Estudo intitulado “Teses para o Setor Elétrico Brasileiro” e coordenado pelo ex-diretor da Copel, Ivo Pugnaloni, aponta que a iniciativa poderia favorecer “em especial da fruticultura de maior valor agregado como uvas, morango e outras culturas”.
Por Humberto Azevedo
Um documento voltado para o setor de energia sustenta que os reservatórios e as usinas hidrelétricas poderiam ser utilizadas para agricultura irrigada com objetivo de ampliar a produção de setores como a fruticultura, a piscicultura, dentre outras atividades agrícolas, oferecendo um diferencial para os produtores brasileiros no mercado externo.
O estudo intitulado “Teses para o Setor Elétrico Brasileiro”, coordenado pelo ex-diretor da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel), Ivo Pugnaloni, aponta que a iniciativa poderia favorecer “em especial da fruticultura de maior valor agregado como uvas, morango e outras culturas”. O documento de 93 páginas foi elaborado e apresentado em novembro de 2021 num seminário organizado pelo departamento de energia e de recursos minerais do diretório estadual paranaense do Partido dos Trabalhadores (PT).
Além de ex-dirigente da Copel, Ivo Pugnaloni, que é engenheiro eletricista, e ex-diretor do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (SENGE-PR), o documento coordenado por ele lança linhas e diretrizes de uma ação efetiva para o setor elétrico brasileiro. E, segundo ele, a não utilização dos reservatórios e das usinas hidrelétricas na “irrigação localizada por gotejamento e de micro aspersão” seria uma grande “sacada” para produção rural, sobretudo, em setores como a dos fruticultores e piscicultores.
“Além da piscicultura, os reservatórios das hidrelétricas, mesmo de pequeno porte, podem ser utilizados, de forma compartilhada e simultânea, com a água excedente, para a irrigação por gotejamento da agricultura, em especial da fruticultura de maior valor agregado como uvas, morango e outras culturas, gerando novas receitas e oportunidades de trabalho com pequeno investimento”, diz um trecho do estudo coordenado pelo ex-conselheiro da seccional paranaense do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (CREA-PR)
“No caso de usinas com desvio do rio, parte da água não turbinada, em vez de verter, irá fluir por um canal de irrigação, paralelo ao canal de adução, mas com cota pouco acima deste. Este canal de irrigação abastece açudes de acumulação, que usando a gravidade, alimentam os tanques de piscicultura. As águas descartadas pelos tanques de piscicultura irrigam os pomares de fruticultura e a própria Área de Preservação Permanente”, diz outro trecho do estudo coordenado pelo ex-presidente da Associação Brasileira de Pequenas Centrais Hidrelétricas e de Centrais Geradoras Hidrelétricas (ABRAPCH).
Por fim, nas “recomendações finais importantes”, o documento organizado por Pugnaloni pontua que “regras claras de pontuação” estabelecidas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Agência Nacional de |energia Elétrica (ANEEL) e dos órgãos de licenciamento “devem incentivar empreendimentos de geração que prevejam a participação dos antigos proprietários e outros da mesma região em projetos que incluam a agroecologia, irrigação por gotejamento, piscicultura, aquicultura, fruticultura, olericultura, turismo rural, educação ambiental e outras modalidades de aproveitamento dos recursos hídricos e energéticos utilizados”.




























