MATO GROSSO

Início da efetivação

Brasil e China firmam parceria que prevê ferrovia bioceânica ligando Atlântico e Pacífico

Brasil e China assinam parceria para construir ferrovia bioceânica que liga os oceanos Atlântico e Pacífico, e que integrará a FIOL. (Foto: Divulgação / Secom-MIDR)

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Pelo memorando de entendimento com o país asiático, o Ministério dos Transportes vai realizar uma ampla pesquisa e dar início aos planejamentos sobre a efetivação do corredor bioceânico, que promete mudar as relações comerciais entre África, América do Sul e Ásia.

 

Por Humberto Azevedo

 

Os governos do Brasil e da China assinaram nesta segunda-feira, 7 de julho, uma parceria para permitir a ligação entre o território brasileiro, desde os portos localizados no estado da Bahia, até o porto de Chancay, no Peru, a fim de facilitar o trânsito das exportações e do comércio que envolvem três continentes: Ásia, América do Sul e Áfirca, reduzindo o tempo de transporte e os custos.

 

O projeto inicial prevê que a ferrovia vai sair dos portos baiano em Salvador e Ilhéus, passando pelos estados de Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Acre, até chegar ao Peru. Ainda não há estimativas em relação ao custo da ferrovia, o que será orçado durante os estudos. Este corredor fará parte da Ferrovia de Integração Leste-Oeste, que ambrangerá ainda os estados da região Sudeste como Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

 

Do lado brasileiro, o chamado memorando de entendimento foi assinado pela empresa Infra S.A, vinculada ao Ministério dos Transportes, e, pelo lado chinês, foi assinado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Econômico China Railway. A cerimônia ocorreu de maneira virtual, na sede do Ministério, em Brasília, onde estavam integrantes do governo brasileiro e da embaixada da China. Os representantes do instituto chinês participaram por videoconferência.

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O acordo assinado nesta segunda prevê a parceria entre equipes brasileira e chinesa para aprofundar uma pesquisa sobre a estrutura logística nacional, com foco na intermodalidade e na sustentabilidade econômica, social e ambiental. Sendo assim, o estudo vai incluir além das ferrovias, hidrovias e rodovias. Para o secretário nacional de transporte ferroviário do Ministério dos Transportes, Leonardo Ribeiro, a parceria representa “um passo estratégico para o setor de transporte no Brasil, especialmente na área ferroviária”.

 

“É o primeiro passo de jornada técnica e diplomática para aproximar continentes, reduzir distâncias e reforçar a relação de longo prazo. Acreditamos que estamos concretizando parceria essencial com os melhores do mundo para resolver nossos gargalos na infraestrutura de transporte”, enfatizou o secretário nacional de transporte ferroviário, Leonardo Ribeiro.

 

De acordo, ainda, com o secretário Ribeiro, o acordo tem prazo inicial de cinco anos e pode ser prorrogado. Ele relembra que entre os anos de 2015 e 2016 foram feitos estudos sobre o tema, mas o projeto não foi adiante porque o Brasil “estava em outro contexto”. Agora, ele acredita que vai ser possível porque o país se desenvolveu mais em termos de infraestrutura, como nas ferrovias, e que pode ser possível utilizar as já existentes no plano.

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12 DIAS A MENOS

 

Projeções do governo do Peru dão conta de que é possível reduzir de 40 para 28 dias o tempo necessário de deslocamento da carga entre os dois continentes. O porto de Chancay foi financiado pelo governo chinês e inaugurado em 2024 pelo presidente Xi Jinping. O porto integra a iniciativa “Cinturão e Rota”, conhecida como “Nova Rota da Seda”. O governo brasileiro não aderiu plenamente à iniciativa — que prevê investimentos chineses na área da infraestrutura em vários países do mundo.

 

Recentemente, líderes de países da América Latina se encontraram com Xi Jinping na China para tentar aproximar a região dos investimentos chineses. O entendimento do governo brasileiro é que, como a China já é o principal parceiro comercial do Brasil e já faz volumosos investimentos no país, não há necessidade de adesão formal à Nova Rota da Seda – o que tem irritado representantes do governo chinês. Além disso, Brasil e China integram grupos multilaterais que permitem a discussão de parceria econômica, a exemplo do Brics.

 

Com informações de assessoria.

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