerada por alguns como um hábito comum, a legislação ambiental proíbe esse tipo de ação durante todo o ano.

 

Além dos prejuízos ao meio ambiente, a fumaça gerada pelas queimadas compromete a qualidade do ar e agrava problemas respiratórios, principalmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas. Em situações mais graves, o fogo pode se espalhar rapidamente e atingir residências, veículos e terrenos vizinhos, ampliando os riscos e os prejuízos à população.

 

Apesar da estrutura reforçada pelo estado para enfrentar a temporada de incêndios, o Corpo de Bombeiros destaca que o sucesso das ações depende diretamente da participação da população. Segundo a corporação, grande parte das ocorrências tem origem em ações humanas, como o uso inadequado do fogo, o descarte de bitucas de cigarro e o abandono de resíduos às margens de rodovias, tornando a conscientização uma das principais ferramentas de prevenção.

 

 

Na avaliação do tenente-coronel Heitor Alves, o combate aos incêndios florestais é uma responsabilidade compartilhada. “É necessário que a
população também se envolva nesse tema”, afirma. O comandante ressalta que, durante o período de estiagem, qualquer foco de incêndio pode se espalhar rapidamente e se transformar em uma ocorrência de grandes proporções, causando prejuízos ambientais, econômicos e sociais.

 

“Com a conscientização e a colaboração da população, é possível atravessar a temporada de estiagem com menos impactos, reduzindo os prejuízos ambientais e à saúde pública, além de preservar vidas, que é o principal objetivo de todo o trabalho desenvolvido”, conclui.

 

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade

Slide anterior
Próximo slide

publicidade