Caiado quer Forças Armadas contra facções e promete ‘novo federalismo’
Ex-governador de Goiás e pré-candidato do PSD à Presidência da República aposta em debates para ser conhecido, defende regulamentação do cooperativismo e como de costume ataca PT: “só cresceu corrupção e crime”.
Por Humberto Azevedo
O pré-candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), defendeu o uso das Forças Armadas para ocupar territórios dominados por facções criminosas, a regulamentação do ato cooperativo e uma reforma federativa que transfira mais poderes a estados e municípios.
Estas afirmações aconteceram ao longo dos últimos dias, quando Caiado concedeu quatro entrevistas coletivas após visitas a Cooxupé, maior cooperativa cafeeira do país, situada em Guaxupé (MG), realizada no último 21 de maio; a reunião do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), em São Paulo (SP), na última segunda-feira, 25, mesma data em que também falou com à imprensa depois de participar de um encontro na Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil). Na quarta-feira, 27, Caiado também concedeu entrevista coletiva após participar do Seminário Lide Agronegócio em Cuiabá (MT).
O ex-governador de Goiás – que deixou o cargo com 88% de aprovação – também atacou o que chamou de “polarização estéril” entre PT e PL do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro. Para Caiado, a centro-direita deve se unir no segundo turno para derrotar o petismo – independente quem seja o candidato contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Com 53% de desconhecimento da população, segundo ele próprio admite, Caiado – que já foi candidato à Presidência da República em 1989, na primeira eleição presidencial realizada após o fim da ditadura militar – aposta nos debates eleitorais para apresentar sua trajetória de 40 anos de vida pública sem condenações.
Líder icônico da União Democrática Ruralista (UDR), Caiado citou como prioridades a verticalização da cadeia do café, a ampliação da logística ferroviária e a criação de um projeto de lei para classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas, ato que foi avalizada pelo governo norte-americano nesta última quinta-feira, 28 de maio. Especialistas apontam que a decisão do governo Trump pode servir de pretexto para interferência dos EUA no Brasil.
Em resposta à decisão dos EUA, o governo brasileiro afirmou em nota nesta sexta-feira, 29, “o terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional”.
Para o governo do presidente Lula, “o crime organizado não respeita fronteiras e seu combate exige ação conjunta” e que “medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime”. “A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança”, diz o trecho final da nota do governo Lula.
“Terrorismo significa ocupação de território. Você não tem como ter força de Polícia Militar e Civil na Amazônia brasileira para combater as facções. Ao classificá-las como terroristas, usarei a Aeronáutica, a Marinha e o Exército num combate frontal para recuperar o território brasileiro”, prometeu Caiado.
“O governo federal lavou as mãos. Antigamente, ele entrava com 52% nos gastos da saúde; hoje repassa 40% e joga 60% na mão dos prefeitos e governadores. Vou propor um novo federalismo ao Congresso”, criticou o presidenciável.
AGRONEGÓCIO

Caiado escolheu a Cooperativa Cooxupé para lançar suas propostas para o setor rural. Defendeu a regulamentação do ato cooperativo – previsto na Constituição, mas nunca efetivado – como forma de ampliar a competitividade do pequeno produtor.
O pré-candidato do PSD também criticou a dependência externa de fertilizantes e prometeu explorar potássio, fósforo e uréia no Brasil. Citou o café como exemplo de produto que precisa ser “verticalizado” – incluindo a produção de cápsulas em território nacional.
“Não existe nada que produza mais renda, mais garantia, mais condição de segurança no campo do que o cooperativismo. Nosso presidente [da Cooxupé] pode saber que ele terá o ato cooperativo na sua inteireza. (…) Hoje vendemos 80% do preço ao produtor rural. Isso é riqueza que chega dentro da porteira. Mas precisamos de logística: não é possível que nossas ferrovias não alcancem os lugares mais produtivos”, citou o ex-governador goiano.
SEGURANÇA
A principal bandeira da campanha de Caiado na área de segurança é a classificação de facções criminosas como organizações terroristas, o que – segundo ele – permitiria a atuação das Forças Armadas em território nacional, especialmente na Amazônia. Nos bastidores, militares de alta patente divergem do uso da Aeronáutica, Exército e Marinha para o combate efetivo com esses grupos criminosos. Para os oficiais, o uso das Forças Armadas deve ser chamado para fortalecer a segurança nas regiões de fronteira.
O pré-candidato afirmou ainda que mais da metade dos municípios amazônicos estão ocupados por grupos como PCC, Comando Vermelho, além de facções colombianas, venezuelanas e mexicanas. Para ele, a polícia convencional não tem capacidade de retomar o controle.
“O Brasil é reconhecido hoje na América e na Europa como aquele que mantém as maiores multinacionais do crime no mundo. Ou o Estado brasileiro resgata a condição de ser preponderante sobre o estado do crime, ou teremos um país em deterioração crescente”, comentou.
“Flávio Bolsonaro? Até o momento os argumentos que ele trouxe não foram convincentes. Mas não farei pré-julgamento. O foco principal é derrotar o PT no segundo turno. Quem cair no caminho, o objetivo final é vencer o PT”, respondeu Caiado ao ser questionado sobre as acusações das relações próximas que o presidenciável do PL ter mantido com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
ANTIPETISMO

Caiado afirmou que o PT está há 20 anos no comando do país “de forma intercalada” e que apenas dois setores prosperaram nesse período: as facções criminosas e a corrupção. Disse que o Brasil precisa de um presidente “com estatura moral e coragem pessoal”. O pré-candidato do PSD se apresentou como o “mais antigo adversário do PT”, desde 1986, e citou Goiás como exemplo de que é possível aliar responsabilidade fiscal com políticas sociais emancipatórias – contrapondo-se ao que chama de “populismo eleitoral”.
“O PT perdeu em 2018, o PL ganhou; depois o PL perdeu, o PT ganhou. O Brasil cansou dessa polarização. O eleitor quer alguém que saiba governar e promover entregas. Eu saí de Goiás com 88% de aprovação. Até quem não votou em mim reconheceu o melhor governo da história. (…) Você não vê o Brasil como referência em energia, terras raras, inteligência artificial, educação. Você vê o Brasil do desencanto. A frase que mais ouço é: ‘Pelo amor de Deus, já deu, não é possível”, se gabou.
