PP condiciona apoio à Flávio Bolsonaro

A federação União progressista e o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), afirmou que o partido só decidirá sobre a chapa presidencial mais adiante. Para ele, vencer a eleição é mais importante que indicar o ou a candidata à vice-presidência.
Radical ou moderado
A federação avalia apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL) caso a senadora Tereza Cristina (PP-MS) seja a vice, mas espera a evolução do discurso de campanha de Flávio Bolsonaro. Se ele adotar um tom bolsonarista radical, Ciro acredita que o candidato perderá.
Zema como vice
A corrente bolsonarista do PL defende uma campanha ultraconservadora e ultraliberal, focada em costumes. Eles preferem o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), como vice na chapa de Flávio Bolsonaro.
Decisão por Minas
Zema tem vantagem eleitoral por ser de Minas Gerais, estado decisivo nas eleições desde a redemocratização, em 1989. Quem ganha em Minas, ganha a eleição nacional. A estratégia bolsonarista é atrair parte do PSD, partido do governador Mateus Simões, que foi escolhido por Zema como seu sucessor.
Divisão regional
A federação formada por União Brasil e PP enfrenta dificuldades para fechar com qualquer nome porque o “centrão” varia conforme a região. No Nordeste, a maioria dos cabos eleitorais dos dois partidos apoiam Lula (PT). À medida que se avança para o Sul, o apoio migra para Flávio Bolsonaro (PL).
Fragmentação quase fatal
Essa fragmentação, quase fatal, dificulta uma definição nacional única, mantendo o partido em compasso de espera diante do cenário polarizado.
“Centrão” teme ser atropelado pelo bolsonarismo

O “centrão” teme que uma aliança formal com o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, devido ao histórico autoritário dos bolsonaristas no governo do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, levem as legendas que compõem este campo sejam atropeladas.
Acordos desmontados
Aliados centristas reclamavam que acordos eram desmontados a mando do clã Bolsonaro, que não dividia espaços de poder. Flávio comandava o PL no Rio com mão de ferro, enquanto o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e o ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro interferiam em praticamente todas as áreas, gerando brigas com lideranças do próprio campo bolsonarista e do “centrão”. Na chapa presidencial, o “centrão” quer Tereza Cristina (PP) de vice, mas os bolsonaristas insistem em Zema.
Intervenções
Na montagem de alianças estaduais, o clã voltou a agir: Carlos Bolsonaro foi imposto como candidato ao Senado em Santa Catarina; o ex-juiz Sérgio Moro, como candidato ao governo no Paraná, desmontando acordos com PP, PSD, Podemos e MDB. Em São Paulo, Eduardo Bolsonaro quer impor o deputado Gil Diniz ao Senado. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro quase desmanchou a aliança do PL com o tucano de volta ao ninho, Ciro Gomes, no Ceará.
Força-tarefa
Após o fechamento da janela partidária na última sexta-feira, 3, os políticos do “centrão” descobriram uma nova força-tarefa bolsonarista para tomar parlamentares do grupo. O PL, sob comando de Valdemar Costa Neto, centralizou decisões e ameaçou intervir em diretórios que não seguissem a executiva nacional. Mais de 120 deputados trocaram de sigla. O União Brasil perdeu nomes como Mendonça Filho para o PL. O centrão sentiu-se atropelado, temendo que uma vitória de Flávio repita o modelo imposto pelo pai num eventual governo a partir de 2027.
Parecer de minerais críticos adiado

O deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) adiou a apresentação do parecer sobre o PL 2708 de 2024, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), de 7 para 21 de abril. A decisão atende a pedido do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do governo federal, que buscam maior sintonia com o Ministério de Minas e Energia (MME), da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDICS), para construir consenso e minimizar resistências na votação em plenário.
Medidas do projeto
O projeto, com regime de urgência aprovado, estrutura-se em três pilares: Plano Nacional de Mineração, Política Industrial e Plano Nacional de Fertilizantes. Prevê a inclusão de minerais críticos no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento de Infraestrutura (Reidi) para reduzir a carga tributária e atrair investimentos. Também cria um Fundo Garantidor da Atividade Mineral para facilitar crédito a pequenas e médias empresas que exploram lítio e terras raras, essenciais para energia limpa. Jardim descartou a criação de nova estatal, optando por incentivar a iniciativa privada.
Independência nacional
O governo Lula mantém postura de independência em relação a alianças internacionais sobre minerais críticos, como a proposta liderada pelos EUA, preferindo negociações bilaterais que respeitem interesses estratégicos. Autoridades avaliam que a posição americana pode limitar a liberdade de escolha do país. Com o adiamento, espera-se que o texto final ganhe um maior respaldo político, garantindo que as políticas atendam ao mercado e aos objetivos de longo prazo do governo.
Brasil amplia pauta na China

