O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, passou a ocupar posição estratégica na corrida pelo Governo de Mato Grosso em 2026 e virou alvo direto da pressão de lideranças políticas nos bastidores. Disputado tanto pelo grupo do senador Wellington Fagundes quanto pelo núcleo ligado ao vice-governador Otaviano Pivetta, Abilio ainda evita cravar apoio, mas já movimenta o cenário eleitoral.
Nas últimas semanas, o prefeito deu declarações que aumentaram ainda mais a tensão dentro do PL. Em entrevista recente, Abilio afirmou que possui uma relação “muito próxima” com Pivetta e admitiu que a amizade com o vice-governador pode gerar “dificuldades” dentro do projeto eleitoral do partido.
Ao mesmo tempo, o prefeito tenta evitar desgaste com o PL e reforça publicamente que não pretende “trair” o partido. “Sou prefeito do PL e não vou mudar essa posição”, declarou ao comentar a disputa interna entre Wellington e Pivetta. Em outro momento, Abilio resumiu o impasse político dizendo: “Torço pelos dois”.
A posição ambígua provocou desconforto entre lideranças liberais. Durante reunião do partido em março, Abilio chegou a defender Wellington, mas reafirmou diante da cúpula do PL que mantém apoio político e amizade pessoal com Pivetta. O gesto gerou mal-estar e expôs rachaduras internas dentro da sigla bolsonarista em Mato Grosso.
Outro movimento que chamou atenção aconteceu em fevereiro, quando Abilio participou de agenda em São Paulo ao lado de Pivetta e do governador paulista Tarcísio de Freitas. A presença do prefeito reforçou rumores de aproximação com o grupo político ligado ao Palácio Paiaguás.
Mesmo com a pressão crescendo, Abilio tenta ganhar tempo e sustenta o discurso de cautela. Recentemente, declarou que o PL precisa primeiro esgotar a possibilidade de candidatura própria antes de discutir eventual aliança com Pivetta. “Gosto do Pivetta, sou amigo dele, mas faço parte de um partido político”, afirmou.
Enquanto a eleição ainda parece distante oficialmente, nos bastidores o nome de Abilio já é tratado como decisivo para o rumo da direita em Mato Grosso. Com forte influência em Cuiabá e ligação direta com o eleitorado bolsonarista, qualquer movimento do prefeito pode mudar alianças, fortalecer candidaturas e até redefinir o jogo pelo Palácio Paiaguás em 2026.


























