Pressão para CPMI Master

Foi protocolada nesta terça-feira, 3 de fevereiro, com um número histórico de 278 assinaturas, o pedido para instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master, que evidencia uma pressão política esmagadora sobre o governador do DF. O recorde de apoio no Congresso, com 42 senadores e 236 deputados federais, é interpretado pela oposição como um claro sinal de desgaste e isolamento do governador Ibaneis Rocha (MDB), cujo governo está no epicentro do escândalo que envolve o Banco Regional de Brasília (BRB). Os parlamentares de oposição celebraram a mobilização como uma vitória inicial na busca por responsabilização, argumentando que a sociedade exige transparência sobre as operações que levaram à fraude bilionária. A investigação parlamentar, agora com legitimidade ampliada pelo apoio transversal, promete escrutinar não apenas as irregularidades financeiras, mas também as conexões políticas que permitiram a negociação entre o BRB e o Master.
Ibaneis se esquiva de CPI

De acordo com informações de fontes bolsonaristas e de oposição ao governo Ibaneis, a decisão do governador Ibaneis Rocha de recusar a comparecer à CPI do Crime Organizado, enviando como representante o secretário-executivo de Segurança, Alexandre Patury, em seu lugar, é vista como uma tentativa clara de protelar e esquivar-se do escrutínio parlamentar, sobretudo, das investigações do Banco Master. Para os críticos do governo, a ausência de Ibaneis reforça a imagem de um governador acuado pelo avanço das investigações sobre o escândalo e suas possíveis ramificações. O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), anunciou que apresentará um requerimento para convocar coercitivamente o governador, intensificando a pressão política. A oposição avalia que a relutância em prestar depoimento alimenta suspeitas e prejudica ainda mais a já combalida imagem de Ibaneis, em um momento crítico onde a CPMI do Banco Master também avança com recorde de assinaturas no Congresso.
FPA prioriza derrubada de vetos e seguro rural

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) definiu como prioridade máxima para o início do ano legislativo a derrubada de vetos presidenciais considerados estratégicos para o agronegócio. Em coletiva realizada nesta terça-feira, 3, o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), destacou que o foco estará na garantia de segurança jurídica no campo, na manutenção do seguro rural e na defesa da competitividade do setor. Entre os vetos que a bancada pretende derrubar estão os que tratam da regularização de imóveis em faixas de fronteira e os dispositivos da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que asseguravam o não contingenciamento de recursos para o seguro rural, a Empresa brasileira de pesquisa agropecuária (Embrapa) e a assistência técnica. Lupion também abordou o acordo entre Mercosul e União Europeia, reiterando apoio ao tratado, mas alertou para o risco que cláusulas de salvaguarda adicionais impostas pelo bloco europeu.
BRB entrega auditoria à PF

O BRB entregou às autoridades o relatório preliminar da auditoria forense que investiga operações vinculadas ao escândalo Master. O documento, produzido pelo escritório Machado & Meyer com suporte técnico da Kroll, foi encaminhado à Polícia Federal (PF) na última quinta-feira, 29 de janeiro, e ao Banco Central do Brasil (BCB) na última segunda-feira, 2 de fevereiro. O banco afirma que, diante dos achados relevantes, já está adotando uma série de medidas judiciais e administrativas para resguardar seus interesses, recuperar créditos e buscar ressarcimento de eventuais prejuízos relacionados à Operação Compliance Zero. As ações envolvem fundos de investimento, garantias e carteiras de crédito adquiridas pelo BRB, com parte das medidas sob sigilo judicial. A entrega do relatório é vista como um movimento estratégico para demonstrar transparência e cooperação com as investigações em curso.
Nova líder do PT no Senado

A senadora Augusta Brito (PT-CE) foi eleita por aclamação, nesta terça-feira, 3, como a nova líder do PT no Senado para o ano de 2026. Ela será responsável por coordenar a bancada em um período legislativo que debaterá pautas consideradas prioritárias, como a mudança da escala de trabalho 6×1. Em sua primeira declaração, a parlamentar afirmou que assumia a missão com “espírito de unidade, escuta e firmeza”, com o objetivo de alinhar o Senado às necessidades da população e pautar justiça social, desenvolvimento e redução das desigualdades. A nova líder destacou também a defesa intransigente dos direitos do povo brasileiro, da democracia, dos direitos das mulheres e da inclusão social. A escolha foi elogiada por outros senadores do partido, como Rogério Carvalho (PT-SE), que entregou o cargo, e Teresa Leitão (PT-PE), que ressaltou o compromisso da colega cearense com a agenda de proteção das mulheres.
Lídice cobra ações para cacau