ESTRATÉGIA
Apesar de admitir que 53% da população não o conhece, apesar da sua longevidade na vida pública, Caiado aposta na reta final da campanha e nos debates para crescer. Ele já articula palanques em 26 estados, com apoios de governadores do PSD, União Brasil e Republicanos, e não descarta aliança com Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno.
O pré-candidato do PSD recusou a ideia de compor como vice na chapa de outros nomes da direita brasileira e afirmou que a escolha de sua vice será definida às vésperas da convenção em julho de 2026 e que viajará “incansavelmente” por Minas Gerais, São Paulo, Sul e Nordeste para “virar o jogo”.
“Quem quebrou a polarização? Foi o PSD. Construíram tudo para ter só PT e PL. Nós dissemos: ‘Vamos lançar candidato’. O eleitor vai olhar para o lado e ver que a melhor opção é quem realmente tem capacidade de governar. Não sou oportunista, não contesto urnas, sei ganhar e sei perder. Mas estou pronto para o debate. (…) Nós temos que unir forças para no segundo turno batermos o PT. A partir dali, reconstruiremos o Brasil. Quem será o meu vice? Vai depender do momento, não posso excluir ninguém. O importante é que, onde Caiado governa, bandido não se cria”, observou.
ENTREVISTA
Abaixo segue a íntegra das entrevistas concedidas por Caiado ao longo da última semana.
Imprensa: O senhor tem uma histórica, uma ligação muito grande com o agronegócio, com a bancada ruralista. Se for eleito presidente, quais os projetos, como o senhor pretende trabalhar pensando no café?
Ronaldo Caiado: Olha, em primeiro lugar, agradecer aqui a recepção. Estou voltando nessa cidade aqui. A gente esteve aqui em 1987, quando naquela mobilização nós fizemos na defesa do café, estava totalmente desvalorizado, não tinha nenhuma política nacional. E dali nós fizemos uma grande mobilização na capital em São Paulo, depois fizemos grandes mobilizações também em Brasília, onde o Guaxupé esteve sempre presente. E hoje, vocês sabem, aquilo que orgulha o Brasil. É a maior cooperativa de café arábica do mundo e, como tal, mostra aqui a competitividade, a capacidade de agregar valor. Reúne aqui milhares e milhares de pequenos produtores rurais. Algo impressionante aquilo que me foi trazido como informação. A média do produtor em termos de 20 hectares de terra. Isso mostra o quanto um setor bem administrado, com uma cooperativa que expande hoje a sua credibilidade, pode trazer riqueza ao homem do campo. E me diziam mais. Olha, do que nós vendemos hoje para o mundo, 80% nós repassamos do preço ao proprietário, ou seja, ao produtor rural. Isso é valor agregado, isso é riqueza que chega ao produtor rural.
Imprensa: Objetivamente, o que fazer para garantir o valor agregado?

Ronaldo Caiado: É aquilo que nós estávamos conversando. É verticalizar essa cadeia. É isso aqui que Guaxupé pode mostrar para o mundo e que terá por parte do governador Ronaldo Caiado, aqui, presidente da República, se Deus quiser, em 2027, um apoio total. Que é, nós estamos hoje com um produto nosso e ela é encapsulada em outros países do mundo. Essa, aí, será uma tecnologia que nós apoiaremos enormemente e será daqui que nós iniciaremos esse projeto no Brasil. O primeiro compromisso que tem. O segundo é a parte logística, que você vê aqui quantos containers hoje estão saindo aqui na carroceria de caminhão. Nós temos que ampliar a logística brasileira. Não é possível que as nossas ferrovias não alcancem os lugares mais produtivos e facilitando e dando competitividade para que esse produto chegue nos portos. Terceiro lugar é ampliar cada vez mais a segurança para os pequenos agricultores que, muitas vezes, pelo valor do café, são aqui assaltados. Essas pessoas vivem, muitas vezes, numa situação de insegurança. E, lógico, que aí são políticas nacionais. Além da segurança de uma educação de qualidade, uma saúde regionalizada e Guaxupé é uma referência, porque hoje Guaxupé é uma região metropolitana. Ela absorve aqui dezenas de cidades e, como tal, a estrutura também. Falava com o prefeito, ele me dizia, governador, eu estou investindo mais de 27% do meu orçamento em saúde. Esse caos é total hoje para os estados e para os municípios. O governo federal lavou as mãos. Antigamente, ele entrava com 52% nos gastos da saúde no país. Hoje, ele repassa 40% e joga 60% na mão dos prefeitos e dos governadores. Então, é exatamente isso. São mudanças substantivas que nós temos que fazer para governar, resgatar a esperança do povo brasileiro e poder dizer que, para se governar o Brasil, você tem que ter estatura moral e coragem pessoal. E que, modéstia à parte, isso aí eu tenho de sobra para poder estar lá à frente do governo, botar regra no país e fazer com que o cidadão volte a sonhar e a viver um Brasil que ele espera.
Imprensa: Quais são suas ideias para o fomento do cooperativismo no país?
Ronaldo Caiado: Em primeiro lugar, dizer a todos os meus amigos que nunca tiveram oportunidade de ver o ato cooperativo realmente acontecer de verdade. Apesar de ser uma regra que vem na Constituição, mas nunca foi regulamentada. E vocês sabem que eu conheço bem do Congresso Nacional, até porque fui deputado federal e senador. E o nosso presidente aqui [da Cooxupé] pode saber que ele terá o ato cooperativo na sua inteireza. Isso vai fazer com que aumente a capacidade, hoje, de distribuição de renda ao pequeno agricultor, ao cooperado. E todos nós sabemos que não existe nada que realmente tenha o potencial da cooperativa para poder enfrentar cartéis, para poder fazer com que haja competitividade ao pequeno agricultor, que tenha acesso ao insumo, que tenha acesso à comercialização dos produtos por meio das cooperativas. Não existe nada que produza mais renda, mais garantia, mais condição de segurança no campo do que o cooperativismo. Então, sempre fiz parte da nossa bancada, que ela é representativa, mas agora, como presidente, eu terei prerrogativas de ampliar isso aí, expandir esse mesmo pensamento de Guaxupé por várias regiões do país. Se aqui tem em torno de 6 a 8 milhões de sacas, o Brasil produz mais de 66 milhões, por que não temos também em outros estados a mesma cultura, e o mesmo rendimento, e o mesmo resultado? Lógico que não se controla de um dia para a noite, mas a experiência daqui é uma experiência que pode ser levada para outros estados da federação.
