Manobra

A decisão do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), de designar o deputado Guilherme Derrite (PP-SP) como relator do Projeto de Lei (PL) anti-facção está sendo interpretada por amplos setores do Congresso – incluindo governistas, do “centrão” e até mesmo da oposição – como uma manobra para não votar a matéria encaminhada pelo governo federal. O objetivo da estratégia, segundo fontes ouvidas por esta coluna, seria atender às pressões do senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do PP, que busca travar a aprovação não só deste projeto, mas também a proposta que põe fim às estratégias do “devedor contumaz” – já aprovada pelo Senado e que aguarda votação na Câmara mesmo com o pedido de urgência já aprovado.
Carbono oculto

O impasse em torno do “PL anti-facção” ocorre justamente após as investigações da Polícia Federal (PF) que, por meio da “Operação Carbono Oculto”, começa a atingir o entorno do senador piauiense. As apurações revelaram supostas conexões de empresas e aliados de Ciro Nogueira com um esquema de lavagem de dinheiro do PCC no setor de combustíveis, que se expandiu de São Paulo para o Piauí. Apelidada de “Operação Carbono Oculto 86”, revela elos financeiros entre empresas investigadas e o círculo próximo do senador. Entre as evidências estão: Transferência de R$ 230 mil do ex-dono da rede de postos HD, acusado de integrar o esquema do PCC de adulteração de combustíveis, Haran Sampaio, para Victor Linhares, ex-assessor, “compadre” de Ciro Nogueira e que estava sendo “trabalhado” para concorrer, em 2026, a deputado estadual pelo PP piauiense.
Uso do bolsonarismo

Diante do avanço das investigações sobre aliados, Ciro Nogueira – tido como principal “mentor” de Hugo Motta – teria pressionado para evitar a votação do “PL anti-facção” convocando o ex-malufista e bolsonarista Derrite para articular junto às lideranças bolsonaristas a transformação do projeto do governo numa matéria que basicamente passaria a endurecer às penas. Atualmente, Derrite – cotado para ser candidato ao Senado em 2026 ou ao governo estadual, caso o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) decida concorrer ao Planalto – já apresentou quatro versões diferentes que desvia completamente a proposta original encaminhada pelo governo, limitando a ação da PF e desviando recursos de fundos federais de segurança para os estados. A última versão, apesar dos recuos em pontos mais polêmicos, mantém o tom do enfrentamento com o governo federal, ao qual acusa a proposta de “descapitalizar os fundos nacionais que financiam a segurança pública”.
Governadores da direita

A atuação de Derrite também desagradou governadores de oposição, como Cláudio Castro (PL-RJ), Jorginho Mello (PL-SC), Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) e Romeu Zema (Novo-MG), que ao verem e perceberem a movimentação política alçando a dupla Derrite e Tarcísio como contraponto ao Planalto, decidiram parar tudo e pedir o adiamento da votação da proposta para se recolocarem no jogo. Todos os getores de direita criticaram a falta de diálogo com os estados e a tentativa de São Paulo de assumir a “paternidade” de um “novo marco da segurança pública”. A pressão conjunta resultou no adiamento da votação, inicialmente prevista para esta semana, em uma clara demonstração de que a condução do processo por Motta e Derrite isolou politicamente a proposta, podendo a iniciativa não ser votada como quer Ciro Nogueira por fontes nos bastidores.
Jantar “casual”

A crise causada em torno do “PL anti-facção”, além de escancarar as disputas eleitorais de 2026, com Tarcísio de Freitas e Guilherme Derrite buscando “capital político” sobre o tema da segurança, acabou gerando um “mal-estar” nos diversos campos políticos do “centrão” e da oposição ao governo Lula. Para tentar “botar ordem”, aconteceu na noite desta última quarta-feira, 12 de novembro, um jantar “casual” e nada discreto no restaurante português “Manuelzinho”, localizado na 404 Sul, entre Derrite com os ex-presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) e o carioca Eduardo Cunha (Republicanos-MG), horas após o adiamento da votação ser anunciada, discutindo o futuro da proposta, que pretende combater o crime organizado dentro dos interesses políticos do centrão e à proteção de investigados na Operação Carbono Oculto.
Sem desconto

