Cantor e compositor soma mais de duas décadas na música e aposta em novo projeto musical
O cantor e compositor Fábio Francisco, de 44 anos, do bairro CPA 4, em Cuiabá, mais conhecido como Fábio Bill, é um nome consolidado no cenário do pagode em Cuiabá. Com uma trajetória marcada por passagens por diversos grupos musicais da capital, ele se tornou referência no gênero e acumula sucessos que marcaram época. Agora, com o grupo Turma do Bill, busca novas conquistas e prepara o lançamento de um DVD com 12 faixas inéditas.
Fábio descobriu sua paixão pela música ainda na infância. Aos 11 anos, já se apresentava durante o recreio na Escola Padre João Panarotto, no CPA, ao lado do professor de música, interpretando canções sertanejas. Apesar da forte influência do sertanejo em sua casa, devido ao pai, foi nos anos 1990, auge do pagode no Brasil, que o gênero despertou seu interesse. Grupos como Raça Negra e Só Pra Contrariar (SPC) passaram a fazer parte de sua rotina musical, influenciando sua migração para o estilo. No entanto, Fábio também era grande fã do grupo Fundo de Quintal, do Exaltasamba, do cantor Jorge Aragão, além de admirar o trabalho do cantor Belo.
A carreira profissional de Fábio começou aos 16 anos, com a fundação do grupo Sem Juízo, ao lado de amigos. O trio se destacou em eventos como o Viva Seu Bairro, chegando duas vezes à final. Seu talento chamou atenção, e ele foi convidado a integrar o grupo Karadogol, que estava em ascensão na Baixada Cuiabana, impulsionado pelo sucesso da música Louca Paixão, que tocava nas rádios de Cuiabá.
Fábio assumiu o posto de vocalista após a saída de Oliveira e permaneceu na banda por quatro anos. Durante esse período, participou da gravação de Café da Manhã, um dos grandes sucessos do grupo.

Apesar do crescimento na carreira, Fábio recusou um convite para integrar uma banda baile na Bahia, optando por permanecer em Cuiabá e priorizar a família. Em seguida, em 1° de janeiro de 2005, passou a atuar como produtor musical do grupo Sedusamba, que também se destacou no evento Viva Seu Bairro. Sua contribuição foi tão significativa que acabou assumindo os vocais da banda, onde permaneceu por 18 anos, gravando quatro CDs e dois DVDs.
Fábio relembra essa decisão marcante em sua trajetória e destaca a experiência vivida ao longo dos anos no Sedusamba. Ele expressa um profundo sentimento de gratidão pelo grupo, a ponto de ter eternizado essa fase com uma tatuagem em homenagem à banda.
“No quarto ano no Karadogol, recebi um convite para ir para a Bahia e integrar uma banda baile. Mas pensei: ‘Minha família está aqui, minhas coisas estão aqui. Não vou para a Bahia, não. Vou ficar por aqui mesmo’. Fiquei enrolando e disse que daria uma resposta até o dia 20 de dezembro. Enquanto isso, o SeduSamba estava na semifinal do Viva Seu Bairro. O Juninho me pediu para dar uma força, assim como os donos da banda. Fui ajudar como produtor, organizei a banda e distribuí os músicos nos lugares certos. Na final, o cantor deles foi embora, e eu chamei meu baterista para cantar. Eles acabaram perdendo, mas o Juninho me convidou para ficar na banda. Eu ainda tinha a proposta de ir para a Bahia, mas decidi não aceitar. Então, aceitei o convite e fiquei. Acabei permanecendo 18 anos no SeduSamba. Nesse período, gravamos três ou quatro CDs e dois DVDs”, conta Fábio.
Entre as músicas de maior repercussão do Sedusamba estão “Amor.com.br”, “Brigar pra quê?”, “Diga que ainda me ama” e “Hoje eu vou te encontrar”, que tocaram nas principais rádios de Cuiabá. Um dos maiores sucessos foi “Não foi por falta de amor”, que projetou o grupo para diversos municípios de Mato Grosso, rendendo uma agenda movimentada de shows.
Essas músicas marcaram para o Sedusamba no início, como Brigar pra quê, que fez grande sucesso na cidade. A canção era uma das favoritas do ex-jogador Hugo Alcântara, que na época atuava na Europa. Sempre que voltava para passar as férias com a família, ele se reunia com o grupo Sedusamba em sua casa e pedia para tocarem a música.