Imprensa: Governador Caiado, o senhor tem dito, menos Brasília, mais Brasil. Dá para se fazer isso? Dá para convencer o Congresso? Como é que é isso?
Ronaldo Caiado: Olha, é vocês já ouviram essa frase demais, não é? Então, é por isso que, às vezes, a gente tem que ter muito cuidado, porque, realmente, eu sofri muito como governador do estado. E, por isso, eu posso dizer que eu vou pela experiência minha daquilo que, realmente, garrotearam o Estado, impediram o Estado de poder crescer. Como tal, será uma proposta de emenda que farei à Constituição Brasileira, e vou propor ao Congresso Nacional para que haja, sim, um novo federalismo no Brasil. Um novo federalismo que eu possa passar aos governadores e prefeitos ações em áreas que são fundamentais. Seja na área tributária, seja também na área da Segurança Pública, seja no avanço dos seus incentivos em cada uma das regiões, seja numa revisão também que nós teremos que ter numa reforma tributária, sendo no avanço que nós teremos que ter numa legislação trabalhista. Enfim, nós teremos que voltar os olhos para aquilo que a sociedade deseja e pede que, realmente, o presidente governe o país com a mentalidade atualizada e não defasada, anacrônica, como é o atual presidente da República, em que, no governo do PT, só três coisas, ou só dois setores progrediram muito. É certo que são as facções criminosas, são as maiores multinacionais do crime hoje no mundo e, ao mesmo tempo, a corrupção que mais expandiu. Então, o que nós queremos trazer é tecnologia, inovação, é ciência, é cada vez mais segurança para o cidadão e vocês sabem que é onde o Caiado governa, o bandido não se cria. Essa é a necessidade de nós resgatarmos o Brasil num primeiro momento e, depois, expandirmos também com as nossas outras áreas de avanço tecnológico e de pesquisa. Esse é o Brasil que eu proponho aos brasileiros chegando lá.
Imprensa: Alguma proposta específica para o pequeno produtor rural e para o pequeno produtor familiar do nosso país?
Ronaldo Caiado: Olha, o pequeno produtor rural, ele precisa de condicionantes, está certo? Que são, principalmente, de resgate das matérias nos Estados. Ele precisa de assistência técnica, ele precisa de cooperativismo, ele precisa de ter técnica. O cidadão, quando ele é um pequeno proprietário, se você não der acesso a ele, o que existe de mais moderno e que, hoje, a modernização da agricultura é em tempo curto. Antigamente, você demorava 10 anos para mudar. Hoje, você tem variedades, hoje, que elas alternam de um ano para o outro. Então, você precisa de ter acesso a essa tecnologia, condições de comercialização, expansão deste mercado do cooperativismo ou de associações que se proponham a fazer com que a renda chegue ao produtor rural. O maior desafio que nós temos hoje no Brasil e que, realmente, as cooperativas conseguiram atender é exatamente o retorno da renda ao produtor rural. É isso aqui, é a riqueza voltar para dentro da porteira. Ou seja, é isso que nós temos que voltar a atenção no Brasil hoje. Não tem outro mecanismo melhor do que, cada vez mais, você levar a técnica, o apoio a essas pessoas.
Imprensa: Governador Caiado, o senhor já escolheu quem será o seu vice?
Ronaldo Caiado: A vice, ela será discutida por nós às vésperas da convenção. Esta convenção se dará no mês de julho. Então, neste primeiro momento, nós estamos avançando neste processo, avançando num processo que é de poder ampliar as nossas bases. Hoje, o presidente do partido, o [Gilberto] Kassab, ele está articulando a base da nossa campanha nos 26 estados da federação e também no Distrito Federal. Então, é um partido que tem musculatura política e que nós vamos chegar ao segundo turno. E prestem atenção, para chegar no segundo turno, vocês sabem que nós precisamos ganhar do PT, que já está comandando o país há 20 anos, há 5 mandatos. E para ganhar do Lula no segundo turno, vocês sabem que é o Caiado o melhor candidato para chegar lá e derrotá-lo e fazer o que eu fiz em Goiás, fazer no Brasil, devolver o Brasil aos brasileiros de bem.
Imprensa: É uma deixa que o senhor deu, que o senhor disse a vice, vai ser uma mulher?
Ronaldo Caiado: Olha, você sabe que isso aí vai ficar na dependência do momento, eu não posso excluir ninguém, de maneira alguma. Nós vamos avaliar dentro de uma avaliação regional no Brasil todo, enfim. Essa questão, ela será respeitada por nós, sim, acrescendo a campanha não tem dificuldade alguma.
Imprensa: Sobre a polarização política, PT versus bolsonarismo. Existe espaço hoje para uma política mais técnica e menos ideológica?
Ronaldo Caiado: Lógico que tem, é por isso que o PSD lançou o candidato. Se não fosse o candidato do PSD, como é que nós estaríamos hoje no primeiro turno? A mesma polarização que eles queriam manter. Quem foi que quebrou a polarização? Foi o PSD. Ora, eles construíram tudo para ter uma candidatura só do PT e uma candidatura só do PL. Ou seja, eles quiseram manter essa estrutura prevalecendo já desde o primeiro turno. O Kassab disse, espera lá, vamos fazer o seguinte: o PSD vai lançar candidato, pré-candidato à presidência da República. E é lógico que aí é que nós entramos. O Brasil não pode mais empobrecer o debate naquilo que não traz nada para a população, que é essa radicalização, essa polarização, certo, que não produz e não avança em nada, certo, a renda, a melhoria da qualidade de vida das pessoas. E como tal, nós faremos exatamente este, esta opção, e eu acredito que o eleitor vai olhar para frente, para o lado e ver, olha, a melhor opção agora, sem dúvida nenhuma, é de quem realmente tem capacidade de governar, entregando melhorias para a população brasileira, como entregou, como foi o governador de Goiás. Saí de lá com aprovação de 88% da população do estado de Goiás, a maior de todos os governadores do Brasil. Isso mostra que nós temos capacidade de realmente fazer a política de bom nível e promover as entregas à sociedade brasileira.
Imprensa: O senhor já está com um palanque sólido para esse desafio aqui no estado de Minas Gerais?
