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SOBRETUDO. Aos 60 anos, o MDB reuniu adversários para lembrar uma verdade que a política insiste em esquecer

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Em uma Assembleia Legislativa acostumada a disputas, críticas e embates eleitorais, a sessão especial em homenagem aos 60 anos do MDB produziu uma cena pouco comum na política catarinense atual.

Por algumas horas, adversários históricos dividiram o mesmo espaço não para discutir a próxima eleição, mas para reconhecer a importância de um partido que ajudou a moldar grande parte da história política de Santa Catarina.

E talvez tenha sido justamente isso que tornou o evento relevante.

Em um momento em que a política brasileira parece cada vez mais organizada em torno de lideranças individuais, o MDB decidiu celebrar algo que se tornou raro: a força de uma instituição política.

Quando os adversários prestam homenagem

A presença do senador Esperidião Amin foi um dos momentos mais simbólicos da cerimônia.

Durante décadas, MDB e Amin estiveram em lados opostos das principais disputas políticas catarinenses. Foram adversários em campanhas históricas, travaram embates eleitorais marcantes e representaram projetos distintos para o Estado.

Por isso, sua participação teve um significado que ultrapassou o protocolo.

O gesto demonstrou respeito a uma trajetória política que, concorde-se ou não com ela, ajudou a construir a democracia catarinense após o período militar.

O mesmo ocorreu com o deputado estadual Júlio Garcia e com o ex-governador Raimundo Colombo.

Ambos destacaram a capacidade histórica do MDB de formar lideranças, ocupar espaços institucionais e manter presença em praticamente todas as regiões do Estado ao longo de seis décadas.

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Mais do que elogios a um partido, os discursos pareciam reconhecer um fato difícil de contestar: poucos grupos políticos catarinenses tiveram influência tão duradoura quanto o MDB.

O recado mais forte veio de dentro de casa

Mas a fala que mais repercutiu nos corredores da Assembleia foi a do ex-governador Eduardo Pinho Moreira.

Sem citar nomes, sem atacar adversários e sem entrar nas disputas de 2026, ele fez uma reflexão que atingiu em cheio o atual momento da política brasileira.

Segundo Pinho Moreira, partidos construídos em torno de uma única liderança tendem a desaparecer quando essa liderança perde força.

Foi uma defesa clara das instituições partidárias, da renovação de quadros e da construção coletiva.

A observação não poderia ser mais atual.

Nos últimos anos, a política nacional passou a produzir cada vez mais partidos dependentes de uma figura central. Projetos que crescem rapidamente, mas que também carregam o risco de perder relevância quando o líder deixa a cena.

O MDB escolheu apresentar exatamente o argumento contrário.

O desafio que o MDB ainda precisa resolver

A comemoração também trouxe uma ironia inevitável.

Enquanto celebrava sua longevidade, o MDB continua enfrentando uma das maiores divisões internas de sua história recente.

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O partido segue dividido entre lideranças que defendem proximidade com o governador Jorginho Mello e grupos que apostam no projeto liderado por João Rodrigues.

A festa mostrou unidade institucional.

Mas não eliminou as divergências políticas.

Talvez por isso o evento tenha sido tão significativo.

Porque lembrou aos próprios emedebistas que a sobrevivência de um partido não depende apenas das disputas de uma eleição específica.

Depende da capacidade de atravessar gerações, governos, derrotas e vitórias sem perder sua identidade.

 

PONTO DE VISTA

A sessão dos 60 anos do MDB deixou uma mensagem que vai muito além do aniversário de uma legenda.

Em um período marcado pelo personalismo, pela política digital e pela centralização de poder em poucas lideranças, o evento resgatou uma discussão que parecia esquecida.

Partidos existem para ser maiores do que seus líderes.

A presença de antigos adversários como Esperidião Amin, Júlio Garcia e Raimundo Colombo mostrou que instituições políticas sólidas acabam conquistando algo raro na vida pública: respeito até de quem passou décadas combatendo suas ideias.

A frase de Eduardo Pinho Moreira talvez tenha resumido a noite.

Lideranças passam.

Partidos também podem passar.

Mas aqueles que conseguem sobreviver aos seus próprios líderes são os que realmente entram para a história.

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