A série Transplantes, do podcast PodFESSP, da Federação Sindical dos Servidores Públicos de Mato Grosso (FESSP-MT), chega ao último episódio reunindo histórias de quem recebeu uma nova oportunidade de vida e de quem enfrentou a dor da perda transformando a despedida em esperança para outras pessoas. O episódio reúne a transplantada de córnea Marinete Perucio, o transplantado renal Danilo Muniz Moura e Rosa Alice Gonçalves da Silva, mãe de uma doadora de múltiplos órgãos.
Para Marinete, antes do transplante de córnea, a perda da visão havia reduzido sua autonomia. “Muito limitada, né? Porque começou a ter dificuldade da visão, aí já não conseguia mais renovar a habilitação, dependia de alguém pra levar”, relatou Perucio. A transplantada também conta que passou a ter dificuldades para identificar endereços e até sofreu quedas por não enxergar adequadamente.
O transplante, segundo ela, representou a recuperação de atividades que faziam parte de sua rotina. “Eu posso dizer que só alegria, porque eu gosto muito de ler, eu não conseguia mais ler, então eu voltei, resgatei essa condição de ler, essa independência”, afirmou Marinete, dizendo ainda que procedimento significou “uma mudança radical, foi um resgate de qualidade de vida”.
Moura também relata as limitações enfrentadas antes de receber um rim. Diagnosticado com doença renal policística, ele precisou reorganizar a rotina profissional e pessoal enquanto fazia tratamento. “Minha vida foi um pouco restrita na questão de logística, de tempo”, contou Danilo. O diagnóstico ocorreu quando a doença já estava em estágio avançado, após sintomas como cansaço intenso e ganho de peso.
A notícia também trouxe lembranças da trajetória da mãe, que havia passado por tratamento renal antes de morrer. “Foi um choque muito grande por eu já ter o histórico familiar”, disse ele. Naquele momento, porém, ele afirma que decidiu concentrar os esforços na recuperação: “Eu preciso me recuperar logo, porque eu tenho gente para cuidar”, pontuou o transplantado. Depois do impacto inicial, passou a buscar alternativas e profissionais para realizar o transplante.
A história de Rosa Alice Gonçalves da Silva apresenta outro lado da cadeia de transplantes: o da família que autoriza a doação dos órgãos de uma pessoa querida. Após a morte cerebral da filha, Rosa recebeu a proposta de doação e decidiu aceitar. “É uma esperança, né, de poder continuar a vida. Sim para a vida, por que não?”, afirmou Silva.
Durante a retirada dos órgãos, ela acompanhou as informações repassadas pela equipe médica. Ao saber que o coração da filha seria destinado a outra pessoa, emocionou-se, dizendo “Deus que abençoe essa pessoa que tá lá, né? Na sala de cirurgia, com o peito aberto, guardando o coração da minha filha”. A experiência, segundo a mãe de doadora, reforçou a importância de falar sobre doação e combater preconceitos.
“Tem pessoas que têm muito preconceito em relação à doação de órgãos, que abram a mente, né, porque quanto mais a gente abre a nossa mente, mais pessoas a gente vai ajudar”, afirma Rosa. Mesmo convivendo com a saudade da filha, ela diz encontrar consolo na possibilidade de que os órgãos tenham ajudado outras pessoas a continuar suas vidas.
“Eu confesso que me consola”, afirmou complementou ela, dizendo que passou a orar pelos receptores dos órgãos da filha e deixa uma mensagem para outras famílias. “Que Deus abençoe outras pessoas também que estejam na mesma situação que eu e que digam sim para a vida, que vão abrir a mente e vão ajudar mais pessoas”, completou Rosa.
O 6º e último episódio da série Transplantes encerra o PodFESSP está disponível no YouTube, e a FESSP-MT convida o público a acompanhar também os demais episódios da série.
Assista ao último episódio do PodFESSP: https://youtu.be/iBNi4ZJr2jI



