Ronaldo Caiado: Olha, eu não saio de Minas Gerais, está certo? O Cássio [funcionário da pré-campanha] agora acabou de perguntar para mim se eu vou realmente pagar o FGTS dele, porque eu estou botando ele para trabalhar diariamente, está bom? Eu não saio de Minas Gerais. Minas Gerais e São Paulo são os estados que eu mais frequento neste momento. Nós vamos acabar de concluir o Sul do Brasil, ontem mesmo, antes de ontem eu estive em Florianópolis, ontem eu estive em Chapecó, está certo? Agora eu vou entrar dia 29 e 30 no Rio Grande do Sul, vamos fazer o Paraná, fechando essa parte sul do país, nós vamos avançar mais ainda em São Paulo e Minas Gerais e a partir dali nós vamos para o Nordeste com a chance real de ganharmos as eleições em muitos estados, como realmente temos a chance de ganharmos as eleições hoje na Bahia, que foi o maior diferencial de votos que o Lula trouxe e hoje a candidatura do ACM Neto é uma realidade com perspectiva real de vitória e lá o nosso palanque será o mais forte. Como nós teremos palanques fortes também nos estados que são definidores e como existe uma tese maior no Brasil de que se ganha eleição quem ganha em Minas Gerais, vocês podem saber que eu vou me dedicar muito a esse estado irmão de nós goianos que somos, está certo? Em poder e um povo que me conhece há mais de 40 anos e poder saber que nós marcharemos juntos neste momento e vamos subir aquela rampa do Palácio do Planalto.
Imprensa: Qual a importância desse evento aqui no IDV para o senhor?

Ronaldo Caiado: Olha, nós temos que respeitar um Instituto que se preocupa em desenvolver o varejo no Brasil. Não tem nenhum setor que absorva mais mão de obra, que tenha a capilaridade que tem o varejo. Qualquer lugar que você chegar no Brasil, na menor cidade, você ter lá o varejo ali instalado, fornecendo, atendendo, ampliando o mercado e as opções do setor. Então, é algo que eu convivo com eles há muito tempo. Sem dúvida nenhuma, como deputado, como governador do Estado, fiz parceria com o varejo no Estado de Goiás. Foram meus maiores parceiros, na época, na área de profissionalização dos estudantes. Hoje, aprendiz do futuro no meu estado de Goiás tem também a oportunidade de trabalhar no varejo. No período do ensino médio, para ele aprender a vida como ela é, sair dali no final como uma carteira assinada, com a profissão. Então, é algo que tem sido duramente penalizado, esse segmento, por uma política populista do governo, que cada vez mais achaca esse setor, cada vez mais faz com que o setor, por mais patriota que seja, ele está sendo expulso para o Paraguai, porque não consegue viver mais no Brasil, de tamanha asfixia da carga tributária. Então, são situações que ele não tem mais segurança jurídica, ele não sabe se no ano eleitoral, que medidas vão ser mudadas, como foi agora. Então, essa é a situação de insegurança plena que o Brasil vive, principalmente na área do varejo, e que realmente muitos, vocês veem, estão mudando aqui para o Paraguai e tendo que vender mercadoria no Brasil, e levando para lá também milhares e milhares de empregos, porque o governo aqui expulsa quem trabalha e quem produz. Encaminharei ao Congresso Nacional um projeto de lei, para que todas elas sejam classificadas como terroristas. Essa situação de omissão do governo federal tem provocado um ambiente no Brasil que você não tem espaço para ter sequer amanhã um ambiente de negócios, porque no Brasil, infelizmente, hoje, quem dá a última palavra é o crime, e o Estado precisa de resgatar essa condição e poder entregar ao cidadão ali a certeza que a segurança pública, que o Estado brasileiro é maior do que o Estado do crime. E dessa maneira é que nós vamos derrotá-los, sabem por quê? Porque nós não temos forças policiais na região da Amazônia brasileira, que 100% hoje é ocupada pelas facções criminosas, e a condição de tê-los como terroristas, já que nós temos presença também de venezuelanos, colombianos e mexicanos, também faccionados naquela região, as Forças Armadas terão toda a liberdade para ocupar e trazer de volta esse território ao governo brasileiro. É assim que eu vou tratá-los e é assim que eu também aplicarei as regras para utilização das Forças Armadas para recuperar o território brasileiro.
Imprensa: Candidato, o Flávio Bolsonaro embarcou para os Estados Unidos, onde ele pretende se encontrar com o presidente Donald Trump. Como o senhor enxerga essa agenda e se acha que o Trump vai ter alguma influência na eleição aqui nesse ano?
Ronaldo Caiado: Bom, veja, eu não posso comentar, afinal de contas eu estou sabendo por você que ele acaba de embarcar para os Estados Unidos, mas eu acho que o problema está aqui no Brasil. Mas, realmente, eu não sei qual a pauta dele, devemos saber, sem dúvida alguma, eu acho que os problemas que deveriam dar ali a maior satisfação à população, eles estão aqui. Esse fato específico da ida dele aos Estados Unidos, eu não sei qual a pauta, se é que teve essa audiência marcada, eu realmente posso garantir que eu durante esse período todo, até a eleição, eu não vou sair do Brasil.
Imprensa: E o senhor acha que esse apoio ou não do Trump a alguma candidatura pode interferir ali na hora do eleitor escolher se ele vai votar ou não?
Ronaldo Caiado: Olha, eu acho que o que vai definir mais vai ser o momento que nós chegarmos nos debates. Acho que ali sim. Eu estou ansioso para nós começarmos assim a debater com a presença de todos para o eleitor ou poder fazer uma análise de quem realmente deve escolher para presidir o País. Uma eleição não é um jogo de revanche, não é voltar 2022 para 2026, não é um jogo de revanche. O PT perdeu em 2018, o PL ganhou, depois chegou 2022, o PL perdeu, o PT ganhou, então eu acho que o Brasil cansou dessa polarização, eu acho que o Brasil deseja alguém que saiba governar, mas além de governar, promover entregas à população, tirar o país desse clima que ele vive, onde a população está totalmente desencantada, desacreditada, com tanta corrupção em todos os poderes, com o crime ocupando todo o território brasileiro e os jovens pensando mais em ir para um consulado buscar um passaporte e ir embora do Brasil. E é isso que eu quero resgatar e se Deus quiser devolver o Brasil aos brasileiros de bem.
