Troca de ministro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitiu nesta quarta-feira,17, o atual ministro do Turismo, Celso Sabino, nove dias após o parlamentar ser expulso da legenda União Brasil. O anúncio foi feito no final da reunião ministerial anual realizada na Granja do Torto, em um clima de constrangimento. Sabino será substituído por Gustavo Damião, filho do deputado Damião Feliciano (União Brasil-PB). Sabino, aliado do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), negocia para se filiar ao Republicanos para se candidatar ao Senado com apoio de Lula. A demissão atende a um pedido da ala governista do União Brasil formado por 25 dos 59 deputados, cuja bancada rachou após o rompimento formal do partido com o governo. Lula busca manter o apoio dos 25 deputados da sigla até abril, quando estarão livres para trocar de partido, que votam com o Planalto, visando à sua candidatura à reeleição em 2026.
Saída de Sabino

De acordo com informações de fontes do Planalto, a demissão do ministro do Turismo, Celso Sabino, anunciada por Lula nesta quarta-feira, 17, foi um ajuste político previamente combinado para acomodar a expulsão do parlamentar do União Brasil. O substituto será Gustavo Damião, filho do deputado Damião Feliciano (União Brasil-PB), vice-líder do governo na Câmara, indicado pela legenda para manter o controle da pasta. Durante a reunião ministerial na Granja do Torto, onde a mudança foi comunicada, o presidente dedicou parte de sua fala a criticar a comunicação do governo. Lula afirmou que, embora o cenário nacional seja favorável, a polarização impede que os avanços sejam percebidos pela população com a intensidade desejada. Ele destacou que 2026 será “o ano da verdade” eleitoral e admitiu que o governo ainda não encontrou a narrativa correta para mostrar suas conquistas.
Recondução

O deputado Pedro Lucas Fernandes (MA) foi reconduzido por aclamação à liderança do União Brasil na Câmara para 2026 em uma rara demonstração de união e coesão de todo o espectro do partido. A escolha congregou desde os 15 deputados mais alinhados ao bolsonarismo e declaradamente oposicionistas, passando pelos 19 que se definem como independentes, até os 25 integrantes que compõem a ala governista da legenda. A recondução foi aprovada no mesmo dia em que o presidente Lula demitiu o ministro do Turismo, Celso Sabino, expulso da agremiação partidária há nove dias por descumprir a ordem do partido para deixar o governo. Pedro Lucas destacou a responsabilidade do cargo em um ano eleitoral e atribuiu o apoio recebido a um trabalho baseado no diálogo e na construção coletiva.
Flávio vs Tarcísio

De acordo com análise de fontes do “centrão” e do Planalto, a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) está desidratando as pretensões presidenciais do governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao bloquear o eleitorado de direita. Segundo estas fontes, a última pesquisa “Genial/Quaest” divulgada nesta terça-feira, 16, mostra que Flávio, o filho “zero dois” do ex-presidente, atua como um “avatar” do pai, com 23% das intenções de voto no primeiro turno e alcançando o mesmo patamar em um eventual segundo turno contra Lula, onde ambos teriam cerca de 35%. Os números indicam que Flávio concentra, mas não expande o núcleo duro bolsonarista, travando o crescimento de nomes alternativos da oposição. Paralelamente, a avaliação do governo Lula mostra estabilidade, com 48% de aprovação e melhora nos indicadores econômicos percebidos, o que dificulta a capitalização eleitoral da oposição.
Sem humor na Faria Lima

De acordo com informações de fontes do “centrão” e também do Planalto, a pesquisa “Genial/Quaest” revela um cenário eleitoral paradoxal que atende aos interesses do presidente Lula, mas preocupa a base governista. Apesar de registrar 49% de rejeição e ter 64% da população contra sua recandidatura, Lula venceria facilmente todos os cenários de segundo turno em 2026. O dado mais delicado para o “centrão” é que a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vai ganhando força como principal nome da oposição, empatando em intenção de voto no segundo turno com o preferido das elites econômicas, Tarcísio de Freitas. Essa polarização entre lulismo e bolsonarismo é vista com desgosto pelo “centrão” e pela Faria Lima, que considera a superação dessa dicotomia como o melhor caminho para o país.
Balanço de governo

