A eleição de Tancredo no colégio eleitoral foi uma vitória da democracia,
mas pouco antes de assumir ele é internado e falece 40 dias depois, causando grande comoção nacional
Da Redação

A campanha de Tancredo Neves para presidente da República começou a ser articulada logo após a derrota da emenda Dante de Oliveira. No dia seguinte, lideranças do PMDB passaram a se reunir com parcelas do PDS (Partido Democrático Social) e formaram a Aliança Democrática para disputar, em 15 de janeiro de 1985.
O PDS era o partido dos militares e havia substituído a Arena (Aliança Renovadora Nacional) com a reforma eleitoral de cinco anos antes. O PDS, portanto, foi o herdeiro do partido que deu sustentação política para a ditadura e até então atuava praticamente sem defecções. Contudo, já com a campanha das Diretas setores pedessistas já começaram a mudar de lado.
A ditadura se estertorava. Tancredo Neves, tendo como vice o então senador José Sarney, que rompeu com o PDS e com a ditadura, foi eleito no colégio eleitoral, derrotando o deputado federal Paulo Maluf, candidato dos militares, o primeiro civil em 21 anos. Foram 480 votos para Tancredo contra 180 ao candidato governista.

Apesar de indireta, a eleição de Tancredo Neves foi o resultado de uma grande mobilização popular que entusiasmou a maioria dos brasileiros. Estava eleito o primeiro presidente civil do país depois de quase 21 anos. O presidente eleito, no entanto, jamais assumiu o governo. Na véspera da sua posse, foi internado no Hospital de Base, em Brasília, com fortes dores abdominais. O seu vice, José Sarney, assumiu a Presidência no dia seguinte, em 15 de março de 1985.
Foi uma agonia de quase 40 dias, que deixou o país em suspenso e fortemente em comoção. Tancredo Neves, durante esse período, sofreu sete cirurgias e uma traqueostomia. Com 75 anos, o presidente não suportou tantas intervenções e acabou contraindo um processo infeccioso que agravou com uma infecção hospitalar, situações que o levaram à morte em 21 de abril de 1985.
Nos primeiros dias de internação, ninguém poderia imaginar que o quadro se agravaria. As primeiras notícias eram de Tancredo andando pelo quarto, indicando a recuperação. Em 25 de março, após a segunda cirurgia, Pinotti chegou a afirmar que, se o presidente Tancredo Neves quiser, ele pode assumir já nesta sexta-feira. No mesmo dia, Tancredo fez uma foto com sua mulher, Risoleta.

Mas foi justamente naquele dia que o quadro se agravou. Tancredo sofreu hemorragia e foi levado de Brasília para o Instituto do Coração do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Durante o período de internação no IC, as ruas próximas do maior complexo hospitalar da América Latina se transformaram no principal lugar de peregrinação do País. A parte internado hospital se tornou a sala de espera da República, com a presença de governadores, senadores, deputados, religiosos e outras figuras públicas. Do lado de fora, populares ficavam dia e noite esperando notícias sobre o quadro de saúde do presidente acompanhados pelo batalhão de jornalistas. A agonia de Tancredo e do País se agravou em 12 de abril, quando ele era mantido vivo por aparelhos.
A última esperança foi a chegada do médico americano especialista em doenças respiratórias agudas, Warren Myron Zappol. Seu diagnóstico, em 20 de abril, de certa forma, foi o fim da agonia do País: Tancredo Neves era um paciente terminal.