Imprensa: Governador, o senhor defendeu o afastamento dos ministros do Supremo envolvidos nessas polêmicas como essa do Banco Master, mas essa crise ela atinge também a classe política. O senhor defenderia também um afastamento, por exemplo, do Flávio Bolsonaro, que está concorrendo na eleição e está envolvido, tem um envolvimento com o Daniel Vorcaro e entre outros políticos? O Flávio deveria continuar no pleito, dada essa análise que o senhor faz em relação ao Supremo?
Ronaldo Caiado: Bom, são situações que você tem que discutir o assunto dentro do Senado Federal. Dentro de uma pré-candidatura, isso é prerrogativa do partido. Então, o partido é que deve analisar quem deverá representá-lo numa campanha eleitoral. O que eu disse em relação ao Supremo, em termos da instituição Supremo Tribunal Federal, ela não pode, sobre ela, não pode pairar nenhuma dúvida. Então, os problemas de ordem pessoal, eles não podem contaminar o processo amanhã de credibilidade de uma instituição tão importante quanto essa. É a última palavra, o Supremo Tribunal Federal. Então, essas pessoas deveriam discutir os seus problemas fora deste pleno do Supremo para que possamos ter ali a tranquilidade da sociedade respeitar as decisões. Quanto aos partidos, isso é decisão da ordem partidária. Caberá a cada partido analisar o seu pré-candidato.
Imprensa: O senhor acredita que é possível que Flávio Bolsonaro não continue nesta eleição, que um outro nome seja colocado no lugar dele? O senhor acredita que isso seja possível diante deste desgaste agora?
Ronaldo Caiado: Olha, eu volto a repetir. Eu não faço parte do partido. Eu não faço parte da direção nacional do partido. Eu sou de outro partido. Eu posso responder pelo PSD. Eu não posso responder por um outro partido. Não caberá a mim, de maneira nenhuma, ter essa pretensão de poder me envolver em problemas internos de outros partidos. Essa é uma prerrogativa do PL.
Imprensa: Governador, caso ele seja candidato a vice, caso Flávio continue a cair nas pesquisas, há alguma chance de alguém do PL na sua chapa. O senhor foi consultado sobre esse assunto? O que acharia da Michelle Bolsonaro como sua vice?
Ronaldo Caiado: Não, não fui consultado de maneira nenhuma. As informações todas, até para o depoimento do próprio candidato do partido, o senador Flávio Bolsonaro, é que ele continuará como candidato à presidência da República.
Imprensa: Governador, essas denúncias contra o Flávio, afastariam um eventual apoio do senhor em segundo turno a ele?
Ronaldo Caiado: Olha, não cabe a mim fazer nenhum pré-julgamento. Eu não avançaria tanto, já defini o segundo turno. Eu acho que nós ainda temos uma etapa longa ainda para chegar no dia 4 de outubro. Eu acho que nós temos que, nessa situação, avaliar bem que tem um espaço para se debater e esse cenário político, ele pode ser alterado e, quem sabe, podemos chegar no segundo turno.
Imprensa: Governador, o senhor mencionou no seu discurso uma insegurança política que o país estaria vivendo. O que um presidente poderia fazer a respeito disso?

Ronaldo Caiado: Olha, você não governa sem autoridade moral. Condição de governabilidade é a autoridade moral do governante. As mudanças do país hoje, elas exigem com que um presidente tenha estatura para poder sentar naquela cadeira, que ele não tenha que aprender a sentar na cadeira como governar, que ele tenha uma história, uma trajetória de vida que o credencie não no discurso, mas no exemplo que deu durante os seus anos na vida pública. Uma pessoa que realmente terá que tomar medidas austeras, duras, cortar na carne, impor um sistema que existe na Constituição brasileira, mas que não existe na prática. É um falso presidencialismo. É uma verdadeira desordem institucional que nós estamos vivendo hoje no país. Então, a função do presidente, ela será primordial para que o Brasil amanhã tenha espaço no cenário internacional e não num país hoje que é mais visto pelas facções criminosas que se tornaram multinacionais do crime. O Brasil é reconhecido hoje tanto na América quanto na Europa como aquele que é, que mantém aqui sobre o solo brasileiro as maiores multinacionais do crime no mundo, contaminando a credibilidade do Brasil e até a comercialização dos nossos produtos. Bom, você sabe que equilíbrio fiscal eu obtive, por exemplo, e implantei em poucos meses governando o estado de Goiás. E nós temos mais políticas sociais emancipatórias que o governo federal. O governo federal copiou o Pé de Meia do Bolsa Estudo de Goiás. Nós temos a maior capacidade de retirar pessoas da dependência dos programas sociais e serem independentes e programas emancipatórios do que o governo federal. O governo federal hoje já tem a terceira geração de pessoas dependentes. Lá em Goiás, nós temos a melhor educação do Brasil e as políticas sociais emancipatórias. E como tal, Goiás disputa hoje com Santa Catarina e com o Rio Grande do Sul como tendo o menor patamar, o menor índice de extrema pobreza no país. Então, ter responsabilidade fiscal, ela é compatível com política social, não política populista, que ocorre apenas no ano eleitoral e depois deflagra um processo de juros altos em endividamento da população, desemprego, caos. É isso que está aí. Então, a nossa proposta, ela realmente contempla, não no discurso, mas na realidade, basta ver o que nós implantamos em Goiás.
Imprensa: Governador, o senhor acha que o caso dos áudios do Flávio para o Vorcaro tem potencial de impactar outras candidaturas de direita, pela afinidade ideológica, enfim, como o senhor vê isso?
Ronaldo Caiado: Aí eu tenho uma certa dificuldade em responder na tese do achismo. Eu tenho que responder às pesquisas, já sabe? Hoje, realmente, a pesquisa dá-lhe condição de competitividade. Então, eu disse a vocês que eu acredito no momento em que a população passar a conhecer o que nós fizemos, a nossa vida política, a nossa trajetória de vida, e também no debate, no conhecimento de cada um dos temas relevantes, para que um presidente da República possa assumi-lo, eu acredito que aí sim as coisas terão maior chance de poder ter um resultado positivo em relação a voto e a tendência nas pesquisas. Eu não vejo outra maneira que não seja essa.
Imprensa: Governador, rapidamente, voltando rapidamente no tema da segurança pública, o senhor classifica o Comando Vermelho, o PCC, como organizações terroristas. Uma segunda pergunta também que eu gostaria de te dar com o senhor, em relação à desarmonia entre os poderes. O senhor voltou a criticar também aqui agora, nessa palestra o Supremo Tribunal Federal. Como é que o senhor enxerga isso e o que fará o senhor sendo eleito? Como é que será a sua relação com os Três Poderes, dado que a gente passa por um momento mais delicado agora na política?