Um dia após o adiamento do imbróglio que se tornou o “PL anti-facção”, uma operação da PF, que deflagrou a terceira fase da “Operação Sem Desconto” causou tensão política ao máximo, prendendo o ex-presidente do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), Alessandro Stefanutto, indicado pelo ex-ministro da Previdência – Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, aliado do governo Lula, no esquema que desviou bilhões de aposentados e pensionistas em empréstimos consignados fraudados. Caso o texto apresentado pelo deputado Derrite tivesse sido aprovado, tal operação realizada nesta quinta não teria sido realizada, graças a intenção proposta pelo secretário de Segurança Pública de SP que retira recursos da PF.
Operação Nêmesis

Nesta última quarta, 12, a PF deflagrou a “Operação Nêmesis”, que cumpriu 24 mandados de busca em Tocantins, incluindo o governador afastado Wanderlei Castro Barbosa (Republicanos) e aliados. A investigação aponta que o grupo obstruía as investigações da “Operação Fames-19”, que apura desvios de R$ 73 milhões em contratos de cestas básicas durante a pandemia. Barbosa, afastado desde setembro, é suspeito de comandar esquema que usava veículos oficiais para destruir provas. A defesa do governador nega irregularidades e alega que ele aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) para retornar ao cargo. O caso mantém o estado do Tocantins em instabilidade política sendo governado pelo vice, Laurez Moreira (PSD). O antecessor, Marcelo Miranda (MDB), que governou o estado até 2018, também foi afastado por suspeitas de corrupção.
Sem nascimento

Durou cerca de nove meses, uma gestação, o período em que o senador brasiliense e ex-tucano, Izalci Lucas, decidiu passar pelo PL do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro. Sem apoio na legenda para concorrer ao Governo do Distrito Federal (GDF), em 2026, o senador deve trocar a legenda presidida nacionalmente por Valdemar da Costa Neto pelo PSD de Gilberto Kassab, que comanda a Secretaria de Governo da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo. O PL se encaminha para apoiar a reeleição da atual vice-governadora Celina Leão (PP), que herdará em abril o comando do GDF de Ibaneis Rocha (MDB), pré-candidato ao Senado, ao lado da bolsonarista Bia Kicis, que pretende se transferir para a Casa da Federação numa chapa com o emedebista, apoiada por Michelle Bolsonaro – cada vez mais próxima de ser a candidata do partido ao Planalto, ou vice de uma suposta candidatura de Tarcísio à Presidência, em 2026.
COP dos milagres

Representantes do “Observatório do Clima” afirmam que a 30ª edição da Conferência sobre mudança no clima das Nações Unidas (COP-30), realizada em Belém (PA), pode vir a ser a “COP dos milagres”. De acordo com os representantes desta Organização Não Governamental (ONG), vem superando expectativas iniciais com o centro de conferências pronto e participação massiva de países, apesar de problemas como falhas no ar-condicionado e alagamentos. Segundo a entidade, o maior avanço, inesperado, surge fora da agenda oficial, que é a construção de um “mapa” para eliminação gradual de combustíveis fósseis lançado pelo presidente Lula, que teria abraçado a causa publicamente, com encaminhamentos favoráveis de peso como Alemanha, Reino Unido (Inglaterra), Colômbia e Dinamarca. O vice-ministro alemão Jochen Flassbach e a ministra britânica Rachel Kight declararam apoio integral à proposta, que seria um passo significativo para implementar o compromisso de Dubai.
ABNT na COP

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) lançou durante a COP-30, em Belém, a primeira norma brasileira para capacitação na manutenção segura de veículos elétricos e híbridos. A norma (PR 1025) estabelece requisitos técnicos e três níveis de qualificação profissional para atuação com sistemas de alta tensão, abrangendo desde intervenções mecânicas até diagnósticos elétricos complexos. Para o presidente da ABNT, Mário William Esper, o mercado brasileiro de veículos elétricos cresceu 89% em 2024, ultrapassando 126 mil unidades produzidas em 2025, demandando padrões de segurança. Desenvolvida em parceria com o Instituto da Qualidade Automotiva (IQA), a norma recebeu contribuições de montadoras, do Senai, da Anfavea e de demais entidades do setor. O documento define critérios de formação, experiência e capacitação obrigatória.































