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Da Roça à Usina: a evolução do ciclo da cana-de-açúcar no Brasil

Foto Divulgação ( Portal Compre Rural)

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De origem asiática, a produção da cana-de-açúcar remonta aos tempos ancestrais. Após milhares de experimentos, cruzamentos e aperfeiçoamentos genéticos, chegou-se a variedades altamente produtivas, capazes de fornecer grandes quantidades de matéria-prima, como massa, fibra, açúcar e álcool. A partir dela, são produzidos diversos subprodutos: açúcar cristal, refinado, de confeiteiro, mascavo, rapadura, melado, aguardente (ou cachaça) e o etanol, combustível que movimenta milhões de veículos ao redor do mundo.

Antigamente, o corte da cana era precedido pela queima da palha. Após isso, trabalhadores enfrentavam jornadas extremamente pesadas no corte manual. Era um trabalho exaustivo e, muitas vezes, desumano, com sérios riscos à saúde. A cana cortada era transportada em grandes caminhões até as usinas para beneficiamento. Esse processo mudou com a chegada da mecanização, que substituiu o esforço humano pelas máquinas, cada uma capaz de fazer o trabalho de até 200 pessoas — o que resultou na eliminação de milhares de empregos.

Muitas mulheres também faziam parte dessa força de trabalho. Levantavam às 4 horas da manhã, preparavam sua refeição e embarcavam em ônibus ou caminhões rumo aos canaviais. O trabalho era árduo, mal remunerado e, frequentemente, causava dores e desgaste físico. A alimentação fornecida não atendia às necessidades nutricionais, e as licenças médicas eram comuns — mas apenas para os trabalhadores registrados. A maioria era autônoma, recebia por diária e, quando adoecia, enfrentava ainda mais dificuldades.

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Esses homens e mulheres, em sua maioria sem escolaridade, dependiam exclusivamente do trabalho braçal e acabavam se sujeitando às condições mais precárias. Muitos deles entraram para a triste estatística da linha da pobreza. Hoje, parte dessa população é atendida por programas sociais, como o Bolsa Família, do atual governo. Vale lembrar que, naquele período, a situação era ainda mais difícil. É importante destacar que esses trabalhadores geralmente tinham famílias numerosas, com cerca de cinco filhos, o que ampliava o cenário de sofrimento.

A cana-de-açúcar também é amplamente utilizada na alimentação animal — de bovinos, suínos e equinos — fornecida in natura ou processada na forma de ração. As maiores produtividades são registradas em solos profundos e arenosos. Atualmente, a produção está concentrada em grandes propriedades, sendo que cerca de 90% das terras estão nas mãos de apenas 10% da população. Isso contribui para o agravamento de um dos maiores desafios sociais do país: o desemprego, que continua a assombrar a vida de milhões de brasileiros.

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Os estados com maior produção de cana-de-açúcar são: São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná e Mato Grosso. O Brasil ocupa hoje o posto de maior produtor mundial. Outros países com destaque na produção são Colômbia, Argentina, Áustria e Filipinas. Essa cadeia produtiva movimenta bilhões de reais e contribui significativamente para o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Por fim, fica um alerta deste humilde influenciador digital: o açúcar, apesar de seu valor comercial e histórico, deve ser consumido com moderação. Em excesso, pode causar sérios danos à saúde.

 

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