Ronaldo Caiado: Olha, é importante que eu possa responder a sua pergunta sobre o terrorismo. Sim, encaminharei ao Congresso Nacional um projeto para conceituá-las como terroristas. Terrorismo significa ocupação de território e o desrespeito das regras e das normas que mantém o Brasil como Estado, como a República Federativa do Brasil. Isso está na Constituição brasileira. Se você buscar a Amazônia brasileira hoje, mais da metade da Amazônia e metade dos municípios amazônicos estão ocupados pelo PCC e o Comando Vermelho. Mas não são só eles, lá estão as facções da Colômbia, facções da Venezuela e facções do México. A ocupação do território brasileiro hoje pelas facções também de outros países. Você não tem como ter força de Polícia Militar e nem de Polícia Civil na Amazônia brasileira para tratar no combate às facções criminosas. Como tal, ao implantá-la, ao classificá-la como terrorista, imediatamente, eu usarei a Aeronáutica, a Marinha e o Exército Brasileiro num combate frontal para recuperar o território brasileiro. Isso aí é ponto pacífico. Essa matéria, eu não tenho a menor dúvida que não tem outra força capaz de resgatar o território brasileiro se nós não usarmos as nossas forças armadas. O segundo ponto que você coloca é sobre a harmonia entre os poderes. Lógico que você sabe que quem dita as regras respeitando a Constituição dá a independência dos poderes, mas dá harmonia entre os poderes. E a partir daí, você realmente sendo presidente, eu assumindo a presidência da República, as pessoas vão ver um político que tem 40 anos de vida pública, que não tem nenhum processo, que o desabone, não tem nenhuma denúncia de corrupção, de uso indevido de verba pública, etc., de crescimento patrimonial. Então, isso aí me dá a condição de dar o exemplo da minha vida, ao cobrar naquele momento que, a partir dali, nós teremos um sistema presidencialista no Brasil e que o projeto que foi aprovado pela população foi o projeto apresentado por Ronaldo Caiado. E o Ronaldo Cariado assume o presidencialismo na sua inteireza. Eu sou um homem que, ao assumir o meu cargo, eu o assumo sem abrir mão de um milímetro dele. E, sem dúvida nenhuma, a governabilidade exige que haja a independência dos poderes, mas a harmonia das ações daquilo que o povo votou e escolheu como programa de governo. Aí, eu saberei, você pode ter certeza, com o presidencialismo capaz de poder dar um norte para o país e poder fazer valer aquilo que o eleitor votou. Essa decisão virá do eleitor. Essa decisão não é uma decisão de fórum pessoal, é a seleção de 120 milhões de brasileiros que vão votar. Eles é que vão decidir o que eles desejam na urna. E não é só isso, tá certo? É uma eleição que nós precisamos de saber duas coisas. Não é só ganhar do Lula, é saber governar o país. Porque eles já ganharam uma eleição, depois o Lula voltou. Então, você tem que saber governar e promover as entregas da população. Nesta hora, você consegue, sim, não ter alternativa do PT mais no Brasil. Lá em Goiás, o PT não será alternativo nos próximos 100 anos. Eles não têm nem candidato a governador lá.
Imprensa: Na sua avaliação, governador, o Flávio Bolsonaro tem estatura moral para ser e permanecer candidato?

Ronaldo Caiado: Olha, a avaliação, ela será feita pelos eleitores. Eles é que vão julgar. Não cabe a cada um de nós julgarmos aqui e fazermos juízo de valor. Agora, até o momento, os argumentos que ele trouxe não foram convincentes. Isso eu já disse várias vezes. E eu fui o primeiro, não de forma oportunista, em dizer que caberá a ele o direito de explicação dos fatos. Não sou oportunista, não farei pré-julgamento. Mas o mais importante no Brasil, neste momento, é nós também não fazermos o jogo que o PT quer. Qual é? Mantemos a centro-direita unida. Mantemos a centro-direita consolidada para derrotarmos o PT no segundo turno. Este é o objetivo, este é o principal. Esta é a coluna vertebral. Se alguém, no decorrer do caminhar dessa luta, caia ou amanhã atravesse para o segundo turno, esse aí deverá ser aquele que deverá receber o apoio dos demais para nós derrotarmos o PT. O PT estão [sic] 20 anos no comando do país. E o que cresceu nesses 20 anos? As duas maiores facções do mundo, PCC e Comando Vermelho, e a corrupção. Esses dois pontos, facção criminosa e a corrupção. Isto aí foi o que mais progrediu no governo do PT. Você não vê o Brasil como referência em energia, combustíveis, terras raras, inteligência artificial. Você não vê o Brasil como referência na educação. Você não vê o Brasil como referência na pesquisa. Você não tem um projeto estruturante. Você vê o Brasil o desencanto da população. ‘Não aguento mais’, ‘já deu’. A frase que mais bate hoje em todo lugar que você anda é o eleitor chegar e falar assim, pelo amor de Deus, pelo amor de Deus, faça alguma coisa, já deu, não é possível. Ninguém aguenta mais, já deu, já será possível, já vamos ficar nisso. Então, o foco principal, está certo? Olha, isso aí é como numa guerra. Se alguém cai, o objetivo final é vencer o PT. Esse é o objetivo final. Esse aqui não pode sair do foco, hora alguma. Porque você não terá nenhuma chance para o Brasil resgatar essas condições se você não derrotar o PT. Então, eu como médico e cirurgião que sou, eu não posso mudar aquilo que é o principal para o acessório. O principal é este foco. É este aqui que eu quero chegar. Nós temos que unir nossas forças para no segundo turno batermos o PT. A partir dali, nós reconstruiremos o Brasil.
Imprensa: Então, o senhor vai estar com o Flávio Bolsonaro no segundo turno.
Ronaldo Caiado: Como?
Imprensa: Então, o senhor vai estar com o Flávio Bolsonaro no segundo turno?
