O que começou como um posicionamento público em defesa de uma vítima acabou se transformando em um episódio de intimidação dentro da própria Polícia Civil. A delegada Jannira Laranjeira revelou que as mensagens com tom de ameaça que recebeu após comentar a prisão do investigador Manoel Batista da Silva, de 52 anos, acusado de estupro em Sorriso, não partiram do investigado, mas de um colega delegado da mesma instituição.
A revelação foi feita nesta terça-feira (3), em uma publicação nas redes sociais. Segundo Jannira, as tentativas de constrangimento começaram depois que ela compartilhou links de reportagens sobre a prisão preventiva do investigador, acusado de estuprar uma detenta dentro da delegacia onde trabalhava, no município a 420 km de Cuiabá.
“Não foi o investigado que tentou me silenciar. Foi um delegado de polícia”, escreveu. A delegada, que atua em Cuiabá no combate à violência contra a mulher, afirmou que decidiu esclarecer o caso após a repercussão das denúncias e para evitar interpretações de que as mensagens teriam partido de aliados do policial preso.
No último domingo (1º), Jannira publicou um vídeo em que se posicionou favoravelmente à prisão e repudiou o crime atribuído ao investigador. Manoel Batista foi preso após a Justiça decretar a preventiva com base em laudo pericial que apontou compatibilidade de DNA. A decisão foi mantida após audiência de custódia.
No dia seguinte, a delegada passou a receber mensagens privadas com tom de ameaça velada e cobrança de retratação. Em uma delas, o remetente sugeria que sua postura poderia gerar “inimizades duradouras” dentro da corporação e que ela deveria se desculpar com delegados de Sorriso.
Jannira reagiu publicamente, afirmando que não aceita intimidações nem tentativas de silenciamento. Ela também criticou o que chamou de confusão entre corporativismo e compromisso com a justiça. “Defender a vítima não é atacar colegas. Justiça não é ofensa”, afirmou.
Na publicação mais recente, a delegada disse ainda que o autor das mensagens tentou minimizar o sofrimento da vítima e distorcer os fatos. Segundo ela, a Polícia Civil é maior do que atitudes individuais.
“A instituição deve ser protegida, e não utilizada para intimidar quem cumpre o dever de defender a lei”, concluiu.
Veja vídeo:
































