MATO GROSSO

Creci-MT consolida protagonismo no mercado imobiliário com expansão, fiscalização e projetos de lei, afirma presidente

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Em uma entrevista abrangente, Claudecir Coutreira, presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Mato Grosso (Creci-MT), detalhou os avanços da entidade, os desafios da profissão e a estratégia para fortalecer a representatividade da categoria. Ele destacou desde a recente eleição, marcada por disputas democráticas, até a atuação do conselho na fiscalização, na expansão para o interior e na defesa de projetos de lei que criminalizam o exercício ilegal da profissão.

Eleição equilibrada e disputa democrática
Para Claudecir, a eleição à presidência do Creci-MT foi um exemplo de democracia e equilíbrio entre emoção e racionalidade. “Para mim, foi uma eleição desejável, necessária, da forma como ela deve ser. Como deve ser qualquer eleição. Toda eleição tem que ter pitadas de disputas acirradas, emocionais, racionais também, mas com equilíbrio”, afirmou. O processo, no entanto, quase não aconteceu: as três chapas inscritas, incluindo a sua, foram inicialmente indeferidas por erros burocráticos. “É mais difícil montar a chapa do que disputar a eleição”, comentou.

Após conseguir o deferimento da própria chapa, Claudecir e seus colegas tomaram uma decisão inédita: pressionaram para que as outras duas chapas concorrentes também fossem validadas. “Mandamos um documento à Justiça Federal e uma carta à junta eleitoral do Cofeci dizendo: Se depender de nós, não faremos oposição a erros documentais que não comprometam o processo”. O objetivo era garantir pluralidade. “É bom que se tenha outras chapas para que o corretor possa fazer suas escolhas de maneira democrática”, explicou. A estratégia deu certo: ele venceu com 67,12% dos votos válidos.

Expansão e visibilidade institucional
Um dos principais legados da gestão de Claudecir tem sido a maior exposição do Creci-MT perante a sociedade. “O conselho sempre esteve muito escondido. Nunca se apresentou de forma abrangente”, reconheceu. Para mudar isso, ele priorizou a presença física em todo o estado. “Durante nosso mandato, fui a pelo menos 86 municípios. O Creci começou a se fazer presente”.

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Além da aproximação com os corretores, a gestão investiu na estruturação da fiscalização. “Fui o primeiro presidente a realizar um concurso público sem percalços jurídicos”, destacou. Hoje, o conselho conta com fiscais domiciliados em oito municípios, escritórios equipados e veículos novos. O resultado refletiu nas finanças: a arrecadação saltou de R$ 5 milhões em 2021 para quase R$ 12 milhões em 2024, com projeção de alcançar R$ 16 a R$ 18 milhões em 2025.

Combate ao exercício ilegal e projeto de lei
Outro eixo central da gestão tem sido o combate aos ilegais. “Quando assumi, estimava-se que, para cada corretor registrado, havia oito atuando irregularmente. Hoje, esse número caiu para quatro”, afirmou. A redução se deve à fiscalização tecnológica — com sistemas que rastreiam anúncios em redes sociais em tempo real — e a projetos de lei.

No dia 28 de abril, o Creci-MT deu entrada no Projeto de Lei 1898/2025, em parceria com o senador Wellington Fagundes, para criminalizar o exercício ilegal da profissão. “Atualmente, não é crime se passar por corretor. É uma contradição deste país”, criticou. A proposta prevê que, a partir da autuação, o infrator já seja tratado como criminoso, com reflexos em seu CPF. “Diferente de tentativas passadas, que foram sigilosas, estamos convidando outros conselhos profissionais para se unirem a nós”, explicou.

Mato Grosso como motor do mercado imobiliário
Claudecir também destacou o papel do agronegócio no aquecimento do setor. “Mato Grosso é líder em investimentos. Desta terra verte leite e mel”, brincou. Com safras recordes e economia robusta, o estado atrai investidores para o mercado imobiliário, que responde por 18,9% do PIB nacional.

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Surpreendentemente, porém, o Creci nunca havia focado na fiscalização rural. “Percebi que faltava atuação no campo. Criamos uma diretoria específica, com veículo e coordenação próprios”, contou. A ideia é conscientizar produtores rurais sobre a importância do corretor registrado em transações de terras e arrendamentos.

O futuro: interiorização e especialização
Com cidades como Sinop projetadas para superar Cuiabá em população nos próximos 15 anos, o Creci-MT planeja descentralizar ainda mais suas operações. “Precisamos levar estruturas de julgamento de processos e autorizações para o interior”, afirmou.

Quanto ao impacto da tecnologia, Claudecir é categórico: “O corretor que permanecerá no mercado será o especialista — em comportamento humano ou na técnica imobiliária”. Para ele, a inteligência artificial não substituirá o papel do profissional, mas o potencializará.

Institucionalidade e poder político
Por fim, o presidente enfatizou a necessidade de os corretores reconhecerem seu poder coletivo. “Eles são agentes de transformação urbana, não apenas vendedores de imóveis”, disse. Prova disso foi a mobilização que derrubou, em menos de 24 horas, um decreto federal de 2022 que permitia a venda de imóveis por funcionários de construtoras. “Buscamos políticos como o senador Wellington Fagundes, e o próprio Bolsonaro revogou o decreto”, relembrou.

A expectativa é que, com maior visibilidade, o Creci seja incluído em discussões sobre planos diretores e políticas habitacionais. “Improvável que o governo fale de smart cities ou habitação sem nos chamar daqui para frente”, concluiu.

Com uma gestão marcada por expansão, rigor fiscalizatório e advocacy político, o Creci-MT consolida seu papel não apenas como regulador, mas como indutor do desenvolvimento imobiliário em um dos estados mais dinâmicos do país.

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