Ronaldo Caiado: A vontade da população brasileira estará [sic] essa? Você está profetizando. Eu não sei. Eu estou dizendo a você que eu estarei lutando fortemente para que nos debates possamos chegar lá. Está certo? É isso que eu estou dizendo. Eu não tenho essa capacidade de antever. Eu tenho a capacidade de dizer que eu sou um homem preparado para o debate. Eu sou um homem que tem as qualificações para poder ir para uma campanha eleitoral para disputar a cadeira da presidência da República. Eu me preparei para isso. Eu trabalhei. Sou um homem que eu estudo. Sou um homem que eu trabalho. Sou um homem que eu não falo do achismo. Agora, eu sou um democrata na essência. Eu sou um democrata na essência. Você nunca me viu contestar voto. Nunca me viu contestar urnas. Você nunca me viu contestar resultado do painel no Congresso Nacional. Eu sou um homem que sei ganhar e sei perder. Eu sou um democrata. Agora, me preparo para ver que eu não acredito que a sociedade brasileira, assistindo essa situação, esse colapso, o endividamento da sociedade, o avanço da corrupção, o desmando do país, um presidente que tem 53% de rejeição. Eu saí de Goiás com 88% de aprovação. Oitenta e oito. Nunca um governador atingiu esse patamar na história. Até os que não votaram em mim reconheceram o meu governo como sendo o melhor governo que já existiu no Estado. Eu fiz entregas para a população. Então, quando eu falo que a primeira etapa é bater o PT, a segunda etapa é saber governar. Porque se você não promover as entregas, eles voltam. Aonde você promove as entregas, eles não existem mais. Eles saem do calendário eleitoral. Eu diria a você que cometeu falha, sim. Tanto é que não ganhou a reeleição. É óbvio. Isso aí não tem mais ou menos que você está governando e vai para a sua reeleição e não consegue se reeleger. Lógico que você não entregou tudo aquilo que você havia prometido. Senão você não teria perdido a eleição. Eu me elegi no primeiro turno, me relegi no primeiro turno e vou eleger o meu vice no primeiro turno. Ou seja, eu apresentei a sociedade o que ela queria de um governador do estado. Eleito, reeleito, tudo no primeiro turno. E vou eleger o meu vice-governador no primeiro turno em Goiás. Isso é credibilidade moral e governo que entrega aquilo que prometeu para a sociedade.
Imprensa: Qual é a estratégia de união da centro-direita?
Ronaldo Caiado: O elemento que nós discutimos no nosso café da manhã foi no sentido de nós podermos transmitir para a sociedade uma tranquilidade, para dizer que, de maneira alguma, nós iremos cair na tese da cizânia, da separação e que nós iremos trabalhar no sentido de chegarmos unidos ao segundo túnel. Então, este assunto, inicialmente, ele foi tratado mais como estratégia nossa de campanha, estratégia de convivência pacífica entre todas as forças políticas da centro-direita e respeitando cada um de nós. Os problemas de ordem pessoal deverão ser tratados por aquele que realmente tenha que responder as perguntas, mas isso jamais trazendo qualquer grau de enfrentamento, de discórdia, de dispersão entre as nossas bases. Esse fato de quem vai ser vice de quem, este é um fato que, realmente, você sabe, ele tem a parcela dele, eu tenho a minha parcela e cada um de nós vamos trabalhando, porque eu acredito que eu não sou conhecido no Brasil ainda, 50% da população não me conhece. Depois nós teremos os debates, aí é que eu acredito muito, vai ser na força dos debates, mostrar quem é que tem uma história política, quem é que tem a autoridade para poder sentar a cadeira da presidência da República, quem é que vai poder, realmente, fazer as mudanças necessárias no País, quem vai ter a coragem de enfrentar a corrupção no País, as facções instaladas hoje, ocupando grandes territórios no País, as reformas que devem ser feitas no País. Então, eu acho que este é exatamente o momento. Eu posso dizer que conto com o apoio de um grande partido no país hoje, que é o PSD, que o presidente Kassab teve a coragem de lançar uma candidatura à presidência da República. Amanhã eu estarei no Rio Grande do Sul, [onde] tenho o apoio do governador Eduardo Leite, estarei no lançamento da candidatura do governador lá naquele estado, o Gabriel [Souza (MDB)], candidato ao governo do Rio Grande do Sul. Santa Catarina, nós temos lá a candidatura do João Rodrigues [ex-prefeito de Chapecó], que está disputando bem no estado. No Paraná, o candidato do Ratinho. Em São Paulo, nós estamos também com o comitê Tarcísio e Caiado. Nós estamos avançando na parceria que nós temos, por exemplo, em Minas Gerais, onde o candidato é único, tanto o meu quanto o do Zema, que é o Matheus (PSD). Então, nós estamos com esse grau de articulação avançando. Olha, na Bahia, eu entro com o ACM Neto, que vai bater o PT. No Ceará, eu tenho falado muito com o Ciro Gomes (PSDB). Então, há chances reais nossas. Então, no Norte, nós já estamos muito bem colocados. Então, agora é estratégia. Temos a inteligência e não darmos palanque para o PT, que tem tantos problemas, tanta corrupção no seu dia a dia, e que não pode jogar esse tema para ser motivo de cizânia dentro da centro-direita.
Imprensa: E como estão as composições dos palanques estaduais?
Ronaldo Caiado: Não é só o Mato Grosso. Você sabe que o estado do Sergipe, o governador também apoia o PT. Na Bahia, o PSD apoia o PT. Em cada um dos estados, o Caiado vai ter o seu palanque. Eu terei um palanque e as pessoas me conhecem e sabem que eu tenho uma história de vida. Eu sou o mais antigo adversário do PT. Eu comecei a enfrentar o PT em 1986. Então, isso mostra uma coisa só, que naquela época quem defendia a economia de mercado, o direito de propriedade, isso tem exatamente 40 anos atrás. Então, naquela época a agricultura não era pop nem tech, ela era o patinho feio. O Caiado estava ali defendendo o setor rural, a economia de mercado. Então, agora o que ocorre? Nós temos que ter a tranquilidade e entendermos os problemas estaduais. Se hoje um problema estadual leva a ter uma aliança com a pessoa que é aliada ao atual presidente da República, o nosso palanque vai bater doído exatamente nesse escárnio que é o país nesses 20 anos comandados pelo PT. 20 anos do PT só cresceu PCC, Comando Vermelho, corrupção do Petrolão, Mensalão e também dos aposentados. Então, além disso, o que ele roubou foi a esperança dos jovens no Brasil com 20 anos de governo, sem nenhuma política estruturante para o país. Então, eu tenho certeza que nós ganharemos as eleições do PT.