Foi durante esses encontros que Fábio, junto com Hugo, teve a ideia de criar o Pagode do Hugo, um evento realizado na residência do jogador. Com o tempo, a casa de shows ganhou grande repercussão em Cuiabá, tornando-se um dos locais mais frequentados pelos amantes do pagode na cidade.
“Sempre que a gente se encontrava, o Hugo pedia para tocarmos essa música. Até hoje ele é um grande amigo, gente boa demais. Ele me incentivou muito naquela época. Eu fazia um pagode na casa dele, chamado Pagode do Hugo. Inclusive, fui eu que dei esse nome. Ele ficou em dúvida, e eu falei: ‘Vai ser Pagode do Hugo‘. Também foi uma forma de homenagear e respeitar sua carreira, já que representou Cuiabá por mais de 10 anos na Europa. Deu supercerto, graças a Deus”, recorda Fábio.
Apesar do sucesso de Brigar pra quê com o grupo Sedusamba, Fábio tem um carinho especial por uma música de sua própria composição. Junto com seu amigo Bolota, ele criou Não foi por falta de amor, uma canção com um significado profundo.
A letra surgiu em um momento difícil de sua vida, quando enfrentava desafios em seu antigo relacionamento. Inspirado por essa fase, Fábio transformou sua história em música, dando origem a um sucesso que marcou a Baixada Cuiabana e se destacou em todo o estado de Mato Grosso.
“Eu lembro direitinho de quando compus essa música. Estava em casa, era por volta de seis ou sete horas da noite. Fiz a letra, mas precisava do violão para encaixar a melodia e ajustar algumas frases. Liguei para o Lucas, meu parceiro nessa composição, e fomos até a casa do Juninho para gravar. Até hoje, esse áudio está no YouTube: eu e o Lucas sentados na beira da piscina, tocando Não foi por falta de amor. Essa música tem uma história forte por trás. Faz parte da minha vida profissional e pessoal. Eu estava passando por um momento difícil, tinha uma filha de 3 anos e havia acabado de terminar um relacionamento com a mãe dela. Escrevi essa música para ela, porque o término não foi por falta de amor, mas por outros motivos”, relembra Fábio.
A música ganhou destaque após a gravação do DVD do grupo em 2019, especialmente com o lançamento do DVD e a canção Não foi por falta de amor. O grupo se apresentou em diversos locais de Cuiabá, Várzea Grande e até em outros municípios do estado, tornando-se um verdadeiro fenômeno musical.
“O Sedusamba tocou em todos os cantos de Mato Grosso. A gente ganhou muito dinheiro, a rapaziada não pode reclamar da vida financeira, que foi muito boa. Tivemos status também, em todos os lugares onde chegávamos”, aponta Fábio.
Após esse sucesso com o Sedusamba, com a gravação de CDs, DVDs, shows e até lives durante a pandemia, Fábio decidiu seguir novos caminhos. Em 2022, após o fim da pandemia, ele optou por deixar o Sedusamba e iniciar um novo ciclo em sua vida, com novos projetos. Junto aos amigos Bolota e Jonil, fundou a Turma do Bill, que, em menos de dois anos, conquistou o público cuiabano.
“É que tudo na vida tem um ciclo. Acho que o ciclo terminou ali depois da pandemia. Senti que aquele ciclo tinha se encerrado. Então, resolvi seguir meu próprio caminho, fazer um samba do meu jeito, um pagode do meu jeito”, conta Fábio.
Seguindo sua trajetória na música, Fábio destaca que mantém contato com os integrantes de seu antigo grupo e que, ocasionalmente, já realizaram eventos juntos. No entanto, hoje, no grupo Turma do Bill, que leva seu nome, Fábio enfatiza o trabalho coletivo. Cada integrante contribui para o sucesso do grupo, e ele, além de vocalista, também desempenha a função de empresário. Dessa forma, Fábio contribui para a união e fortalecimento do Turma do Bill, criando uma sinergia única entre os membros.

