MATO GROSSO

LIGAÇÕES PERIGOSAS

Fávaro diz que CPI do Banco Master não avança porque Congresso teme exposição de parlamentares

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O senador Carlos Fávaro (PSD) elevou o tom ao comentar os bastidores da tentativa de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master e afirmou acreditar que o Congresso Nacional não terá interesse real em destravar a investigação. Em entrevista à Jovem Pan, o parlamentar sugeriu que parte dos deputados e senadores teme eventual exposição de relações políticas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, personagem central das suspeitas envolvendo o banco e operações financeiras que passaram a ser alvo de atenção nacional.

 

Durante a entrevista, Fávaro classificou como “jogo de cena” as manifestações públicas de parlamentares que dizem defender a CPI. Segundo ele, muitos dos que assinam ou apoiam discursos favoráveis à investigação, na prática, não querem que a comissão saia do papel. “Claro que é jogo de cena. Claro. Os que estão dizendo que querem, inclusive, não querem nada. Estão com medo de ser investigados. Eles sabem o que fizeram no verão passado”, disparou o senador, em uma das falas mais contundentes já feitas por um integrante do Congresso sobre o caso.

 

O senador também afirmou que ninguém deveria estar acima da lei, independentemente de cargo ou influência política. “Ninguém está blindado nesse Brasil. Nem ministro do Supremo, nem parlamentar, nem presidente da República. Quanto menos qualquer banqueiro, pseudo banqueiro, que veio lesar todos os brasileiros. Tem que ser investigado”, declarou Fávaro, ao defender abertamente o avanço das apurações envolvendo Daniel Vorcaro e possíveis conexões políticas do empresário no Congresso Nacional.

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A fala do parlamentar ocorre em meio ao crescimento das discussões sobre a criação da CPI do Banco Master, proposta que já enfrentou diferentes tentativas de articulação nos bastidores do Congresso. Nos corredores de Brasília, comenta-se que a resistência à comissão envolveria justamente o receio de exposição de parlamentares, operadores financeiros e possíveis intermediários ligados ao mercado bancário. Até agora, porém, não há instalação formal da CPI nem denúncias conclusivas apresentadas pela Justiça contra congressistas.

 

Apesar disso, Fávaro demonstrou confiança nas investigações conduzidas por órgãos federais e afirmou que novas revelações ainda devem surgir. “A Polícia Federal está trabalhando de forma independente. O ministro André Mendonça está fazendo um grande serviço ao Brasil e aos brasileiros. Essa investigação ainda vai dar muito o que falar e nós vamos ter uma limpeza ética nesse país novamente”, declarou o senador, sinalizando que acredita em desdobramentos políticos relevantes nos próximos meses.

 

As declarações repercutiram fortemente nos bastidores políticos porque atingem diretamente integrantes do próprio Congresso Nacional. Ao sugerir que existe proteção política em torno do caso, Fávaro acabou ampliando a pressão pública sobre deputados e senadores que vêm defendendo a instalação da CPI apenas no discurso. Parlamentares da oposição e até aliados do governo passaram a comentar reservadamente que a entrevista expôs um ambiente de desconfiança e temor dentro do Legislativo federal.

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O episódio também reacendeu o debate sobre a relação entre poder político e sistema financeiro no Brasil. Nos últimos anos, CPIs envolvendo bancos, pirâmides financeiras e fundos de investimento acabaram revelando redes de influência que atravessavam partidos e grupos econômicos. Agora, com a repercussão das declarações de Carlos Fávaro, cresce a expectativa para saber se a pressão popular e a continuidade das investigações da Polícia Federal conseguirão transformar a CPI do Banco Master em realidade ou se, como afirmou o senador, tudo acabará apenas em mais um “grande jogo de cena” dentro do Congresso Nacional.

 

 

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