Imprensa: E o apoio do governador Mauro Mendes aqui em Mato Grosso?
Ronaldo Caiado: Sabe que o Mauro Mendes é meio conterrâneo, nós somos anapolinos, e o Mauro Mendes foi um excelente gestor, um governador extremamente preparado. Você sabe que ele vai se eleger senador da República, e aí o tempo dele no Senado vai ser curto porque ele vai trabalhar com o Caiado na Presidência, ele vai ter, sem dúvida nenhuma, um homem com a dinâmica do Mauro, ele estará compondo uma estrutura de Ministério comigo. Agora, a posição dele pessoal, política, para ele chegar lá, ele tem total independência. Eu respeitarei a posição do Mauro, ele é meu amigo pessoal. Eu venho da política, eu sou um homem experimentado na política, eu não sou um homem que briga com as urnas, eu não brigo com o painel, eu não responsabilizo pessoas se eu perder uma eleição. Eu já ganhei na minha vida oito eleições, já perdi duas, então, eu sou um homem calejado, eu não estou numa primeira eleição minha. Então, eu posso dizer para todas as pessoas que eu sou um homem que, ao sentar na cadeira da Presidência, eu sei governar. Ou seja, eu tenho experiência que é conciliar um Congresso Nacional, que é chamar o Supremo para quem decide os problemas nossos e dar rumo ao país em que nós precisamos.
Imprensa: Governador, a gente ouve muito que a direita deveria estar se unindo, mas como irão se unir, sendo que existe muito…
Ronaldo Caiado: Essa é a beleza da democracia. Eu pergunto a você, tem quantos times de futebol aqui no Mato Grosso? Então, vai ter um campeonato. Não, ninguém pode jogar, só vão jogar os dois.
Imprensa: Mas como que a direita vai se unir com a direita …?

Ronaldo Caiado: Não, mas deixa eu lhe explicar. Se você tem vários partidos, como é que você diz para um partido que ele não pode ter candidato à Presidência? Então, a lógica é que tem o segundo turno, aí é que é a lógica, você tem que… A legislação brasileira tem primeiro turno e segundo turno. Primeiro turno, todo mundo entra no campeonato. Os dois primeiros vão para o segundo turno, aí vão para a final, que é o segundo turno. Hoje, você sabe que essa situação do Desenrola não é apenas para a pessoa e as famílias, o prestador de serviços, o comércio, a indústria, é o setor rural. O setor rural passa pela maior crise desde a época em que eu cheguei no Congresso Nacional, em que nós fizemos a CPI do endividamento rural, depois fizemos a securitização da dívida do setor rural, depois fizemos o PESA, depois fizemos o Moderfrota, depois aprovamos a transgenia, depois aprovamos o Código Florestal Brasileiro, criamos uma bancada ruralista chamada Frente Parlamentar da Agricultura. Então, o problema hoje não é só da agricultura, é o Brasil todo hoje que está quebrado. Essa é a realidade, porque todo mundo que trabalha fez algum tipo de empréstimo e não consegue pagar a taxa de juros de 22%. Mas sobre o setor rural, ainda, nós temos os complicadores maiores e mais graves. Quais são? Um estado igual ao Mato Grosso, por exemplo, que é o maior produtor de grãos do país. Ele aqui produz mais de 100 milhões de toneladas em 353 milhões de toneladas. Não tem outro estado que tenha essa capacidade. E, no entanto, vocês não têm fertilizantes, vocês não têm como comprar o fertilizante. Porque o Brasil, governado pelo Lula, ele nunca fez uma política estruturante para nós podermos desenvolver aqui e podermos explorar aqui o cloreto de potássio, o fósforo, ter aqui a ureia, a amônia. Nós temos aquilo que se faz necessário para nós termos a nossa autonomia. É isso que falta aí. Por exemplo, em Goiás, por exemplo, eu já produzo biometano. Em Goiás, por exemplo, eu já estou produzindo terras raras, pesadas. Então, é um Estado que tem projeto para daqui a 40 anos. O meu vice [em Goiás] já sabe o que nós já fizemos e o que nós continuamos a fazer. Projeto, o governo tem projeto. O governo do PT não tem projeto, eles têm aquilo como profissão. Se eles pedem, eles passam fome porque eles nunca trabalharam na vida. Então, essa é a diferença nossa. Agora, nós sabemos trabalhar e nós sabemos projetar o desenvolvimento do país. Ora, este é um evento que, sem dúvida alguma, se dá no Estado que nós temos a maior produção de grãos. Aqui, lógico, eu vou receber e vou ouvir as reivindicações do setor. É um setor que eu convivo com ele desde a minha infância, é um setor que eu me sinto em casa aqui. São pessoas, minhas amigas, meus amigos, que aqui começaram há tanto tempo. Eu quero fazer referência à força da mulher e, da hora que eu cheguei aqui, eu fiquei impressionado com o quanto as mulheres aqui são, sem dúvida nenhuma, eficientes na montagem dos eventos, na participação do agronegócio. Eu quero deixar aqui os meus cumprimentos a todas elas, porque realmente são guerreiras e que transformaram este estado num estado lindo e que eu tenho muita ligação com essa divisa nossa com o Rio Araguaia, e nós também sabemos cuidar dele, pois é uma das maravilhas do nosso Brasil. O meu muito obrigado a vocês todos aí pelo apoio que deram, a cobertura. Fazer um agradecimento ao Igor, que preside aqui o Lide, que me fez este convite. Eu fiz questão de sair hoje de São Paulo, estar aqui e retornar ainda à noite. Amanhã eu vou gravar o Canal Livre, amanhã à tarde eu estou decolando para o Rio Grande do Sul, eu estarei em Caxias, de lá eu vou para Porto Alegre, no lançamento do governador, de lá eu retorno para Goiânia, que nós temos [o dia da] Nossa Senhora de Guadalupe, e aí segunda-feira [1º de junho] eu estarei em Belo Horizonte, de lá eu vou para Governador Valadares, e aí eu vou a semana toda andando o Brasil todo para, se Deus quiser, chegando dia 4 [de outubro], o Caiado poder [ir] para o segundo turno, e aí sim a gente poder aliviar o Brasil dessa angústia e desesperança que vive o povo brasileiro.






