O Brasil avançou na diversificação da pauta exportadora para a China com a chegada das primeiras cargas de DDGS (Grãos Secos de Destilaria com Solúveis), coproduto do etanol de milho, ao porto de Nansha, em Guangzhou. O acesso foi autorizado em maio de 2025, após tratativas sanitárias lideradas pela União Nacional do Etanol de Milho (Unem). O primeiro navio transportou 62 mil toneladas do produto. Em novembro do mesmo ano, os primeiros estabelecimentos brasileiros foram habilitados a exportar DDG/DDGS ao país asiático.
Farinha de vísceras de aves
O Brasil também enviou o primeiro contêiner de farinha de vísceras de aves à China, utilizada principalmente na alimentação animal. A abertura do mercado ocorreu em abril de 2023, a partir de demanda apresentada pela Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra). A operação amplia as oportunidades para a indústria nacional no segmento, evidenciando como a atuação conjunta entre governo e setor produtivo pode gerar novas frentes de comércio.
China como principal destino
Com cerca de 1,4 bilhão de habitantes, a China é o principal destino das exportações do agronegócio brasileiro. Em 2025, o país importou R$ 284,8 bilhões em produtos agropecuários do Brasil, o equivalente a 32,7% do total exportado pelo setor. As novas aberturas reforçam a estratégia de ampliação e diversificação da pauta exportadora brasileira.
MAPA e CVM firmam acordo

O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) assinaram um Acordo de Cooperação Técnica para desenvolver o setor agropecuário por meio do mercado de capitais. Atualmente, parte relevante dos recursos destinados ao agro já provém de operações no mercado de títulos e valores mobiliários, tornando a parceria estratégica para o setor.
Compartilhamento técnico
O convênio prevê o compartilhamento de conhecimento técnico, o aperfeiçoamento de diagnósticos e análises, além da formulação e disseminação de ações para promover o acesso ao financiamento de atividades agropecuárias via mercado de capitais. A coordenação ficará a cargo da Secretaria de Política Agrícola (Mapa) e da Superintendência de Securitização e Agronegócio (SSE) da CVM.
Vigência e abrangência
O acordo tem duração de dois anos, a contar da data de publicação no Diário Oficial da União, podendo ser prorrogado mediante aditivo. A iniciativa busca ampliar as fontes de crédito para o agro, diversificando o financiamento além do sistema bancário tradicional e fortalecendo a competitividade do setor no mercado internacional.
Pacote para combustíveis

O presidente Lula assinou nesta segunda-feira, 6, medidas para conter o impacto da guerra no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis. A subvenção para importação de diesel rodoviário será de R$ 1,20 por litro, dividida entre União e estados, de R$ 0,60 cada. Até o momento, 25 estados confirmaram participação.
Nova subvenção
Para o diesel nacional, nova subvenção de R$ 0,80 por litro, apenas com recursos federais. Ambas as medidas têm custo estimado de R$ 4 bilhões, sendo R$ 2 bi da União + R$ 2 bi dos estados para o diesel importado e R$ 3 bilhões mensais para o nacional, válidas para os meses de abril e maio, podendo ser prorrogados.
GLP e aviação
O governo pagará uma subvenção de R$ 850 por tonelada de GLP importado, totalizando R$ 330 milhões, para equalizar preço ao produto nacional e reduzir impacto sobre o gás de cozinha.
Aviação
Para o setor aéreo, foram criadas linhas de crédito de até R$ 2,5 bilhões por mutuário junto ao Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC) via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e R$ 1 bilhão para capital de giro, além de zerar a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre o querosene de aviação, resultando numa economia de R$ 0,07 por litro.
Fiscalização
A Medida Provisória (MP) editada agrava penalidades em situações de conflito geopolítico por elevação abusiva de preço e recusa de fornecimento. Um Projeto de Lei (PL) em regime de urgência cria novo tipo penal para aumento abusivo de preços, com pena de dois a cinco anos de prisão. Também prevê mecanismo para agentes econômicos suavizar oscilações internacionais de preços.
Vigiagro apreende três toneladas

As equipes da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) apreenderam mais de 3 toneladas de produtos irregulares em bagagens de passageiros no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, durante o mês de março. Em um único dia, as apreensões chegaram a 270 quilos. A fiscalização ocorre diariamente em aeroportos, portos e fronteiras secas do país para impedir a entrada de pragas e doenças que possam comprometer a agropecuária nacional.
Riscos sanitários
Entre os itens apreendidos estão cogumelos, grãos, camarão, pescado e embutidos suínos de produção caseira. Derivados de suínos representam risco de introdução da peste suína africana, doença sem cura que exige o sacrifício dos animais. Produtos vegetais também podem transportar pragas na ausência de controle fitossanitário adequado. Em uma das malas, foi localizado um produto amarelado não identificado, cuja origem não foi informada pelo passageiro.
Fiscalização reforçada
A fiscalização conta com apoio de cães farejadores treinados para identificar produtos de origem orgânica. No sábado, 28 de março, os animais localizaram embutidos, plantas e frutas na bagagem de um passageiro. A ação nas portas de entrada do país é fundamental para impedir a introdução de pragas quarentenárias ainda inexistentes no território nacional, contribuindo para a proteção da produção agropecuária brasileira.
Escala 5×2 avança