A deputada federal Lídice da Mata (PSB-BA) manifestou grande preocupação com a crise que atinge a produção de cacau, principalmente no sul da Bahia, e defendeu a adoção de medidas urgentes para proteger o setor. A parlamentar apontou dois fatores centrais para o agravamento da situação: a flexibilização da fiscalização fitossanitária e o deságio imposto pelas grandes indústrias importadoras. Ela criticou a Instrução Normativa 125, editada no governo do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL), por afrouxar o controle na entrada de cacau no país, o que poderia facilitar a introdução de pragas e doenças, repetindo a tragédia da vassoura-de-bruxa. Além disso, denunciou o prejuízo financeiro causado pelo deságio praticado pelas importadoras, que pode superar mil dólares por tonelada, comprometendo a sustentabilidade dos produtores. Diante deste cenário, Lídice anunciou que irá convocar a bancada baiana na Câmara para debater o tema e buscar uma reunião com o Ministério da Agricultura, visando construir soluções.
Rivalidade nos bastidores do DF

Nos bastidores políticos do Distrito Federal, a rivalidade entre o ex-governador José Roberto Arruda (PSD) e o atual chefe da Casa Civil, Gustavo Rocha, que pode ser o candidato do grupo do governador Ibaneis, é apontada como a mais quente do momento. Enquanto Arruda adota um discurso direto e ácido em entrevistas, Gustavo Rocha escolheu a estratégia de não rebater publicamente, preferindo operar longe dos holofotes. Aliados próximos a Arruda, em off, não poupam críticas ao atual secretário, afirmando que ele não teria densidade eleitoral nem seria páreo para uma disputa direta. A avaliação geral é de que 90% da eleição se resolve nos bastidores, onde alianças são costuradas, forças são medidas e narrativas públicas são desconstruídas ou validadas.
Tebet no PSB

De acordo com informações de fontes do Planalto, a cúpula do PSB concluiu que a ministra Simone Tebet, atualmente no MDB, aceitará o convite do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), e se filiará ao partido. A avaliação indica que Tebet é considerada a “grande aposta” da legenda e do Planalto para ser candidata ao Palácio dos Bandeirantes, fazendo uma “dobradinha” com a reeleição do presidente Lula. Caso permaneça no MDB, partido ao qual é vinculada por elos que remontam ao seu pai, o já falecido senador Ramez Tebet, a ministra estaria proibida de manifestar apoio a Lula no horário eleitoral, o que prejudicaria severamente suas chances eleitorais. A ministra já sinalizou a Lula sua intenção de concorrer ao governo paulista ou ao Senado, restando a dúvida se mantém o título eleitoral em Mato Grosso do Sul para se candidatar ao Senado, ou transferir o título para São Paulo.
Congresso no ringue em 2026

A primeira semana do ano legislativo está sendo marcada por um jogo de forças semelhante aos primeiros rounds de uma luta de boxe, com governo e oposição se estudando mutuamente. O placar inicial foi definido pela votação de medidas prioritárias do governo, como a Medida Provisória (MP) do “auxílio gás do povo” e a abertura de crédito para o setor rural, nas quais a oposição, acuada, evitou votar contra. No entanto, o campo de batalha se desloca para as CPIs, com os depoimentos de governadores Ibaneis Rocha (MDB-DF) e Claudio Castro (PL-RJ) sobre o escândalo do Banco Master. A oposição ameaça ampliar o fogo cruzado, citando nomes petistas e aliados do “centrão” também envolvidos, o que revela o caráter transversal do caso. A estratégia de ambos os lados será medida pela disposição em permitir que as investigações avancem, já que o escândalo atinge fundos de pensão de estados governados por diferentes partidos.
Turquia abre mercado

Os Ministérios da Agricultura e Pecuária (MAPA) e Ministério das Relações Exteriores (MRE) anunciaram a abertura do mercado turco para a castanha-do-Brasil, com e sem casca. O produto, reconhecido internacionalmente por seu alto valor nutricional, é extraído de forma sustentável por comunidades tradicionais, e sua exportação deverá promover geração de renda e desenvolvimento regional, alinhando produção e conservação da floresta. A Turquia vem se consolidando como um importante destino para o agronegócio brasileiro, tendo importado mais de R$ 16,8 bilhões em produtos do setor em 2025, com destaque para o complexo soja, café e fibras. Com esta conquista, o país atinge a marca de 535 aberturas de mercados internacionais desde o início de 2023, resultado do trabalho coordenado entre as duas pastas ministeriais.





