“Assim, eu sou o cantor, mas não tem cantor principal. A Turma do Bill leva o meu nome, mas somos um grupo de três: eu, Jonil e Bolota. O Bolota canta as mesmas músicas que eu canto. No mesmo tempo de show, se ele está com vontade, ele canta mais; se eu estou com vontade, eu canto mais. A gente se respeita muito nisso. Na Turma do Bill, eu tenho um produtor, o Victor, que é meu braço direito. Estou sempre com ele, a gente treina junto, estamos sempre em contato. Ele fecha os shows, e eu o ajudo também, porque eu fecho alguns, pois já tenho alguns contatos de outras caminhadas. Aí, os contatos também ligam para mim, e eu fecho também”, explica Fábio.
O grupo mantém uma agenda intensa, com cinco a seis apresentações semanais, incluindo shows fixos no Bar do Corona às sextas-feiras e na casa de eventos Malutt aos domingos. A banda também está retomando um projeto na Vila Madalena, um dos tradicionais espaços do pagode na capital.
Além do lançamento do DVD, que contou com a participação das duplas sertanejas Jonathan e Adam, entre outras, o projeto da Turma do Bill foi uma verdadeira mistura de ritmos. O DVD, gravado com o apoio da família Avallone, foi realizado no Malutt.

Para 2025, Fábio e a Turma do Bill têm vários projetos em andamento, incluindo colaborações com bandas de ritmos de lambadão. Fábio menciona que estão em negociação e que, no futuro, o grupo pode trazer novidades interessantes para o público.
“A rapaziada do Real Som sempre fala comigo, o Novo Som, o Eder sempre fala comigo. Tem umas parcerias e a gente tá quase tudo certo. Os Federais também querem gravar. Vamos ver, tô conversando aí, já vai sair coisa boa”, conta Fábio.
Apesar dos projetos futuros, Fábio destaca que 2025 começou com muitos trabalhos. Em janeiro, foi comemorado o aniversário de Bolota, integrante do grupo, e, em fevereiro, o grupo se apresentou intensamente durante o carnaval em Cuiabá.
Diante do trabalho que Fábio vem realizando há mais de 20 anos na música, conquistando notoriedade e sendo amplamente reconhecido no meio artístico, ele reflete que, apesar do sucesso, o trabalho deve sempre continuar. Para ele, o artista não pode deixar que o ego cresça em razão da fama, pois o foco deve ser sempre na essência do trabalho.
“A humildade. Acho que todo mundo tem que ser humilde e reconhecer quem é quem. Porque, tipo assim, perante a Deus, somos todos iguais. Não é porque alguém tem um pouquinho a mais ou o outro tem um pouquinho a menos que você tem que tratar de forma diferente. Bom, esse é o meu pensamento, sempre foi. Eu jamais desrespeitaria alguém se eu não tivesse razão. Também tem isso, porque às vezes tem gente que sai da casinha”, ressalta Fábio.
Dentro de toda essa humildade que Fábio ressalta como essencial para um artista, ele frisa a importância de demonstrar gratidão e respeito pelas pessoas que o ajudaram ao longo de sua trajetória na música. Fábio expressa, com muito carinho, sua gratidão à sua madrinha na música e empresária Denise Gomes. Além disso, demonstra uma profunda admiração e consideração pelo cantor de pagode Washington Lero Lero, a quem trata como um irmão.

Com tudo o que Fábio carrega em sua trajetória, ele deixa uma mensagem para os jovens que desejam iniciar na música, especialmente no estilo do pagode. Ele enfatiza a importância de persistir, trabalhar com dedicação e sempre manter a humildade. Para ele, o sucesso na música vem com muito esforço, os valores essenciais que moldam uma carreira sólida e verdadeira.
“Insista, persista, não desista, seja humilde, você vai conseguir. Tem que se dedicar, tem que trabalhar, tem que estudar, tem que fazer o negócio acontecer. Eu, na minha hora vaga, estou escutando pagode, vendo quem está em ascensão, quem não está. Estou no site, estou no telefone, sempre me atualizando. Às vezes minha mulher até briga comigo, fala: ‘Cara, você não larga esse telefone’. Eu digo: ‘Estou estudando aqui, aguenta aí’. Porque as músicas não param, você tem que estar sempre buscando algo novo. Senão, fica para trás”, finaliza Fabio.