Empresas de diferentes setores já estão adotando voluntariamente a escala 5×2, que garante dois de descanso para cada cinco dias de trabalho, antecipando-se à possível aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da jornada 6×1. O restaurante Gurumê, em Brasília, implementou a mudança em março e registrou aumento de produtividade. O dono, Wilkys Ohara, afirmou que a decisão priorizou o bem-estar dos funcionários, com ajustes pontuais na operação.
Benefícios e resultados
As redes de drogarias Pacheco e São Paulo (Grupo DPSP) adotaram a escala 5×2 em todas as unidades, beneficiando cerca de 24 mil profissionais. O diretor do conglomerado, Marcos Colares, calcula que os trabalhadores passarão de 64 para 96 dias de folga por ano. A empresa afirma que a mudança traz mais equilíbrio e bem-estar, permitindo descansos em sequência. O Atacadista Super Adega também adotou o regime 5×2 desde fevereiro e divulgou a novidade em vídeo nas redes sociais.
Apoio popular
O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), autor da PEC 221 de 2019, está confiante na aprovação da matéria, que pode ser votada no plenário da Câmara em maio. Pesquisa Datafolha aponta que 71% dos brasileiros desejam o fim da escala 6×1. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já sinalizou que a proposta será pautada.
STF condena financiadores

A Primeira Turma do STF condenou o empresário catarinense Alcides Hahn a 14 anos de prisão em regime fechado por financiar com R$ 500 um ônibus que levou um manifestante aos atos golpistas de 8 de janeiro. Também foram condenados Rene Afonso Mahnke e Vilamir Valmor Romanoski pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa armada.
Financiamento e provas
A decisão foi tomada no dia 2 de março no plenário virtual, com voto do relator Alexandre de Moraes, acompanhado por Cármen Lúcia, Flávio Dino e, com ressalvas, por Cristiano Zanin. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), Romanoski transferiu mais de R$ 10 mil para a contratação do ônibus que saiu de Blumenau (SC) com 41 pessoas e organizou o recebimento de valores via Pix.
Coordenação dos manifestantes
De acordo ainda com a PGR, mensagens em seu celular indicam que coordenou os manifestantes, organizou vagas e pediu ajuda financeira para o retorno de participantes. Mahnke repassou R$ 1.000 à empresa responsável pelo transporte. Os três terão de pagar indenização por danos morais coletivos de R$ 30 milhões, junto a outros condenados pelos ataques de 8 de janeiro.
Defesa e fundamentação
A defesa de Hahn alegou que a acusação se baseia apenas em um comprovante de Pix e que não há prova de que ele sabia da finalidade ilícita. Moraes, porém, afirmou que os três “aderiram subjetivamente à empreitada criminosa, contribuindo de maneira efetiva e relevante”. Para o relator, a conduta é “extremamente grave” por visar aniquilar pilares do estado democrático de direito. Os embargos da defesa foram retirados de pauta, e nova data para análise ainda não foi marcada.
Socorro ao BRB

O deputado Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR) encaminhou ofício ao presidente do Banco Central do Brasil (BCB), Gabriel Galípolo, manifestando preocupação com possível apoio institucional ao Banco de Brasília (BRB). Estimativas indicam necessidade de recomposição de capital de até R$ 8 bilhões e captação de R$ 4 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Precedente perigoso
O deputado paranaense ressalta que o BCB sempre teve rigor técnico, com intervenções e liquidações firmes de bancos estaduais. Embora o BRB não seja classificado como risco sistêmico nacional, um eventual resgate abriria precedente perigoso, afetando a confiança do mercado. Hauly aponta indícios de falhas graves na governança, controles internos e gestão de riscos do banco, além da ausência de responsabilização dos gestores envolvidos.
Critérios inegociáveis
Hauly defende que qualquer decisão do BC deve seguir critérios rígidos: cumprimento estrito das normas prudenciais, proibição de tratamento privilegiado por ser banco estatal, prioridade a soluções de mercado e aplicação de medidas de resolução se confirmada a inviabilidade. “A credibilidade do sistema financeiro não pode ser relativizada. Regras existem para serem cumpridas”, conclui.


















