O cerco apertou de vez em Mato Grosso. O Tribunal de Justiça (TJMT) autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de oito alvos da Operação Emenda Oculta — uma das medidas mais duras da investigação. Além disso, também determinou o bloqueio de bens e valores, atingindo diretamente o patrimônio dos suspeitos.
Entre os investigados estão o deputado estadual Elizeu Nascimento e o vereador por Cuiabá, Cezinha Nascimento. Com a quebra do sigilo, os investigadores passam a ter acesso detalhado às movimentações financeiras, numa tentativa de rastrear o destino do dinheiro e entender como o esquema funcionava.
De acordo com as investigações, recursos de emendas parlamentares eram repassados à empresa Sem Limite Esporte e Eventos LTDA, que, posteriormente, devolveria os valores aos próprios parlamentares. A suspeita é de um mecanismo estruturado para desvio de dinheiro público.
A empresa, conhecida como Chiroli Esportes, pertence ao empresário João Nery Chiroli, que já foi alvo da Operação Gorjeta, em janeiro deste ano. Na ocasião, ele foi investigado por peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro, em um esquema considerado semelhante ao atual.
As investigações da época, conduzidas pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), levaram ao afastamento do vereador Chico 2000, suspeito de envolvimento. As empresas de Chiroli atuam no ramo de eventos e já prestaram serviços públicos, incluindo a produção de camisetas para a Corrida do Legislativo.
Durante as buscas recentes, foram apreendidos R$ 200 mil em dinheiro vivo — R$ 150 mil na casa de Elizeu e R$ 50 mil na residência de Cezinha — além de celulares, notebooks e documentos. Em nota, Elizeu afirmou que recebeu os agentes, entregou o que foi solicitado e disse aguardar acesso aos autos para se manifestar melhor, reforçando seu compromisso com a legalidade e se colocando à disposição das autoridades.


