De acordo com informações de fontes do Planalto, o presidente Lula encerrou 2025 afirmando que seu governo promoveu um “reset” no Brasil após herdar um país “praticamente dizimado” em 2023, com um déficit oculto superior a R$ 200 bilhões anuais. Na última reunião ministerial do ano, na Granja do Torto, o presidente e seus ministros detalharam uma reconstrução que, em menos de três anos, resultou no menor desemprego da história (5,4%), no maior salário real médio e na previsão de menor inflação quadrienal de todos os tempos. Os dados apresentados pelo ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, mostram que quase 9 milhões de brasileiros saíram da pobreza apenas em 2025, e investimentos de R$ 1,7 trilhão pelo “Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)” em retomada de obras em educação, infraestrutura, desenvolvimento regional e saúde.
Arruda no PSD

A filiação do ex-governador de Brasília, José Roberto Arruda, ao PSD de Gilberto Kassab, presente no evento, foi recebida com frieza nos bastidores políticos da capital federal, com impacto abaixo do esperado e sem gerar o entusiasmo que sua campanha almejava. O evento de adesão, apesar de ter sido realizado no Centro de Eventos Ulysses Guimarães, foi discreto com um palanque formado por caciques nacionais e figuras políticas brasilienses em baixa, tentou transmitir uma mensagem de renovação de alguém que quer retornar à cena política depois do escândalo que ficou conhecido nacionalmente de “mensalão do DEM” – partido que hoje passou a se chamar União Brasil. Mas o principal fato de sua filiação ao PSD foi a indefinição se ele poderá, ou não, se candidatar nas eleições de 2026.
Acordo para o PL da dosimetria

A aprovação do PL da Dosimetria na CCJ do Senado expôs um grave conflito político, marcado pela acusação do senador Renan Calheiros (MDB-AL) de que um acordo nos bastidores trocava a votação da matéria pelo avanço de uma pauta de interesse do governo, o Projeto de Lei Complementar (PLP) 128 de 2025 que corta linearmente 10% de benefícios tributários concedidos. A denúncia, que incluiu alegações do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) sobre a participação do ministro do Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em negociações, foi veementemente negada publicamente pelo líder do governo, Randolfe Rodrigues (PT-AP). Apesar do embate e da orientação formal do Planalto pela rejeição do projeto, que reduz penas e pode beneficiar condenados por crimes contra a democracia, o texto foi aprovado na comissão por 17 votos a 7.
PL da “devastação” no STF

O Partido Verde (PV) ingressou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal contra a lei que derrubou os vetos presidenciais e chamado por ambientalistas de “PL da Devastação”. A legenda alega que a norma, sancionada como Lei 15190 de 2025, promove um afrouxamento generalizado da proteção ambiental em todo o país. Entre os pontos questionados estão a ampliação das dispensas de licenciamento ambiental e a instituição da licença ambiental autodeclaratória como regra. A ação também aponta riscos específicos a biomas, com destaque para a Mata Atlântica, e critica a exclusão da obrigatoriedade de análise de impacto sobre comunidades indígenas e quilombolas. O PV argumenta ainda que a lei reduz o controle estatal ao enfraquecer a atuação de órgãos como o ICMBio e a Funai, além de anistiar empreendimentos irregulares e diminuir a responsabilidade socioambiental de instituições financeiras.
Fim da escala 6 x 1

De acordo com informações de fontes do Planalto, a proposta de acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada para 36 horas semanais é uma das grandes apostas do governo para o embate eleitoral de 2026, tanto para reeleger o presidente Lula, como para ampliar a bancada governista dos atuais 120 para no mínimo 190 deputados federais. A PEC 148 de 2025, do senador Paulo Paim (PT-RS), foi aprovada pela CCJ do Senado no último dia 10 em votação simbólica, prevendo a redução progressiva da jornada, sem corte salarial. Relator da proposta, o líder do PT no Senado, Rogério Carvalho (PT-SE), argumenta que a medida beneficiará mais de 150 milhões de brasileiros, melhorando a saúde e a qualidade de vida.



























